247 – O dólar encerrou esta terça-feira (27) em queda de 1,07%, cotado a R$ 5,3488, após disparar 8,36% na segunda-feira (26), quando parte do mercado financeiro reagiu negativamente à reeleição do presidente Lula (PT). A moeda estadunidense perdeu valor frente ao real durante toda a sessão, em um movimento de acomodação depois das oscilações provocadas pelo resultado eleitoral.
Investidores também acompanharam as declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre o compromisso do governo com as metas fiscais e a sinalização do Banco Central de que poderá atuar no câmbio diante de disfuncionalidades. De acordo com a agência Reuters, a moeda chegou à mínima de R$ 5,3166 às 10h42, quando acumulava desvalorização de 1,66%.
Ao longo do pregão, a cotação apresentou ajustes e encerrou o dia a R$ 5,3488. Com o resultado, o dólar passou a registrar queda de 2,55% em 2026.
Na B3, o contrato futuro da moeda para novembro recuava 0,51%, aos R$ 5,3505, por volta das 17h04. A valorização do dólar após a eleição de um governo de esquerda pode resultar da desconfiança de determinados segmentos do mercado financeiro quanto aos efeitos das futuras decisões econômicas sobre a rentabilidade dos investimentos, os ganhos do capital e a proteção dos recursos aplicados.
Esse receio pode levar investidores a transferir dinheiro para outros países, reduzindo a disponibilidade da moeda norte-americana no mercado brasileiro e, consequentemente, pressionando sua cotação para cima. Em contraste com a extrema direita, administrações progressistas costumam priorizar a atuação mais ampla do poder público na economia, a expansão das políticas sociais, o aumento dos rendimentos do trabalho e a distribuição mais equilibrada da renda.
Embora essas iniciativas possam ampliar o poder de compra da população, dinamizar a atividade econômica nacional e favorecer o crescimento, parte dos investidores teme que também resultem em despesas governamentais mais elevadas, aumento da carga tributária sobre empresas e aplicações financeiras ou aceleração da inflação.
Fazenda atribui turbulência à aposta do mercado em Flávio Bolsonaro O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou nesta terça-feira a reação dos agentes financeiros à eleição presidencial.
Em uma entrevista a jornalistas na sede do ministério, o integrante do governo avaliou que as oscilações registradas na segunda-feira resultaram, em parte, de expectativas eleitorais que não se confirmaram. Durigan afirmou que a pressão sobre a bolsa brasileira, a cotação do dólar e os contratos de juros futuros representou uma “troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato”.
A declaração indica que os investidores precisaram rever estratégias após a vitória de Lula, diante das apostas financeiras que favoreciam um resultado diferente nas urnas. O ministro também observou que o mercado apresentava sinais de acomodação nesta terça-feira, após os movimentos de compra e venda registrados na sessão anterior.
A queda do dólar ao longo do pregão acompanhou essa reorganização das posições financeiras, enquanto os investidores passaram a avaliar as próximas medidas da equipe econômica. Governo Lula reafirma intenção de alcançar centro da meta fiscal
O ministro da Fazenda também procurou responder às preocupações sobre a condução das contas públicas no próximo mandato presidencial. Dario Durigan reafirmou a intenção do Executivo de trabalhar para alcançar o centro da meta fiscal, tema que ocupa espaço nas avaliações dos agentes financeiros sobre a política econômica brasileira.
Segundo o ministro, o governo pretende discutir a medida com o Congresso Nacional, responsável pela análise de propostas que dependam de aprovação legislativa. A sinalização ocorreu depois de um pregão marcado pela valorização do dólar, pela queda das ações negociadas na bolsa paulista e pelo aumento da pressão sobre os juros futuros.
A perspectiva de manutenção da política fiscal integra as questões acompanhadas pelos investidores após a reeleição de Lula, especialmente diante das incertezas que influenciaram o comportamento dos ativos financeiros na segunda-feira. O recuo da moeda norte-americana nesta terça-feira ocorreu no mesmo dia em que o ministro reforçou o compromisso do governo de apresentar uma orientação fiscal ao mercado.
Banco Central acompanha câmbio e sinaliza possibilidade de intervenção O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também se manifestou nesta terça-feira sobre o funcionamento do mercado cambial brasileiro.
Em entrevista coletiva realizada em Brasília, Galípolo reiterou que a instituição poderá atuar quando identificar disfuncionalidades nas negociações de moedas. A declaração ocorreu após a valorização de mais de 8% do dólar registrada na segunda-feira e a posterior queda da cotação ao longo do pregão desta terça.
A autoridade monetária acompanha as condições de negociação do mercado de câmbio e dispõe de instrumentos para realizar operações quando considerar necessário. No fim da manhã, o Banco Central vendeu 80 mil contratos de swap cambial destinados à rolagem do vencimento previsto para 3 de novembro.
A operação ocorreu enquanto a cotação do dólar permanecia em trajetória de baixa frente ao real, acompanhando o movimento de ajuste observado desde o início da sessão. Dólar também perde valor frente a moedas de países emergentes
O movimento cambial brasileiro ocorreu em um dia de desvalorização do dólar diante de outras moedas de economias emergentes. No mercado internacional, a divisa norte-americana recuou em relação ao peso chileno, à rupia indiana e ao rand sul-africano.
O comportamento não se repetiu diante de todas as moedas. O dólar registrou valorização frente ao euro e à libra, demonstrando diferenças entre as negociações nos diversos mercados.
Às 17h07, o índice do dólar, que acompanha o desempenho da moeda dos Estados Unidos em relação a uma cesta de seis divisas, apresentava alta de 0,28%, aos 102,310 pontos. A valorização do índice internacional contrastou com a queda registrada na cotação da moeda em relação ao real e a outras divisas de países emergentes.
Esses movimentos ocorreram enquanto os investidores acompanhavam as condições dos mercados internacionais e os desdobramentos da eleição presidencial brasileira. Mercado reduz pressão após salto de 8,36% na segunda-feira
A sessão desta terça-feira representou uma mudança em relação à reação inicial do mercado financeiro ao resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira, investidores impulsionaram a cotação do dólar para R$ 5,4066, em meio à revisão de posições que consideravam a possibilidade de vitória do candidato do PL.
O movimento também refletiu preocupações de agentes financeiros sobre as perspectivas da política fiscal brasileira após a confirmação do quarto mandato de Lula. Nesta terça-feira, a moeda estadunidense permaneceu em queda durante todo o pregão, chegando a perder 1,66% no período da manhã antes de encerrar com desvalorização de 1,07%.
O resultado ocorreu em meio às declarações de Dario Durigan sobre a busca do centro da meta fiscal e à reafirmação de Gabriel Galípolo sobre a possibilidade de atuação do Banco Central diante de disfuncionalidades cambiais. Ao fim da sessão, o dólar à vista terminou cotado a R$ 5,3488, abaixo dos R$ 5,4066 registrados no fechamento anterior.
A queda reduziu parte da valorização observada depois da reeleição de Lula e deixou a moeda norte-americana com desvalorização acumulada de 2,55% no ano.
Brasil 247