Uma falha elétrica de grandes proporções interrompeu compras e serviços bancários, expondo a vulnerabilidade de pagamentos cotidianos. Cartões deixaram de passar, caixas eletrônicos ficaram indisponíveis e famílias precisaram recorrer às cédulas que já tinham consigo.
Em 28 de abril de 2025, um apagão na Península Ibérica afetou mais de 50 milhões de pessoas e mostrou como a falta de energia pode interromper até as compras mais simples. No início da tarde de 28 de abril, a rede elétrica da península perdeu sincronismo e se separou do sistema europeu.
O apagão na Península Ibérica atingiu sobretudo Portugal continental e Espanha peninsular, com efeitos sobre transportes, telecomunicações e comércio. Em parte do território a energia voltou ainda naquela noite, mas algumas regiões aguardaram aproximadamente 22 horas pelo restabelecimento.
A extensão territorial da falha fez com que serviços dependentes de conectividade parassem mesmo quando famílias precisavam comprar itens básicos. Maquininhas de pagamento precisam de energia e, em muitos casos, de conexão para autorizar transações.
Sem eletricidade e telecomunicações, estabelecimentos perderam acesso aos sistemas, enquanto carteiras digitais e transferências entre pessoas também enfrentaram interrupções. Os caixas eletrônicos passaram pelo mesmo problema: muitos ficaram desligados ou sem comunicação, impedindo saques.
Já as cédulas e moedas não dependem de rede para trocar de mãos, desde que o comércio consiga manter o atendimento. Dados reunidos pelo Banco Central Europeu mostram queda estimada de 41% a 42% nos gastos presenciais com cartão nas áreas afetadas, em comparação com referências de normalidade ou regiões não atingidas.
As compras on-line na Espanha recuaram cerca de 54%, e o consumo total estimado caiu 34% naquele dia. São medidas de atividade econômica, não a proporção de cartões bloqueados ou de pessoas que ficaram sem dinheiro.
Os impactos apareceram em diferentes etapas da compra: Para quem já possuía dinheiro em espécie, comprar alimentos e medicamentos continuou possível em estabelecimentos que permaneciam abertos e conseguiam atender.
Ter saldo bancário não bastava se o cliente não conseguia transformar esse valor em uma forma de pagamento aceita naquele momento. Uma pesquisa de 2024 citada pelo BCE indicou que 39% dos espanhóis mantinham dinheiro em casa como precaução.
Esse percentual não mede quantas famílias efetivamente pagaram compras durante o apagão, mas ajuda a dimensionar a existência de reservas domésticas. Durante a falta de energia, os saques caíram nas regiões afetadas porque muitos caixas não funcionavam.
Em áreas espanholas que não sofreram a interrupção, a demanda por dinheiro aumentou, sinalizando uma reação preventiva diante da incerteza. Quando o serviço foi restabelecido, as retiradas cresceram acima do habitual nas localidades atingidas.
A análise de cerca de 4.500 caixas eletrônicos sugere tanto reposição do dinheiro utilizado quanto formação de novas reservas, sem confundir essa reação com uma corrida bancária. O funcionamento durante a falha variou entre meios de pagamento:
O apagão mostrou a utilidade de manter uma pequena reserva de cédulas para situações excepcionais. Autoridades de alguns países europeus recomendam valores suficientes para despesas essenciais por cerca de 72 horas, mas isso não representa uma regra universal nem uma obrigação para famílias brasileiras.
Dinheiro físico também tem limites: lojas podem fechar e faltar troco, além de existir risco de perda ou furto. Sua vantagem é funcionar como alternativa quando outros meios falham, não substituir a conta bancária nem o planejamento para emergências.
O Antogonista