Ira! celebra 45 anos e encerra turnê de 20 anos do 'Acústico MTV' no Circo Voador: 'Nossa marca registrada não mudou'

Ira! celebra 45 anos e encerra turnê de 20 anos do 'Acústico MTV' no Circo Voador: 'Nossa marca registrada não mudou' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Vinte e dois anos depois de lançar o “Acústico MTV”, o Ira! ainda recebe pedidos para voltar ao repertório do disco, que vendeu quase um milhão de cópias em CD e DVD. “Foi um divisor de águas para nós”, resume o vocalista Nasi, que divide os microfones da banda paulistana com o guitarrista Edgard Scandurra, ao recordar o projeto que abraçou um “público eclético” e fez um “crossover de gerações”. Amanhã, o grupo sobe ao palco do Circo Voador, na Lapa, para a despedida carioca da turnê que celebrou as duas décadas do álbum, tocando as 19 faixas na ordem, e, desde abril de 2025, já fez mais de 90 shows em 80 cidades pelo Brasil e em Portugal. Show: Baile da Música Brasileira anuncia convidados para temporada gratuita na Brava Arena Jockey Leia mais: Johnny Massaro traz 'A gente mira no amor e acerta na solidão' ao Rio; ingressos à venda — O sucesso do “Acústico” se deve principalmente pela escolha do nosso repertório. O Ira! já tinha mais de 20 anos e muitos discos gravados quando participou do projeto. Pudemos escolher um equilíbrio muito grande entre sucessos e músicas desconhecidas, os lados B. Foram quase três meses de ensaios incessantes, o que nos fez conhecer as músicas de trás para frente. O grande lance foi justamente ter anos de rodagem para finalmente pegar o nosso repertório elétrico e transformar em acústico — avalia Scandurra. Com 45 anos de estrada recém-completos no último sábado (10), o Ira! despontou na efervescência do rock brasileiro dos anos 1980, época que catapultou uma nova geração de artistas para as rádios, as gravadoras e os grandes palcos. — Assim como hoje é o funk, o hip-hop, o rap, o trap e a música eletrônica, teve o momento do rock, do punk rock e do rock mais direto, político e contestatório. Daquele Ira! de 1981 acho que não existe muita coisa, exceto o frio na barriga — diz Scandurra, que admite que a ansiedade o acompanhará no palco do Circo Voador neste fim de semana. Sua dupla assina embaixo: — A nossa música é bem compreendida e até hoje ainda causa o impacto que causava há mais de 40 anos. O Ira! amadureceu uma maneira de fazer rock bem particular. Às vezes, eu não consigo nos encaixar muito com o rock dos anos 80, porque temos uma influência da década 1960 e algumas características de dupla vocal que são únicas. Mesmo eu e o Edgard tendo crescido muito como músicos e artistas, essa nossa marca registrada não mudou — opina Nasi. Foi o tal “crossover”, o encontro entre artistas de diferentes gerações, que fez com que o álbum renovasse a plateia da banda. Gravado em 2004, o projeto consagrou este intercâmbio com participações de Os Paralamas do Sucesso, contemporâneos da geração BRock; Samuel Rosa, que já era parceiro de outras épocas; e Pitty, então uma das novas vozes do rock brasileiro. A aposta resultou em um dos álbuns mais bem-sucedidos da franquia “Acústico MTV” no país, que adaptava o programa americano que levava artistas a revisitar seus repertórios em arranjos acústicos. Edgard Scandurra e Nasi: 'O Ira! amadureceu uma maneira de fazer rock bem particular' Edilson Dantas Instrumento rei Para Nasi, o formato desplugado também serviu para reconectar o grupo a uma tradição essencialmente brasileira: a cultura do violão. — É o instrumento rei da música brasileira. No acústico, voltamos à essência das composições, que são feitas no violão — reflete o cantor. — Foi um projeto que trouxe o público para dentro das nossas músicas, revelando as melodias, os detalhes das letras e as harmonias. É essa atmosfera intimista que a banda recria agora no Circo. A apresentação segue à risca a tracklist do disco de 2004, incluindo sucessos como “Eu quero sempre mais”, “Envelheço na cidade” e “Dias de luta”. Esta última, aliás, Nasi aponta como um dos grandes acertos do projeto acústico: — Conseguimos dar um outro ar para essa música. Era um rock vigoroso com um riff poderoso, e se transformou numa coisa mais lírica, com detalhes de música ibérica e influência de fado e flamenco. É das músicas do disco que tomaram uma nova roupagem muito legal — conta. No bis, entram canções que ficaram de fora da gravação original, mas que, segundo ele, poderiam ter feito parte do projeto, como “Mudança de comportamento” e “Tolices”. Disco ‘maldito’ O último álbum de inéditas saiu em 2020. Chamado apenas “Ira!”, foi bem recebido pela crítica, mas a pandemia interrompeu os planos da banda de sair em turnê. Nasi considera aquele período um “trauma”, lamenta que o trabalho tenha ficado sem os shows que acompanhariam seu lançamento, mas já mira uma nova fase. — É difícil chegar a 45 anos de carreira sem soar repetitivo, e conseguimos fazer um disco considerado um dos melhores da banda. Mas, quando a pandemia acabou, ele já tinha ficado “maldito” para nós. Eu e o Edgard conversamos que essa formação atual do Ira!, desde a volta em 2014 [com a reconciliação da dupla, após um hiato de sete anos marcado por desentendimentos], mereceria um disco ao vivo. De olho em projetos futuros, mas pessimista com a atual engrenagem do mercado fonográfico, o vocalista defende a força do álbum como um formato capaz de contar uma história com começo, meio e fim. — Hoje as pessoas constroem as músicas de maneira solta, com singles que podem ser coisas completamente diferentes. Essa forma de fazer música tira um pouco a capacidade de se criar novos movimentos musicais e gerações mais homogêneas, o que me preocupa. Existem artistas novos no cenário alternativo, mas eles não estão conseguindo quebrar a bolha do underground para serem ouvidos de maneira mais popular — avalia. Uma preocupação que, pelo menos amanhã sob a lona do Circo Voador, a banda paulistana pode se dar ao luxo de esquecer. Serviço Ira! Acústico 20 anos Onde: Circo Voador, Lapa. Quando: Sex, às 20h. Quanto: R$ 100 (meia solidária). Assinante O GLOBO tem desconto.

Classificação: 18 anos.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo