‘Mercado quer acúmulo de riqueza, mas o governo quer que o dinheiro circule para o consumo’, diz Teresa Leitão

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A líder do governo federal no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), passou uma mensagem de confiança para representantes do mercado financeiro e afirmou que a gestão do presidente Lula (PT) vai cumprir metas fiscais e continuará com políticas sociais voltadas, principalmente, para a população mais pobre.

“Vamos cumprir a meta determinada no arcabouço fiscal. Estamos fazendo ajustes necessários com a responsabilidade que as urnas nos deram”, disse a petista, acrescentando, em tom de crítica, que financistas desejam um mercado financeiro contribuindo “para o acúmulo da riqueza”.

“Nós queremos (o governo) que o dinheiro circule para o consumo”, comparou. A entrevista foi concedida aos jornalistas Afonso Bezerra e Maria Teresa Cruz, do Brasil de Fato.

Para 2026, a meta prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), aproximadamente R$ 34 bilhões, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. A parlamentar também disse que os juros são “uma preocupação permanente” da equipe econômica.

Teresa comentou o tema após integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciarem que a Selic (taxa básica de juros) continuará em 13,75%. A senadora afirmou que, no pronunciamento previsto para o próximo domingo (8), o presidente Lula fará a defesa do consumo da população, que dá qualidade de vida.

“Estamos preocupados com os juros. Ele vai fazer esse pronunciamento dizendo o que pensa, o que o governo quer, porque foram dados passos muito largos em relação à política fiscal e à política econômica do país”, concluiu.

As próximas reuniões do Copom foram marcadas para acontecer nos dias 8 e 9 de dezembro. O órgão é ligado ao Banco Central (BC).

A taxa Selic influencia diretamente o custo do dinheiro na economia brasileira. Como parâmetro para os juros de empréstimos e financiamentos, sua manutenção em patamares elevados encarece o acesso ao crédito, desestimula as compras das famílias e dificulta os investimentos das empresas.

Os juros elevados também favorecem quem possui patrimônio aplicado em investimentos financeiros. Uma pessoa com R$ 800 mil investidos em uma aplicação que acompanhe integralmente a Selic receberia aproximadamente R$ 120 mil em rendimentos brutos ao longo de um ano, considerando uma taxa de 15%.

Caso os juros recuassem para 7,5%, esse ganho cairia para cerca de R$ 60 mil, sem considerar impostos e outras condições da aplicação. ‘Partido de Flávio Bolsonaro, o PL está acéfalo’

A líder do governo criticou a oposição bolsonarista e repudiou o que chamou de “terceiro turno” após a derrota e fuga de Flávio Bolsonaro, e avalia que o PL tem se isolado. “Eles estão acéfalos, escolhendo quem é que vai liderar esse conjunto, que majoritariamente é do PL.

Apesar de outros partidos terem apoiado Bolsonaro, a gente não vê essa conduta tão explícita do ponto de vista da beligerância, do ponto de vista das agressões”, avalia. Após ser derrotado pelo presidente Lula em 25 de outubro, dia do segundo turno, o senador da extrema direita brasileira fugiu para os Estados Unidos.

Aliado da família Bolsonaro, o presidente estadunidense, Donald Trump, adotou uma tática golpista e sugeriu que houve fraudes na eleição brasileira. O presidente Lula venceu por 51,79% (64 milhões) a 48,21% (59 milhões).

Eleições para o Senado A senadora deu sua avaliação sobre a eleição para a Presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027.

“Claro que o governo tem interesse em ter um presidente do Senado que cumpra o ritual, a liturgia do cargo”, avalia. Diante dos nomes até o momento especulados — Teresa Cristina (PP-MS), Rogério Marinho (PL-RN) e o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União) —, Teresa Leitão destaca que o atual presidente é “o que mais se aproxima da nossa política”.

“A candidatura de Rogério Marinho é absolutamente indigesta para nós, do ponto de vista da postura e de como ele lê a tarefa do Congresso Nacional. Ele já tem dado muitas demonstrações de qual vai ser a pauta dele”, resume.

“Alcolumbre já se colocou para nós como candidato e quem vai discutir a nossa posição é a bancada do PT, não a bancada do governo, porque os partidos são independentes para resolver uma situação desta. Não vejo o PT lançando uma candidatura própria”, ressalta.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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