Ex-primeira-dama e senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL-DF) não participou de nenhum evento de campanha neste segundo turno ao lado do enteado, Flávio Bolsonaro (PL), e concentrou sua atuação eleitoral em agendas com deslocamentos próximos a Brasília.
Embora tenha mantido compromissos em apoio à candidatura do enteado à Presidência, ela não o acompanhou nas viagens de campanha e tem dividido a agenda entre atos pró-Flávio e a mobilização pela candidatura de Celina Leão (PP) ao governo do Distrito Federal, candidata apoiada pelo PL. O desenho atual é diferente do que havia sido planejado no início do segundo turno. Michelle e sua equipe chegaram a cogitar uma rodada de viagens por quatro ou cinco capitais para pedir votos ao enteado. A proposta previa uma agenda independente da comitiva do candidato, com deslocamentos rápidos e, sempre que possível, retorno a Brasília no mesmo dia. O roteiro, porém, não chegou a ser colocado em prática nos moldes inicialmente previstos. Na ocasião, Manaus aparecia entre os destinos considerados, assim como Salvador e João Pessoa. A ideia era aproveitar a rede política construída por Michelle nos últimos anos, especialmente por meio do PL Mulher, e mobilizar o eleitorado feminino e evangélico em diferentes regiões do país. A ex-primeira-dama também deveria dividir parte dos compromissos com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Michelle, no entanto, manteve uma agenda mais concentrada no entorno da capital federal. Nesta semana, participou de compromissos de apoio a Flávio em Palmas, ao lado de Damares, e em Cidade de Goiás (GO). No Distrito Federal, esteve em carreatas em Brasília, Ceilândia e Taguatinga, além de se dedicar à campanha de Celina, que disputa o segundo turno pelo governo local. A candidatura de Celina passou a ocupar espaço na agenda de Michelle depois que ela própria foi eleita senadora pelo Distrito Federal no primeiro turno, ao lado de Bia Kicis (PL), sua colega de chapa. As duas agora se empenham na campanha da candidata ao governo, de quem são amigas próximas, em uma disputa que mobiliza as principais lideranças políticas do campo bolsonarista na capital. A permanência de Michelle em Brasília também está relacionada à situação do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar na capital, o que a impede de passar longos períodos fora de casa. A previsão é que Michelle acompanhe a apuração do segundo turno no domingo em casa, ao lado do ex-presidente. A interlocutora avalia que a mobilização de outras lideranças ajudou a suprir a ausência de Michelle em uma rodada nacional de viagens, citando a atuação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que percorreu diferentes regiões do país em apoio a Flávio, e os eventos organizados por mulheres ligadas ao movimento bolsonarista. Na avaliação dessa aliada, a movimentação contribuiu para que o grupo feminino se sentisse representado na campanha, mesmo sem uma agenda nacional conduzida pela ex-primeira-dama. Nikolas tem promovido uma série de atos de apoio ao senador, chamados de “bloquinhos”, em formato semelhante ao de comícios. A agenda inclui compromissos no Nordeste, região em que Flávio tenta reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado também tem mobilizado apoiadores nas redes sociais para ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao candidato. A entrada mais efetiva de Michelle na campanha de Flávio havia sido incentivada por Jair Bolsonaro. Impedido de participar diretamente das atividades eleitorais, o ex-presidente estimulou familiares e aliados a reforçarem a mobilização em torno do filho. No início do segundo turno, Michelle anunciou que ampliaria sua participação e defendeu, em reunião com a bancada eleita do PL, o engajamento das mulheres na disputa. A atuação de Michelle também ocorre em meio à tentativa do PL de ampliar o apoio ao senador entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais a ex-primeira-dama construiu uma rede de interlocução durante o governo Bolsonaro.
O Globo