Com a maior taxa de abstenção entre as capitais, o Rio de Janeiro registrou 1,28 milhão de eleitores ausentes no primeiro turno das eleições deste ano, o equivalente a 26,16%, mas esse índice teve variações de até dez pontos percentuais dentro da cidade. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, essa diferença chegou a quase sete pontos. Nos dois casos, a taxa de faltosos em bairros nobres ficou acima da observada em outras regiões. Saiba mais: TSE alerta para mudança de endereço de quase 5 mil seções eleitorais Pesquisa Ipespe: Flávio Bolsonaro tem 48% das intenções de voto contra Lula, que marca 46% no segundo turno Na 5ª Zona Eleitoral, localizada em Copacabana, na Zona Sul, 31,9% dos 116.655 eleitores registrados não compareceram, a maior proporção entre as 49 zonas da capital fluminense. Na outra ponta, a 120ª Zona Eleitoral, em Campo Grande, na Zona Oeste, a taxa foi de 22,2% dos 81.975 eleitores aptos a votar.
Os resultados das urnas mostraram vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Copacabana, com 53,06% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 39,14%. Já em Campo Grande, o senador é quem ficou à frente, com 59,91%, ante 32,41% do petista. O maior número absoluto de ausentes, contudo, foi registrado na 9ª Zona (Barra da Tijuca), que teve 38,5 mil eleitores que não compareceram, com taxa de 23,8%, abaixo da média da cidade. Em São Paulo, a variação é menor, mas ainda expressiva. A 1ª Zona Eleitoral teve a maior taxa de abstenção da capital, com 28%, enquanto a da 397ª Zona ficou em 21,6%, uma diferença de 6,4 pontos percentuais. A 1ª Zona Eleitoral é a da Bela Vista, que concentra 145.532 eleitores. A exemplo de Copacabana, trata-se de uma região nobre da cidade.
A 397ª Zona Eleitoral da capital paulista, por sua vez, é a de Jardim Helena, no extremo leste da cidade, região periférica, onde 182.413 eleitores estão cadastrados. Lula venceu nas duas. Obteve 60,58% dos votos contra 30,65% de Flávio na Bela Vista. Enquanto isso, no Jardim Helena, foram 49,67% para o petista, contra 40,78% para Flávio. O maior contingente de ausentes de São Paulo, por sua vez, está na 372ª Zona Eleitoral, de Piraporinha, no extremo sul da capital paulista, onde 56,6 mil dos 238,5 mil eleitores aptos não compareceram. A taxa, de 23,7%, ficou próxima da média paulistana. Lula também levou vantagem lá, com 57,57% dos votos, contra 32,61% de Flávio. A busca por esses eleitores ausentes no primeiro turno se tornou o foco das campanhas dos presidenciáveis, que, diante do resultado apertado da votação no último dia 4, acreditam que atrair parte desse eleitorado pode fazer a diferença na segunda rodada. Vantagem lulista A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira mostrou que 43% dos eleitores que afirmaram que não foram votar ou votaram em branco e nulo disseram que votariam em Lula no 2º turno, contra 38% de Flávio. O cientista político Jairo Nicolau, especializado em análise de dados eleitorais, contudo, alerta ser preciso tomar cuidado ao se observar dados de abstenção, pois o cadastro de eleitores tem uma série de problemas. “Há eleitores que morreram e continuam inscritos, outros que mudaram de cidade e não transferiram o título, pessoas que votam num município vizinho àquele onde moram”, escreveu, em artigo publicado nesta semana em uma página pessoal. No texto, Nicolau cita o caso de Davinópolis, em Goiás, onde há 4.145 eleitores registrados para 1.902 moradores, de acordo com dados do Censo de 2022. “Ali, boa parte dos ‘faltosos’ simplesmente não existe”, escreveu Nicolau.
O Globo