Klabin vê continuidade na pressão de custos com El Niño mais intenso

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Fonte da notícia: Globo Globo

As medidas para enfrentar os efeitos do El Niño e o aumento do preço do frete e de insumos responderam por quase metade da alta anual dos custos de produção, transporte e venda de produtos da Klabin no terceiro trimestre. A empresa do setor de papel e celulose, que divulgou ontem (28) seus resultados financeiros, registrou alta de receita, mas foi pressionada pelo aumento desses gastos e, também, pelo câmbio.

“São eventos exógenos [externos ao negócio] que não prevíamos quando fizemos o ‘guidance’ lá atrás, mas viemos buscando compensar uma parte disso com eficiências de custos, renegociação de contratos com fornecedores e diligência forte no custo fixo, que é o que está na nossa mão”, disse ao Valor Gabriela Woge, diretora financeira.

No trimestre, o custo caixa total por tonelada, média integrada de todos os negócios da companhia, ficou R$ 379 mais caro e atingiu R$ 3,48 mil, alta de 12% na comparação anual. O mercado reagiu e as ações caíram 6,37% ontem, cotadas a R$ 17,49.

O desempenho da companhia acompanhou os papéis de outras empresas que também apresentaram recuo após a eleição presidencial. As iniciativas para enfrentar o El Niño, como compra antecipada de madeira, formação de estoques de segurança e abertura de estradas para acesso às florestas, respondeu por acréscimo de R$ 111 por tonelada.

A alta de custos em insumos e em fretes, resultado de conflitos geopolíticos, adicionou R$ 66 por tonelada. Essa pressão deve se manter, já que efeitos do El Niño, com fortes chuvas no Sul, onde ficam as plantações da Klabin, e custos logísticos preventivos ligados ao fenômeno seguem em andamento.

A empresa se esforça para manter o custo caixa total neste ano no intervalo de R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil, meta anunciada anteriormente. A tarefa não será simples, já que a média dos nove meses encerrados em setembro ultrapassou o teto, e atingiu R$ 3,34 mil.

“Essa antecipação das medidas do El Niño é algo que perdura para o quarto trimestre, mas ainda assim, na média do ano, dado que no primeiro semestre estivemos mais perto da parte baixa [da meta], esperamos continuar no ‘guidance’.” Entre julho e setembro, o lucro líquido dos acionistas controladores somou R$ 241,06 milhões e o consolidado, R$ 393,12 milhões, quedas de 31% e 18%, respectivamente, na comparação anual.

As receitas chegaram a R$ 5,56 bilhões, alta de 3%. Outras empresas do setor têm sido pressionadas por custos, por diferentes fatores.

A concorrente Smurfit Westrock, maior empresa do segmento de embalagens de papelão ondulado no Brasil depois da Klabin, também viu o lucro encolher no terceiro trimestre e disse, ontem, que a inflação nos custos de energia pressionou seus resultados operacionais. A International Paper, que aumentou o prejuízo no terceiro quartil, foi pressionada por baixa contábil em sua divisão europeia de embalagens, num momento em que o cenário macroeconômico reduz a demanda por embalagens no continente europeu.

Para analistas, o resultado da Klabin, mesmo com os custos sendo o principal ponto de atenção, veio dentro do esperado, com resiliência nos negócios de celulose, que contrastou com o avanço dos custos no segmento de papéis e embalagens. Analistas do Itaú BBA disseram que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, de R$ 1,85 bilhão, mesmo com recuo de 12%, ficou em linha com as estimativas.

O banco disse que a companhia já adotava postura conservadora na estrutura de custos, mas que trajetória dos nove primeiros meses do ano impõe riscos à projeção de Ebitda anual de R$ 7,7 bilhões. Já o Bradesco BBI disse que o desempenho da receita foi ofuscado pela pressão de custos.

Analistas do banco afirmaram que, em celulose, o desempenho operacional foi robusto, com produção próxima à capacidade máxima e com preços ainda sólidos. “Em papel, o mix foi novamente um destaque positivo, com maiores embarques de cartão revestido mais do que compensando os menores volumes de kraftliner, que também foram afetados pela parada programada em Otacílio Costa”, indicou o banco.

Em embalagens, afirmaram os analistas, os volumes recuaram ligeiramente por conta da maior base de comparação, mas foram compensados por melhores preços. A Klabin se prepara para colher os resultados de ciclo de investimentos que se encerra com a conclusão da modernização da caldeira da unidade Monte Alegre (PR).

A máquina de papel 28 (MP) do projeto Puma II, em Ortigueira (PR), de papel-cartão e kraftliner, deve atingir a capacidade máxima instalada até o fim deste ano, e integrou essa onda de aportes para aumentar os retornos financeiros da empresa. “Não vemos nenhum outro novo ciclo [de grandes investimentos] começando no momento”, disse Woge.

Somada a MP 27, que já opera, o projeto Puma II tem capacidade de produção anual de cerca de 900 mil toneladas de papel. Neste ano, o investimento previsto segue mantido em R$ 3,3 bilhões, dos quais R$ 2,2 bilhões já foram gastos.

Em 2027, a meta é diminuir o aporte para R$ 2,8 bilhões.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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