Na tentativa de virar o jogo no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu marqueteiros de diferentes trajetórias para recalibrar a campanha e corrigir a comunicação fragmentada do primeiro turno, marcada por conflitos e falta de alinhamento entre os estrategistas. Agora, a aposta é numa trégua interna para unificar o discurso e superar o adversário. Datafolha: Mudança motiva voto em Flávio, e proteção social é a principal razão dos eleitores de Lula Eleição: Ex-ministros tucanos, filha de FHC e autor do pedido de impeachment de Dilma assinam carta pela democracia e declaram apoio a Lula O foco é dar mais dinamismo à comunicação, sobretudo nas redes sociais, com novas peças e vídeos de Lula gravados em formato de selfie. A equipe de marketing foi reformulada e passa a responder para a coordenação política comandada pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o ex-ministro da Educação e senador, Camilo Santana (PE-CE). Pelas mãos de Lula, a dupla entrou na campanha como “quem entende de voto”. Fonteles venceu no Piauí com 70% dos sufrágios e Camilo foi o principal cabo eleitoral de Elmano de Freitas (PT) na acirrada disputa contra Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Principal nome de Lula na comunicação, Sidônio Palmeira tirou férias do governo para se dedicar à campanha e preparar o presidente para entrevistas e debates. Seu sócio Raul Rabelo comanda as peças de TV, com reforço de Rafael Marroquim, marqueteiro do ex-prefeito de Recife João Campos. Em outra frente, Otávio Antunes, marqueteiro do PT com canal com o fotógrafo Ricardo Stuckert, assessora Lula diretamente e atua na estratégia digital. Próximo ao presidente do partido, Edinho Silva, Antunes já trabalhou nas campanhas de Fernando Haddad ao governo de São Paulo e de Lula em 2018. Ataques e propostas Ex-secretário de Cultura da Bahia e um dos coordenadores da campanha vitoriosa de Jerônimo Rodrigues, Bruno Monteiro tenta construir uma unidade na forma de comunicação. Do Ceará, a campanha tem o reforço de Chagas Vieira, jornalista e articulador político dos governos de Camilo Santana e Elmano. Ele, que foi chefe da Casa Civil do Ceará em três governos, conecta a coordenação política e a comunicação. O novo grupo passou a acentuar os ataques a Flávio Bolsonaro e focar em propostas de futuro para um eventual quarto mandato de Lula. Os novos auxiliares trabalham com a ideia de que o Brasil precisa “mudar mais”. Assim, há a intenção de admitir, por exemplo, que a vida das pessoas segue difícil e o cotidiano da população é desafiador. Esse tom não era adotado no primeiro turno, quando a campanha basicamente tratou do legado de Lula. Entre os que aconselham Lula, a primeira-dama, Janja da Silva, segue sendo uma pessoa importante, apesar de ter gerado incômodo. Interlocutores afirmam que ela, que se mantém próxima à estratégia digital, é a responsável pelo entusiasmo do presidente. Em outra frente, a jornalista Nicole Briones comanda a operação das redes sociais do PT, em uma linha de enfrentamento mais combativa que a campanha. Inflexão de Lula Após largar atrás no primeiro turno, Lula está mais aberto a gravar para a internet. Na terça-feira, foi filmado dançando com uma caixa de som no ombro e correndo na esteira às 6h da manhã. O petista sempre resistiu a gravar vídeos sem caráter institucional, o que, segundo estrategistas, afastou sua imagem da população.
Lula 'importa' estrategistas de aliados e monta frente ampla com marqueteiros no segundo turno
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O Globo
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