Flávio tentou usar o The New York Times para propagar tese golpista, mas foi desmoralizado

Flávio tentou usar o The New York Times para propagar tese golpista, mas foi desmoralizado - Foto
Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

Vexatória, humilhante, risível. São esses os termos que melhor descrevem a primeira entrevista concedida por Flávio Bolsonaro desde sua fuga do Brasil para os Estados Unidos, após ser derrotado na disputa presidencial.

Em uma conversa de 75 minutos com o The New York Times, o candidato derrotado tentou fazer de dos jornais mais prestigiados do mundo uma plataforma de propagação de suas teorias conspiratórias sobre as eleições brasileiras. Não deu.

Saiu da entrevista com as alegações sistemática e milimetricamente desmontadas pela própria reportagem. Leia-se: a entrevista, intitulada “Como Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil? ‘Levarei isso para o túmulo’, ele diz”, antes de ser publicada, foi amplamente propagandeada por bolsonaristas como Paulo Figueiredo e companhia como uma bomba que iria sacudir o cenário político brasileiro.

E foi mesmo, mas não do jeito que eles queriam. O bolsonarismo presenciou seu principal representante político (solto) ser desconstruído em um dos veículos jornalísticos de maior alcance do mundo com a fragilidade de um boneco de pano.

Flávio, como era de se esperar, repetiu religiosamente para a repórter Ana Ionova o mesmo roteiro que, no fim das contas, como é de conhecimento público, levou seu pai à prisão. Disse que sua derrota para Lula era “matematicamente impossível”, insinuou manipulação de votos e, zero novidades, voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas.

Mas como apropriadamente bem pontuado pelo jornal norte-americano, não apresentou nem uma única prova. Questionado, o senador se refugiou numa declaração que, de maneira simplista, resume a “profundidade” de seu argumento: “Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado”.

Vejam só. Leia também: Após deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro faz primeira aparição pública em culto evangélico nos EUA e diz que “não se arrepende de nada”

O New York Times, um jornal de mais de 170 anos de existência, com profissionais experimentados e admirados no mundo inteiro, por óbvio, não comprou a tese. Muito pelo contrário, fez questão de registrar que o sistema eleitoral brasileiro é considerado um dos mais seguros do mundo por especialistas internacionais, e lembrou ainda que observadores independentes atestaram a integridade do pleito, que dezenas de países reconheceram a vitória de Lula e que até dirigentes do partido de Flávio descartaram a existência de fraude.

A reportagem ainda informa que a prorrogação do horário de votação, que, segundo Flávio, teria beneficiado Lula, havia sido solicitada por ambos os candidatos, em razão das chuvas e dos problemas no transporte. E mais: afetou apenas 34 mil votos, diante de uma vantagem de 4,4 milhões conquistada pelo petista.

Não para por aí: o NYT não poupou o histórico criminal da família e trouxe à baila o fato de Jair Bolsonaro cumprir pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, após conspirar contra o resultado das eleições de 2022, além de relembrar os traumáticos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de extremistas invadiram as sedes dos Três Poderes exigindo uma intervenção militar.

A entrevista revelou ainda o tamanho do isolamento político de Flávio. Mesmo acolhido – fugido – nos Estados Unidos, ele não conseguiu sequer uma promessa de encontro com Trump, que já declarou não ter planos de recebê-lo.

A bomba prometida pelos bolsonaristas realmente explodiu. E o chororô de Paulo Figueiredo nas redes sociais sinaliza que não foi do jeito que eles esperavam.

Longe de Brasília, sem mandato garantido e incapaz de apresentar provas do que denuncia, Flávio Bolsonaro descobriu, mais uma vez, que a imprensa não está disposta a servir de caixa de ressonância para delírios golpistas.

Publicação Original Jornal Opção jornalopcao.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →