Novo aplicativo promete acelerar doações de córneas em Goiás com identificação de óbitos em até 30 minutos

Novo aplicativo promete acelerar doações de córneas em Goiás com identificação de óbitos em até 30 minutos - Foto
Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

Goiás está na fase final de desenvolvimento de um aplicativo que notificará a Central de Transplantes sobre todos os óbitos ocorridos no Estado em tempo real. Segundo Juliana Dias Pereira dos Santos, médica de família e comunidade e voluntária da NoHarm.ai, a ferramenta usa inteligência artificial (IA) para ler prontuários eletrônicos e identifica a morte em 15 a 30 minutos após o registro médico (em testes reais, chegou a 16 minutos), enquanto o processo manual leva horas ou sequer chega a tempo.

O sistema será implantado inicialmente no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e tem como meta reduzir a fila de espera por córneas, que em setembro de 2026 somava 1.851 pacientes ativos em Goiás. O grande objetivo é identificar potenciais doadores de órgãos e tecidos, como córneas, em tempo real dentro dos hospitais.

Para isso, a tecnologia monitora eletronicamente os prontuários e as notificações de óbitos recentes nas unidades de saúde. Dessa forma, ela alerta as equipes de captação e as comissões hospitalares de transplantes.

Esse fluxo visa otimizar o tempo de resposta, que é crucial para viabilizar a doação de tecidos e salvar vidas. O projeto conta com o apoio do Governo do Estado de Goiás.

O problema central que a ferramenta vai encerrar é a subnotificação de mortes e a lentidão na comunicação entre os hospitais e a Central de Transplantes, que, consequentemente, faz o Estado perder potenciais doadores antes da janela de seis horas para a captação. “No modelo manual, os avisos costumam demorar horas ou não chegam a tempo”, avalia Juliana Dias.

Como o aplicativo vai funcionar?  Um agente coletor do NoHarm.ai consulta a base do Prontuário Eletrônico do Paciente em tempo real, usando visões de leitura seguras.

Em seguida, algoritmos de Processamento de Linguagem Natural (PLN/NLP) examinam as evoluções clínicas e anotações médicas em texto livre, identificando o registro da morte no instante em que ele é feito, sem depender do preenchimento posterior de alta ou Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID). 

Quando o sistema detecta o óbito, ele emite alertas instantâneos por WhatsApp, SMS, e-mail e dashboard para a equipe de plantão. Além disso, transmite os dados de forma automática via API ao SIDOAR, sistema de transplantes do Estado.

Dessa forma, o NoHarm.ai suprime a digitação manual e poupa um tempo precioso para que o Serviço Social e a equipe de transplantes realizem a abordagem e o acolhimento familiar dentro da janela útil. A ferramenta utiliza modelos de Transformers (BERTimbau), PLN/NLP e Reconhecimento de Entidades Nomeadas.

A inteligência artificial faz a varredura contínua do prontuário (exames, diagnósticos e evoluções) e confronta os dados com a RDC 707/2022 – resolução que define critérios para a doação. Consequentemente, o aplicativo descarta de forma automática contraindicações absolutas, como sepse, HIV, hepatites, neoplasias hematológicas e idade fora da faixa de 2 a 80 anos. 

“O projeto prevê seminários, reuniões e vídeos educativos para capacitar as equipes das OPOs, Bancos de Olhos e hospitais. Também disponibiliza materiais e vídeos de orientação para apoiar os profissionais de saúde durante o acolhimento e a conversa com a família”, explica Juliana.

Juliana Dias Pereira dos Santos – Médica de Família e Comunidade, voluntária da Noharm.ai Os números da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) evidenciam a pressão sobre o sistema.

Em setembro de 2026, o Estado tinha 1.851 pacientes ativos na lista de espera para transplante de córnea, com tempo médio de espera de um ano e 11 meses. No ano de 2024, foram 1.020 novas inscrições; em 2025, 1.024; e, entre janeiro e setembro de 2026, outras 850.

No mesmo período, Goiás realizou 649 transplantes de córnea em 2024, 555 em 2025 e 552 entre janeiro e setembro de 2026. Diante desse cenário, Juliana destaca que a “meta é reduzir a fila de espera de cerca de 1.700 pessoas em Goiás.”

Os irmãos Ana Helena Ulbrich, farmacêutica, e Henrique Dias, doutor em Ciência da Computação pela PUCRS, criaram a solução em 2019. O projeto teve início com o cruzamento de dados de prescrições hospitalares e a sinalização de riscos.

Atualmente, o aplicativo já atende mais de 300 unidades básicas de saúde e 200 hospitais em todo o país, com impacto em 5 milhões de vidas. A NoHarm oferece a solução sem custo para hospitais do SUS, sustentada pela receita obtida com a adesão de instituições privadas à plataforma. 

Agora, a novidade vem por meio do apoio do Governo do Estado de Goiás (SES-GO), por meio do Edital de Licitação Especial para Contratação Pública de Solução Inovadora (CPSI / Desafio GovTech). O Instituto NoHarm.ai venceu a seleção pública depois de superar várias etapas de avaliação.

Em relação ao estágio de desenvolvimento, a tecnologia base (TRL 7/8) já opera em mais de 200 hospitais com outras finalidades, mas se adapta ao problema selecionado pelo Governo de Goiás. “Em Goiás, a Etapa 1 foi concluída e o Piloto Observacional está pronto para operar no HUGOL.

O Go-Live com emissão de alertas reais ocorre nos meses 6–7. O plano de expansão prevê incluir 3 hospitais estratégicos, consolidar em toda a rede estadual com a possibilidade de replicar para outros estados via Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)”, finaliza Juliana.

Leia também: Goiás registra aumento de 43,3% nas inscrições em esportes adaptados e amplia oferta para oito modalidades

Bombeiros encontram corpo de homem desaparecido no Rio das Almas, em Cavalcante

Publicação Original Jornal Opção jornalopcao.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →