Ibovespa recua 0,51% em sessão de ajustes

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (27) em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, em uma sessão de ajustes após o recuo de quase 14% registrado na segunda-feira (26), quando o mercado financeiro reagiu à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A bolsa brasileira apresentou oscilações ao longo do dia, enquanto investidores reavaliaram posições após o resultado presidencial e acompanharam as sinalizações do governo federal sobre a política fiscal.

O volume negociado na B3 alcançou R$ 72,23 bilhões. A reação desfavorável de setores do mercado financeiro à eleição de governos progressistas decorre, principalmente, dos interesses econômicos dos investidores e das perspectivas de alteração na distribuição da renda e da riqueza.

Parte dos agentes financeiros demonstra resistência a políticas voltadas à ampliação dos investimentos sociais, à maior tributação dos segmentos de alta renda, ao aumento da remuneração dos trabalhadores e à participação mais ativa do Estado na economia. Essa postura reflete a percepção de que tais medidas podem afetar as margens de lucro das empresas, modificar a apropriação dos ganhos econômicos e limitar determinados mecanismos de concentração e acumulação de capital. 

Segundo a agência Reuters, o principal índice da bolsa paulista chegou a atingir 178.526,08 pontos na máxima da sessão, mas perdeu força e encerrou o dia em território negativo. Na mínima, marcou 175.130,23 pontos.

A movimentação ocorreu depois de as companhias negociadas na B3 perderem, conjuntamente, R$ 734 bilhões em valor de mercado na véspera, conforme levantamento da Elos Ayta. A queda de segunda-feira representou o maior recuo diário do Ibovespa desde 2020.

A reação do mercado ocorreu depois de a vitória de Lula contrariar as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e na adoção de uma política econômica mais direcionada ao ajuste das contas públicas. Operadores atribuíram parte das perdas ao encerramento de posições financeiras montadas com base na expectativa de vitória do candidato do PL.

Na avaliação desses agentes, o movimento não refletiu necessariamente uma deterioração dos fundamentos das companhias, mas também incorporou preocupações sobre a condução da política fiscal. Governo Lula prepara medidas fiscais após reação do mercado

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira que conversou com o presidente Lula sobre a necessidade de apresentar propostas capazes de esclarecer os próximos passos da política econômica. Segundo Durigan, o governo já possui medidas prontas para divulgação, incluindo uma iniciativa que permitiria buscar o centro da meta fiscal.

A declaração ocorre em meio às cobranças de agentes financeiros por informações sobre o controle das despesas públicas e o planejamento orçamentário do próximo mandato presidencial. A sinalização da equipe econômica integra os esforços para apresentar ao mercado uma perspectiva sobre a gestão das contas públicas após a eleição.

O resultado da bolsa nesta terça-feira também mostrou diferenças no desempenho das empresas, com parte das ações recuperando uma fração das perdas anteriores e outros papéis mantendo a trajetória de queda. As ações ordinárias da Vale terminaram o pregão com desvalorização de 2,14%, acompanhando a fraqueza dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China.

Na Bolsa de Mercadorias de Dalian, o contrato mais negociado encerrou a sessão diurna com recuo de 0,9%. Os investidores também acompanham a expectativa de divulgação do balanço da mineradora referente ao terceiro trimestre, prevista para quinta-feira (29), após o encerramento das negociações.

Os papéis preferenciais da Petrobras perderam 2,02%, em uma sessão marcada pela queda dos preços internacionais do petróleo. O barril do Brent recuou 1,8%, encerrando o dia cotado a US$ 113,88.

O movimento pressionou as ações da estatal e de outras empresas relacionadas ao setor de energia. O Goldman Sachs avalia que a Petrobras deverá manter os preços do diesel vendido às distribuidoras sem alterações até o fim de 2026.

A projeção considera a decisão do governo brasileiro de estender por mais 30 dias os subsídios destinados ao combustível, medida adotada em meio às pressões sobre os preços internacionais. O setor bancário voltou a registrar desempenho negativo, embora tenha apresentado oscilações menos intensas do que as observadas na sessão anterior.

O Banco do Brasil encerrou o dia com queda de 0,52%, depois de chegar a avançar 4,8% no melhor momento do pregão. Na segunda-feira, suas ações haviam acumulado desvalorização superior a 29%.

Entre as demais instituições financeiras, o Bradesco perdeu 1,38%, o Itaú Unibanco recuou 1,22% e o Santander Brasil registrou baixa de 1,63%. O Santander divulgará seus resultados trimestrais nesta quarta-feira (28), informação que também integrou as expectativas dos investidores.

Na direção contrária, as units do BTG Pactual avançaram 0,42%, encerrando a sessão entre as exceções do setor financeiro. O Citi revisou suas recomendações para ações bancárias após a reação do mercado às eleições presidenciais.

A instituição reduziu a recomendação do Banco do Brasil para venda e alterou a classificação do Bradesco para neutra. Itaú Unibanco e BTG Pactual permaneceram com recomendação de compra.

As ações da B3 avançaram 2,19%, em uma sessão de recuperação parcial depois da queda superior a 36,28% registrada na segunda-feira. Ao longo do pregão, os papéis da operadora da bolsa chegaram a subir 4,71%, mas perderam parte do impulso antes do fechamento.

Na sessão anterior, a B3 havia registrado desvalorização próxima de 50% no pior momento do dia, em meio à liquidação de posições no mercado acionário. Em Nova York, as ações da XP avançaram 1,62%, após terem recuado mais de 48% na segunda-feira.

O Citi reduziu para neutra suas recomendações tanto para a XP quanto para a B3, citando os efeitos de um ambiente de juros elevados e incertezas fiscais. Os analistas avaliam que essas condições podem limitar o interesse dos investidores por ativos de risco, reduzir a entrada de recursos e afetar operações no mercado de capitais.

“Embora a qualidade dos negócios permaneça sólida, vemos um ambiente operacional menos favorável.” A avaliação também considera a possibilidade de redução no volume de negociações e no número de ofertas de títulos e ações, atividades que influenciam os resultados das duas empresas.

Magazine Luiza sobe 8,49% após queda superior a 58% Entre os destaques positivos do Ibovespa, o Magazine Luiza registrou valorização de 8,49%, recuperando parte das perdas da sessão anterior.

Na segunda-feira, os papéis da varejista haviam recuado mais de 58%, acompanhando a reação do mercado ao resultado presidencial. O avanço desta terça-feira ocorreu em meio a ajustes nas posições dos investidores, depois da desvalorização registrada na véspera.

O comportamento das ações de empresas ligadas ao consumo também refletiu as expectativas sobre juros e atividade econômica, fatores que afetam o crédito e as vendas do setor varejista. Construtoras apresentam recuperação e recomendações divergem

As empresas do setor imobiliário registraram movimentos distintos no pregão. A Tenda encerrou o dia com valorização de 10,2%, enquanto a Direcional avançou 5,35%.

A Cury também apresentou desempenho positivo, com alta de 3,55%. Além dos ajustes após as perdas anteriores, essas companhias receberam recomendações do JPMorgan, que elevou suas classificações para overweight, indicando expectativa de desempenho superior ao mercado.

Na direção oposta, a MRV&Co perdeu 5,71%, enquanto a Cyrela recuou 3,16% e a Eztec, que não integra o Ibovespa, caiu 6,25%. O JPMorgan manteve recomendação neutra para a MRV&Co e reduziu para a mesma categoria as classificações de Cyrela e Eztec, anteriormente avaliadas como overweight.

As mudanças refletem avaliações diferentes sobre as perspectivas operacionais e financeiras das construtoras em um ambiente de juros elevados. Gerdau cai apesar de crescimento do lucro trimestral

As ações preferenciais da Gerdau encerraram a sessão em queda de 2,75%, acompanhando o desempenho negativo do setor siderúrgico. Os investidores também analisaram os resultados financeiros da companhia no terceiro trimestre de 2026.

A Gerdau registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,52 bilhão, crescimento de 39,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O vice-presidente financeiro da companhia, Rafael Japur, afirmou nesta terça-feira que a operação da América do Norte deverá apresentar redução nos volumes de vendas durante o quarto trimestre.

A projeção considera, ao mesmo tempo, a manutenção da margem de lucro operacional em relação ao trimestre anterior. A América do Norte representa a principal operação do grupo e exerce influência sobre as perspectivas de rentabilidade da companhia.

Braskem Fora da carteira do Ibovespa, as ações preferenciais classe A da Braskem registraram valorização de 16,35%, em um movimento de recuperação depois das perdas da segunda-feira.

A petroquímica também permanece sob atenção dos investidores em razão das negociações para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas. No sábado (24), a companhia informou que seus principais acionistas e investidores ainda não haviam aceitado nenhuma das propostas relacionadas ao plano de recuperação extrajudicial.

Segundo a empresa, as reuniões não resultaram em consenso sobre as condições da reestruturação financeira. A Braskem anunciou a prorrogação das negociações até 30 de outubro, mantendo as conversas com os envolvidos para buscar um acordo.

O avanço das ações ocorreu apesar da ausência de definição sobre os termos do plano, em uma sessão marcada por ajustes de preços após as perdas anteriores.

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