As exportações da indústria de transformação do Brasil alcançaram a marca recorde de US$ 198,25 bilhões no acumulado de doze meses até outubro de 2026. Segundo os dados oficiais do governo federal, o faturamento fabril cresceu 6,3% em comparação ao período anualizado anterior.
Apenas na leitura de outubro, as fábricas instaladas em território nacional enviaram ao exterior US$ 18,38 bilhões em mercadorias manufaturadas (+7,7%). Nos dez primeiros meses do calendário, o setor somou mais de um sexto de trilhão de dólares.
O resultado mais expressivo veio da União Europeia, onde as compras de bens industriais brasileiros saltaram 20,4%. O bloco europeu absorveu US$ 27,13 bilhões em produtos transformados no Brasil, crescendo em velocidade três vezes superior à média global.
Taxa de crescimento das exportações da indústria de transformação brasileira por bloco econômico e região em 12 meses até outubro de 2026. Fonte: ComexStat / MDIC (elaboração: O Cafezinho).
Dentro da Europa, a expansão foi liderada pelos óleos combustíveis refinados, que subiram metade, e pelos semimanufaturados siderúrgicos, que mais que triplicaram. As empresas do continente também ampliaram em cerca de um décimo as encomendas de farelo vegetal, celulose e ligas metálicas, além de elevarem em 15,4% a compra de aeronaves.
Em valores absolutos, a Ásia manteve o posto de maior destino mundial da manufatura e da agroindústria do Brasil ao adquirir US$ 49,68 bilhões (+5,4%). Os clientes asiáticos concentraram suas aquisições em proteínas processadas, pastas de celulose, derivados de petróleo e ligas metálicas.
Na América do Sul, segunda maior praça para os bens industriais brasileiros, as vendas somaram US$ 37,74 bilhões no intervalo de doze meses. Embora a retração na Argentina tenha reduzido os despachos de automóveis de passeio, o avanço das entregas para Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai equilibrou a balança regional.
Os Estados Unidos ocupam a terceira posição entre os compradores do parque fabril nacional, com US$ 30,65 bilhões em um ano (+1,6% em 2026). A pauta industrial destinada aos portos estadunidenses reúne jatos comerciais, aço, derivados energéticos, máquinas pesadas, carnes e celulose.
Principais produtos manufaturados exportados pela indústria de transformação do Brasil em 12 meses até outubro de 2026. Fonte: ComexStat / MDIC (elaboração: O Cafezinho).
Na abertura por produto em todo o mundo, o complexo frigorífico industrializado lidera com US$ 28,78 bilhões gerados em doze meses. Logo atrás aparecem os óleos combustíveis e derivados do refino, cujas receitas externas saltaram 37,6% e ultrapassaram US$ 14,1 bilhões.
Entre os bens de alta tecnologia, a fabricação de aviões conduzida pela Embraer cresceu 29% no período anualizado e atingiu o recorde de US$ 4,89 bilhões. Na metalurgia, o ouro semimanufaturado avançou 54,4% e alcançou US$ 9,01 bilhões, acompanhado por altas próximas de um quinto nas ferro-ligas e nos laminados siderúrgicos.
O segmento de tratores, escavadeiras e equipamentos de construção também ganhou mercado lá fora, subindo 17,7% para US$ 3,09 bilhões. Somados à receita da celulose e de seu complexo florestal, os indicadores mostram uma pauta industrial mais diversificada e com forte entrada na União Europeia.
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