Itaú vê cenário mais difícil em 2027, com juros elevados por mais tempo, diz Maluhy

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou hoje que o cenário econômico para 2027 inspira preocupação diante das perspectivas de menor crescimento econômico, aumento do desemprego e manutenção dos juros e levados por mais tempo. “A gente imagina juros num patamar restritivo por um prazo mais prolongado”, disse o executivo, durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre.

Segundo ele, o elevado comprometimento da renda das famílias e a necessidade de refinanciamento das empresas a taxas mais altas ampliam os desafios para o próximo ano. Apesar das perspectivas, Maluhy afirmou que o banco está preparado para enfrentar um ambiente mais adverso, com balanço sólido, provisões adequadas e uma carteira concentrada em clientes mais resilientes.

“Não estamos imunes, nunca fomos imunes, mas acho que o banco tem entregado resultados consistentes”, afirmou. Inadimplência

O Itaú Unibanco registra um índice de 6,7% de operações de crédito a pessoas físicas com atrasos superiores a 15 dias, ante 13,1% no restante do mercado, segundo Gabriel Moura, vice-presidente financeiro do banco. Durante a teleconferência, o executivo destacou que o indicador da instituição permanece relativamente estável desde 2020, enquanto o dos demais bancos apresentou elevação.

“O mercado tem uma alta importante aqui, chegando a 13,1%, ou seja, quase o dobro do que a gente tem”, afirmou Moura. No cartão de crédito, o percentual de atrasos do Itaú é de 6,6%, ante 14,8% no restante do mercado.

No crédito pessoal, os índices são de 9,4% e 17,2%, respectivamente. Em relação aos atrasos superiores a 90 dias, o indicador de pessoas físicas permaneceu estável em 3,7%, patamar próximo ao observado nos últimos dois anos.

Já entre micro, pequenas e médias empresas, houve alta de 0,1 ponto percentual, para 2,1%, atribuída pelo executivo ao fim dos períodos de carência de programas governamentais de crédito. Segundo Moura, o resultado já era esperado pelo banco.

O vice-presidente financeiro afirmou ainda que o Itaú mantém sua estratégia de expansão do crédito concentrada em clientes mais resilientes aos ciclos econômicos e em produtos com maiores garantias. “O nosso foco é nos clientes que são resilientes através dos diferentes ciclos econômicos e também em produtos de maior garantia”, disse.

A carteira de crédito consolidada encerrou setembro em R$ 1,544 trilhão, com crescimento de 1,4% no trimestre e de 10,2% em 12 meses. Desconsiderando o efeito da venda das operações de varejo na Colômbia, a expansão foi de 2,2% e 10,9%, respectivamente.

Entre os destaques, Moura citou o crédito imobiliário, que cresceu 15,8% em 12 meses, e o consignado, com avanço de 16,3% no período. Dentro dessa última modalidade, o consignado privado registrou expansão de quase 94%.

No cartão de crédito, o crescimento foi de quase 8%, chegando a 16,3% entre clientes dos segmentos Personnalité e Uniclass. O crédito para micro, pequenas e médias empresas avançou 15,1% em 12 meses.

Dentro desse segmento, as operações vinculadas a programas governamentais com garantias cresceram 32,4% no período. Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco

Ana Paula Paiva/Valor

Publicação Original Valor valor.globo.com
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