Durante quase todo o dia, M.S., de 38 anos, moradora da periferia e mãe solo de uma criança com transtorno do espectro autista (grau severo), vive uma rotina marcada pela exaustão extrema. “Eu passava 24 horas por dia em função das terapias do meu filho.
Não sobrava tempo para mim e eu não tinha condições de pagar um atendimento particular. O Acolhe Mais tem sido a minha salvação.
Pela primeira vez em anos, senti que alguém estava me ouvindo de verdade, sem julgamentos. Como o atendimento é remoto, consigo me organizar para fazer as sessões no período em que ele está dormindo ou calmo.
Esse projeto deu de volta a minha dignidade.” O “Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”, que salvou a vida de M.S, cuja identidade será preservada a pedido dela, é um serviço inédito de teleatendimento psicológico gratuito totalmente integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O programa, coordenado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garante um espaço seguro, sigiloso e acolhedor para que as cidadãs possam cuidar de sua saúde mental sem enfrentar barreiras geográficas. O objetivo do programa é permitir um atendimento humano e simplificado, rompendo barreiras que historicamente afastam a população feminina do cuidado especializado, como as mulheres que vivem ou viveram situações de violência e aquelas que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
O atendimento psicológico é gratuito e pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital. Não é necessário apresentar Boletim de Ocorrência, laudo médico ou encaminhamento para buscar atendimento.
Muitas vezes, isso pode ser mais um obstáculo que afasta as mulheres que já enfrentam medo, ameaças, dependência econômica ou outras situações de vulnerabilidade, explica o Ministério da Saúde. A proteção das informações das usuárias é parte essencial da iniciativa.
O tratamento dos dados observa rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o sigilo profissional da Psicologia, garantindo total privacidade durante o acompanhamento remoto. A prioridade do programa é amparar quem enfrenta uma sobrecarga invisibilizada no ambiente familiar e social.
A assistência acolhe mulheres acima de 18 anos inseridas em dois grandes eixos: mulheres em ciclos de violência (seja doméstica, física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral) e as mães atípicas ou cuidadoras de pessoas com deficiência e doenças raras. A execução do programa é viabilizada em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
O ciclo inicial prevê até 10 sessões individuais de 50 minutos por vídeo, com a garantia de que a paciente seja atendida sempre pela mesma psicóloga para fortalecer o vínculo terapêutico. Os horários são flexíveis: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.
Quando há necessidade de acompanhamento contínuo ou presencial, o atendimento remoto é articulado com a rede física local. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) fazem a coordenação do cuidado, enquanto os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem atenção especializada nos casos de maior complexidade.
Além disso, para reduzir as desigualdades digitais, estão previstas articulações diretas com agentes comunitários de saúde e equipamentos da assistência social (como o CRAS e CREAS), garantindo busca ativa e suporte nos territórios com maior dificuldade de conectividade à internet.
O cadastro foi desenhado de forma simples e intuitiva dentro das ferramentas governamentais:
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