Mesmo com a Black Friday, varejo brasileiro deve faturar R$ 296,8 bilhões em novembro, queda de 2,5% ante 2025

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O comércio brasileiro se prepara para uma das datas mais importantes do calendário de vendas, mas os números indicam que nem mesmo a Black Friday será suficiente para garantir um novembro melhor que o do ano passado. A expectativa é de que o varejo movimente R$ 296,8 bilhões em novembro de 2026, uma queda de 2,5% em relação ao mesmo mês de 2025.

A projeção é do IEMI – Inteligência de Mercado, que estima um faturamento inferior aos R$ 304,4 bilhões registrados em novembro do ano passado. A diferença chega a R$ 7,6 bilhões, mesmo com as campanhas promocionais que já começaram a disputar a atenção dos consumidores.

O levantamento considera o chamado varejo restrito, que reúne atividades como supermercados, lojas de roupas e calçados, farmácias, móveis e eletrodomésticos. O valor previsto corresponde ao mês inteiro, e não apenas às vendas da Black Friday, marcada para 27 de novembro.

A estimativa também considera valores nominais, sem descontar os efeitos da inflação. Portanto, a redução de 2,5% no faturamento não significa, necessariamente, que a quantidade de produtos comercializados cairá na mesma proporção.

A Black Friday transformou novembro em um período estratégico para o varejo. O movimento já não se concentra exclusivamente na última sexta-feira do mês, pois muitas empresas antecipam descontos e distribuem campanhas por várias semanas.

Ainda assim, o levantamento do IEMI indica que novembro deverá representar 8,7% do faturamento anual do varejo em 2026. Em 2025, essa participação foi de 9%, enquanto em 2024 chegou a 9,1%.

A redução mostra que o mês promocional deve perder espaço relativo nas receitas do setor, apesar de continuar movimentando centenas de bilhões de reais. Para o ano inteiro, a consultoria trabalha com uma previsão de R$ 3,43 trilhões em faturamento, crescimento nominal de 0,9% na comparação com 2025.

O contraste indica que a retração prevista para novembro não significa, por si só, queda no faturamento acumulado do ano. Os números se referem ao varejo restrito, classificação que não inclui segmentos como veículos, motocicletas e materiais de construção.

Essa delimitação é importante porque o desempenho desses mercados pode seguir trajetórias diferentes. Marcelo Prado, diretor do IEMI, avalia que a edição de 2026 da Black Friday ocorre em um ambiente de maior cautela por parte dos consumidores.

Para os comerciantes, a combinação exige atenção aos preços, às condições de pagamento e à forma como as ofertas são apresentadas. Na prática, o cenário coloca os varejistas diante de um consumidor que tende a pesquisar antes de gastar.

Um desconto anunciado na vitrine ou no aplicativo pode não ser suficiente para garantir a venda se o preço final, o frete ou o parcelamento não forem competitivos. O desafio também envolve o planejamento das campanhas.

Antecipar promoções pode ajudar a atrair clientes, mas exige cuidado para não comprometer as margens de lucro nem apenas transferir para o começo de novembro compras que ocorreriam no fim do mês. Em um ambiente de crédito caro, as condições de pagamento ganham importância.

Para o consumidor, um produto anunciado com desconto pode acabar custando mais quando os juros do parcelamento são considerados. Para os lojistas, oferecer condições atraentes também envolve custos.

O resultado depende do equilíbrio entre preço, volume de vendas, estoques e despesas necessárias para realizar cada operação. O estudo do IEMI não permite afirmar que todos os segmentos do comércio terão queda individualmente.

Trata-se de uma projeção para o faturamento conjunto do varejo restrito, e o desempenho efetivo poderá variar entre supermercados, vestuário, eletrodomésticos e outras atividades. O tamanho da movimentação esperada também mostra que novembro continua sendo relevante para empresas que dependem das vendas de fim de ano.

Mesmo diante de uma retração prevista, o mês permanece capaz de concentrar uma parcela expressiva das receitas anuais do comércio. Enquanto a projeção para o varejo restrito indica perda de faturamento em novembro, outro levantamento apresenta expectativas positivas para as vendas realizadas pela internet durante os principais dias promocionais.

Segundo estudo da Confi, elaborado por meio da plataforma Neotrust em parceria com o E-Commerce Brasil, o comércio eletrônico deve faturar R$ 13,3 bilhões entre 26 e 29 de novembro de 2026. O valor representa crescimento de 20,7% em comparação com os mesmos quatro dias de 2025, quando as vendas online movimentaram R$ 11,03 bilhões.

A pesquisa também estima a comercialização de 69,4 milhões de produtos nesse intervalo, avanço de 15,4% na comparação anual. Não existe, necessariamente, contradição entre as duas previsões.

O IEMI analisa o faturamento nominal do varejo restrito ao longo de todo o mês, enquanto a Neotrust concentra sua projeção no comércio eletrônico durante quatro dias, utilizando uma base própria de transações. O estudo da Neotrust também aponta que as campanhas antecipadas ganharam importância.

Em 2025, os quatro dias da Black Friday representaram apenas 23,5% do faturamento online de novembro, demonstrando que a maior parte das receitas digitais ocorreu fora desse intervalo. Para 2026, a expectativa é de que o dia 11 de novembro, conhecido como 11.11, movimente R$ 3,17 bilhões no comércio eletrônico, com crescimento de 21% em relação ao ano anterior.

A disputa por consumidores deve continuar ao longo das próximas semanas, com ofertas em lojas físicas, aplicativos e plataformas de comércio eletrônico. Para quem pretende comprar, o principal cuidado é distinguir uma redução real de preço de uma promoção apenas aparente.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, recomenda acompanhar o histórico de preços, verificar a reputação dos vendedores e conferir os custos de frete antes de finalizar qualquer pedido. O órgão também alerta para anúncios com descontos exagerados, sites desconhecidos e ofertas recebidas por mensagens que direcionam o comprador a páginas suspeitas.

Outra orientação é observar as condições do parcelamento. Dependendo da taxa de juros aplicada, a compra dividida em várias prestações pode eliminar a economia inicialmente prometida.

Nas compras realizadas pela internet, o Código de Defesa do Consumidor garante, em regra, o direito de desistir da contratação no prazo de sete dias a partir da assinatura ou do recebimento do produto, conforme a situação. A regra não se aplica automaticamente às compras realizadas presencialmente em lojas físicas.

A Black Friday de 2026 será realizada em 27 de novembro, mas as projeções ainda poderão ser revistas conforme o comportamento das vendas. O resultado efetivo do varejo só poderá ser conhecido depois do encerramento do mês.

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