Os motores PureTech, presentes em diferentes modelos da Peugeot, Citroën e Opel, acumularam reclamações de durabilidade ao longo dos últimos anos. O desgaste da imagem foi relevante o suficiente para levar o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, a pedir desculpas publicamente aos clientes durante o Salão do Automóvel de Paris.
Um dos principais pontos de atenção do produti está na correia de distribuição que trabalha em contato direto com o óleo do motor. Quando esse componente perde resistência antes do esperado, pode liberar resíduos e comprometer o funcionamento adequado do sistema de lubrificação.
“Antes de mais nada, peço desculpas [aos clientes] pelas dificuldades que encontraram no passado. Garanto que investimos na melhoria da qualidade”, afirmou Filosa, segundo informações da ‘Autoesporte’.
No 1.2 PureTech, a correia permanece imersa no óleo durante o funcionamento. Com o desgaste, partes do material podem se desprender e circular pelo interior do conjunto.
Essas partículas podem se acumular em pontos do sistema responsável pela passagem do óleo e reduzir a lubrificação de peças internas. Esse cenário eleva o risco de atrito excessivo, superaquecimento e danos mais graves ao motor.
Segundo o veículo, a deterioração prematura da correia esteve entre os principais problemas associados à família PureTech. Também foi relatado desgaste antecipado de outros componentes internos, principalmente em carros com quilometragem mais alta.
Na Europa, a família PureTech equipou diferentes veículos de grande volume. A Peugeot utilizou essa motorização em modelos como 208, 2008, 3008, 4008 e 5008.
Na Citroën, o conjunto apareceu em C3, C3 Aircross, C4 e C5 Aircross. Ademais, a Opel adotou motores dessa família em carros como Corsa, Astra, Mokka e Grandland.
No Brasil, versões anteriores do Peugeot 208 e do Citroën C3 também chegaram a receber essa configuração mecânica. Com o histórico de falhas, a Stellantis passou a adotar outra solução para parte de sua linha europeia.
A montadora iniciou uma transição gradual para os motores Firefly, desenvolvidos originalmente pela Fiat. Neles, a distribuição utiliza corrente de comando, e não a correia banhada a óleo presente nos PureTech.
Segundo a ‘CNN Brasil’, essa arquitetura deve chegar progressivamente a modelos de Peugeot, Citroën e Opel. A mudança ainda faz parte de um esforço da Stellantis para melhorar a confiabilidade de seus veículos e recuperar a confiança de consumidores afetados pelos problemas anteriores.
A presença desse tipo de correia, por si só, não determina que um motor terá falhas. A durabilidade depende de fatores como projeto, materiais utilizados, manutenção e especificação correta do lubrificante.
No Brasil, a General Motors seguiu uma estratégia diferente nos motores turbo de modelos como Onix, Tracker e Montana. Em vez de abandonar a solução, a fabricante alterou a formulação da correia e do lubrificante para aumentar a resistência do sistema diante de condições que poderiam acelerar seu desgaste.
As estratégias distintas mostram que a confiabilidade não depende apenas do tipo de correia, mas de todo o conjunto de materiais e condições previstas para seu funcionamento. Os motores Firefly já equipam modelos vendidos no Brasil, como Fiat Mobi, Argo, Cronos e Strada.
Na Europa, essa família passa a ocupar mais espaço dentro da estratégia mecânica da Stellantis e também deve receber adaptações para sistemas híbridos nos próximos anos. A transição integra uma reorganização mais ampla da montadora, que busca reduzir falhas, reforçar o controle de qualidade e evitar a repetição dos problemas registrados com os PureTech.
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