Douglas Ruas (PL) falou ontem como governador eleito em coletiva de imprensa na sede do PL, no Rio, antes mesmo de ter o nome oficializado no cargo, o que depende da retotalização dos votos do 1 turno a ser feita pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), marcada para sábado. O procedimento é usado para alterar o cálculo matemático feito pelo sistema da Justiça Eleitoral e definir quais votos são legalmente considerados válidos para a proclamação do resultado final da eleição. “Quero dizer aos mais de 16 milhões de cidadãos do Estado do Rio de Janeiro que a eleição acabou e nós vamos trabalhar para todos, independentemente da escolha que tenha feito na eleição de domingo”, disse Ruas. Ele estava ao lado de sua vice Fernanda Louback (PL), do aliado e deputado federal eleito Altineu Côrtes (PL) e do senador eleito Carlos Jordy (PL). “A gente sabe que com a retirada dos votos do então candidato Garotinho a gente está à frente com mais de 50% dos votos, então com isso a gente terá uma vitória no primeiro turno”, acrescentou. O pronunciamento de Ruas ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anular os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) na disputa pelo governo estadual, o que abriu caminho para a vitória de Ruas em primeiro turno. Na retotalização, os votos dados a Garotinho contarão como nulos, o que garante a Ruas a soma de 50% mais um dos votos válidos. Leia mais A coligação que apoia Eduardo Paes (PSD), segundo colocado na disputa, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que houvesse segundo turno, mas o ministro Cristiano Zanin negou, na noite de ontem, provimento ao pedido. Garotinho recebeu 274.411 votos, equivalentes a 3,17% dos válidos no Estado. A candidatura do ex-governador foi indeferida pelo TRE, decisão confirmada ontem pelo TSE, devido a uma condenação por improbidade administrativa quando ele era secretário de governo de Rosinha Matheus. No recurso apresentado à Corte, Paes alegou risco de “dano grave, de difícil ou impossível reparação” caso não houvesse segundo turno. “Negar ao eleitor fluminense o segundo turno, sob fundamento de que os votos destinados ao candidato Anthony Garotinho devem ser descartados, é desprestigiar a vontade do povo do Estado do Rio de Janeiro – que, note-se, não elegeu Douglas Ruas no primeiro turno.” Zanin rejeitou o pedido da coligação do ex-prefeito por motivos processuais. Ele entendeu que a solicitação nem sequer atende aos requisitos necessários para que o mérito do caso seja analisado pelo STF. Para o ministro, a solicitação foi feita antes de Paes apresentar formalmente um recurso extraordinário contra o julgamento do TSE. A ausência desse tipo recurso prévio, diz, impede a apreciação do caso. "Observo, em primeiro lugar, que, até o momento da propositura deste pedido de efeito suspensivo, não foi interposto recurso extraordinário e, em consequência, não foi realizado o exame de admissibilidade pela Presidência do TSE", afirmou. Nas redes sociais, lamentou a decisão da justiça de que não haverá segundo turno, o que contraria, segundo ele, a vontade soberana dos eleitores, e escreveu: “Decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia.” No discurso ontem, Ruas lamentou ainda a decisão de Paes de recorrer da decisão do TSE: “A vontade popular está confirmada nas urnas. Então é lamentável que se insista em querer levar para o judiciário aquilo que deve ser resolvido na arena da política, no voto”, disse. Ele reforçou que foi o próprio PSD que entrou com a ação pedindo a anulação dos votos de Garotinho no TSE e ironizou a mudança de posição do grupo rival. Criticou ainda o excesso de judicialização da política: “Quem impetrou a ação [pedindo nulidade dos votos de Garotinho] foi a coligação do PSD. Por que mudou o entendimento agora? Talvez essa seja a pergunta que eles devam responder. O Estado do Rio de Janeiro não aguenta mais toda hora essa confusão de guerra de judiciário, de levar as questões para Justiça, a população quer paz”, disse Ruas. Ele abriu o discurso na sede do PL no Rio agradecendo a Deus, aos correligionários, ao candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ruas também fez um agradecimento ao marqueteiro da campanha, Paulo Vasconcelos. Ruas vai atuar como coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Rio. Ruas disse que vai começar a trabalhar na transição de governo com o desembargador Ricardo Couto, que ocupa interinamente o cargo.
Douglas Ruas Thiago Lontra/Alerj
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