247 – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, determinou o endurecimento do controle interno sobre o Departamento de Estado ao exigir de seus principais assessores o estrito cumprimento de suas atribuições e a prevenção rigorosa a conflitos de interesse, segundo revelou a agência Reuters nesta sexta-feira (7).
A diretriz foi transmitida em uma reunião realizada na semana passada com cerca de duas dezenas de secretários-assistentes, antecedendo as derrotas do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato realizadas em 3 de novembro. A movimentação na diplomacia norte-americana ocorre em um cenário marcado pelo desgaste de aliados do presidente Donald Trump e por acusações de favorecimento político que têm colocado a administração sob forte escrutínio público e institucional.
Reunião ministerial reforça combate a conflitos de interesse Durante o encontro com os principais assessores da pasta, Marco Rubio estabeleceu que condutas consideradas antiéticas acarretarão a demissão imediata do funcionário envolvido, independentemente de suas conexões políticas ou influência institucional, de acordo com relatos de quatro fontes familiarizadas com o teor das discussões que preferiram manter o anonimato.
O dirigente diplomático apontou que diversos oficiais vinham tomando decisões e promovendo agendas políticas sem a devida coordenação prévia, determinando que pautas relevantes passem a exigir a sua aprovação explícita ou a do vice-secretário de Estado, Christopher Landau. Os detalhes da reunião de cúpula não haviam sido divulgados publicamente até então, enquanto o Departamento de Estado optou por não se manifestar formalmente sobre o teor do encontro fechado.
A reunião ministerial sucedeu a saída de alto perfil da embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, Kimberly Guilfoyle, registrada em meados de outubro, após a veiculação de notícias apontando que ela teria comercializado acesso a autoridades da administração Trump em troca de recursos financeiros, presentes e vantagens pessoais.
Guilfoyle classificou as denúncias como falsas e manifestou publicamente em redes sociais a intenção de resguardar sua honra e reputação profissional. Pouco tempo depois da repercussão do caso, o próprio Rubio emitiu um memorando direcionado a todo o corpo diplomático exigindo cautela e vigilância redobrada contra potenciais conflitos de interesse, embora tenha negado posteriormente que a medida estivesse diretamente vinculada ao desligamento da embaixadora, alegando que o documento havia sofrido atrasos puramente burocráticos para sua publicação efetiva.
Saída de Jeremy Lewin e restrições a viagens internacionais Na sequência das diretrizes impostas pela liderança ministerial, o chefe de políticas do Departamento de Estado, Jeremy Lewin, deixou o cargo em decorrência de questionamentos internos sobre sua atuação fora da alçada oficial de suas funções, sem a devida coordenação com os demais setores da pasta, conforme apontaram três interlocutores a par do assunto.
Nenhuma das fontes ouvidas sugeriu que o desligamento de Lewin estivesse associado a episódios de irregularidade ética ou má conduta funcional. O ex-assessor, que ingressara no governo por indicação do Departamento de Eficiência Governamental liderado por Elon Musk e atuara na dissolução da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, negou veementemente ter sido demitido compulsoriamente de suas funções governamentais.
Em declaração pública e em manifestação enviada à Reuters, Jeremy Lewin afirmou que sua saída do governo havia sido planejada semanas antes do anúncio oficial e que pretendia retornar à iniciativa privada e organizar seu casamento após concluir projetos fundamentais. A decisão de Rubio de centralizar o comando também atingiu a mobilidade da equipe política, após constatações de viagens internacionais excessivas realizadas por auxiliares.
Como resposta administrativa, a cúpula da diplomacia estadunidense passou a exigir a aprovação prévia do gabinete de Rubio para todas as viagens de natureza política realizadas por funcionários da pasta. O endurecimento administrativo também evoca episódios recentes como a demissão, em outubro, do representante especial para Parcerias Globais, Paolo Zampolli, após divergências com o vice-secretário Christopher Landau a respeito de atuações fora de sua área de competência na diplomacia cultural.
Cenário político pós-eleitoral e investigações do Congresso O acirramento do controle sobre a diplomacia norte-americana desenrola-se em um momento de recomposição das forças políticas em Washington, impulsionado pela perda de controle do Congresso pelos republicanos nas eleições legislativas da última terça-feira (3).
A transição no Legislativo federal americano abre caminho para que o Partido Democrata assuma o comando das comissões parlamentares em janeiro, com a promessa de colocar sob rigorosa investigação as relações e negociações mantidas entre assessores do presidente Donald Trump e autoridades de governos estrangeiros.
A administração federal tem rechaçado de maneira sistemática todas as acusações de autopromoção ou desvio ético levantadas por opositores políticos e veículos de imprensa ao longo dos últimos meses. As movimentações internas lideradas por Marco Rubio também alimentam especulações nos bastidores políticos a respeito de suas eventuais pretensões na corrida presidencial de 2028, cujos debates preliminares ganharam forte impulso com manifestações públicas de figuras de prosta do Partido Republicano, como o vice-presidente JD Vance e o senador Ted Cruz.
Embora o chefe da diplomacia estadunidense tenha procurado minimizar os rumores a respeito de uma possível desincompatibilização precoce do governo federal para concorrer à Casa Branca, analistas avaliam que a forma como conduz a gestão do Departamento de Estado e a fiscalização de seus subordinados continuará a figurar como um elemento central de escrutínio público e político à medida que o cenário eleitoral avança.
Brasil 247