Lembra do Walkman, que permitia levar fitinhas K-7 para qualquer lugar? O icônico aparelho da Sony está de volta — ou quase isso. A gigante japonesa lançou três tocadores de música digital com preços que variam de US$ 1,9 mil (R$ 10,4 mil) a US$ 5,9 mil (R$ 32,5 mil), marcando seu primeiro lançamento de hardware em muitos anos a levar o nome do Walkman.
Não há informações de disponibilidade para o mercado brasileiro. Os novos aparelhos Walkman têm como objetivo proporcionar a “melhor experiência sonora portátil” para os audiófilos, informou a empresa em comunicado.
Em toda a linha, os aparelhos contam com um “DSD Remastering Engine” aprimorado, capaz de deixar os arquivos de música digital com um som mais "aconchegante" e "analógico", afirmou a Sony. Quando os usuários reproduzem arquivos musicais de baixa qualidade, os Walkmans utilizam inteligência artificial (IA) para identificar gêneros musicais e aprimorar tanto as altas frequências quanto os sons mais sutis.
Felizmente para os entusiastas, grandes plataformas como o Spotify e o Apple Music já permitem que os assinantes façam streaming ou baixem áudio de alta resolução. Os três novos aparelhos já estão disponíveis para pré-venda, embora a Sony ainda não tenha informado quando começarão a ser entregues.
Para aproveitar os novos dispositivos ao máximo, os consumidores também precisarão de fones de ouvido de alta qualidade, capazes de reproduzir até mesmo os menores detalhes de suas músicas favoritas. A marca Walkman é fundamental para a tradição da Sony, e os novos produtos são um exemplo dos segmentos de consumo mais específicos que a empresa atende fora de seu negócio de áudio pessoal, que é muito maior.
No entanto, concorrentes como a Astell & Kern, juntamente com algumas marcas chinesas, oferecem seus próprios tocadores “hi-fi” a preços significativamente mais baixos do que os da Sony. Nono Walkman da Sony, focado em som de alta resolução
Sony/Divulgação Os tocadores da série WM1, o NW-WM1ZM3 (US$ 5,9 mil) e o NW-WM1AM3 (US$ 3 mil), têm tela de 5,5 polegadas com resolução de 1.080p, ligeiramente maiores e mais nítidas do que as de seus antecessores de 2022.
O modelo mais básico, o NW-ZX900, que tem uma tela de 5 polegadas, foi atualizado para resolução de 1.080p, uma melhoria em relação aos 720p do modelo anterior. O mais caro dos modelos oferece vários recursos adicionais para justificar o preço de quase US$ 6 mil.
Isso inclui um chassi de cobre sem oxigênio banhado a ouro que, segundo a empresa, ajudará a elevar a qualidade do som. Os parafusos também receberam um tratamento banhado a ouro, proporcionando uma “conexão de aterramento estável que oferece graves potentes, um palco sonoro amplo e frequências agudas suaves e estendidas”, segundo a Sony.
Os dois modelos mais baratos, por sua vez, possuem um invólucro principal de liga de alumínio com um chassi traseiro banhado a ouro. Todos os modelos rodam o sistema operacional Android.
O modelo mais básico, o NW-ZX900 (US$ 1,9 mil), está dando um salto particularmente grande para o Android 16, em comparação com o software Android 12, muito mais antigo, encontrado em seu antecessor. Vale destacar que as estimativas de duração da bateria da Sony se referem a arquivos MP3 de baixa qualidade, a 128 kbps — um cenário de uso improvável para entusiastas.
O NW-WM1ZM3 e o NW-WM1AM3 podem durar até 31 horas de streaming ou 35 horas quando a música está armazenada no aparelho. O NW-ZX900, mais acessível, promete a maior autonomia: até 35 horas de streaming ou 40 horas de reprodução local.
O hardware do Walkman não tem sido o único foco da divisão de áudio profissional da Sony: no início de outubro, a empresa lançou um microfone de áudio espacial exclusivo para smartphones, ao preço de US$ 250, capaz de capturar áudio imersivo para vídeos gravados. Em 2023, a empresa adquiriu a Audeze, fabricante boutique de fones de ouvido, uma aquisição que, até o momento, tem beneficiado principalmente sua divisão PlayStation.
No mês passado, a Sony anunciou sua mais recente linha de fones de ouvido para jogos que incorporam a tecnologia de driver magnético planar da Audeze. Novo fone também faz homenagem ao Walkman
A Sony também lançou novos fones de ouvido com fio a um preço acessível, somando-se a uma tendência crescente que a empresa descreveu como “uma homenagem tanto à era do Walkman dos anos 80 quanto ao renascimento da tecnologia retrô nos dias de hoje”. O MDR-3R, que custa US$ 60 (R$ 330) e está nas lojas americanas, é inspirado no modelo que a Sony lançou junto com o Walkman original em 1979, mas o novo modelo foi modernizado com um conector USB-C, microfone embutido para chamadas de voz e um controle remoto integrado ao cabo.
Novo fone da Sony, o MDR-3 Sony/Divulgação
Os fones mantêm as mesmas unidades de driver de 23 milímetros de sua versão vintage para produzir qualidade de som semelhante, informou a empresa em um comunicado. A Sony, no entanto, fez “refinamentos sutis” para refletir melhor as preferências auditivas modernas.
A Sony também está lançando um modelo mais caro, de US$ 80 (R$ 440), em parceria com a série “Stranger Things”, da Netflix, que inclui embalagem personalizada, o nome da série gravado no aparelho e almofadas vermelhas e pretas. A versão padrão vem com almofadas azuis e laranjas.
A Netflix venderá a edição especial em parceria com a Sony e a Amazon., enquanto os fones de ouvido comuns podem ser adquiridos na Sony, na Amazon, na Best Buy e em outros varejistas. Os fones de ouvido com fio, liderados pelos nos EUA pelos EarPods da Apple, que custam US$ 19 (R$ 104), estão voltando a ganhar popularidade entre os consumidores que não querem se preocupar com recarga de baterias — ou que os mantêm à mão como um par reserva.
A conexão direta por fio também tende a tornar a voz das pessoas mais nítida em chamadas ou ao gravar vídeos no smartphone. A Bose lançou recentemente seus próprios fones de ouvido com fio, que têm esgotado frequentemente desde sua estreia.
O par da Bose, que custa US$ 99 (R$ 545), possui cancelamento ativo de ruído, mas, como o MDR-3R é uma aposta nostálgica em um produto lançado há 47 anos, não é surpresa que os fones de ouvido da Sony não tenham esse recurso. Em vez disso, a Sony está destacando um design leve que, segundo a empresa, é ideal para uso prolongado.
O Globo