O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 3,4% em 2024 e somou R$ 11,7 trilhões, confirmou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, nos dados anuais definitivos do Sistema de Contas Nacionais. A divulgação ocorreu na sexta-feira, 6 de novembro, na revisão das Contas Nacionais ainda em transição da base 2010 para a base 2021.
O avanço veio com a agropecuária em queda de 3,7%, a única das 12 atividades a recuar no ano. Os serviços cresceram 3,8% e a indústria avançou 3,1%.
Os dois setores respondem por mais de 93% do valor adicionado bruto do país. Onze dos 12 grupos de atividades ficaram estáveis ou cresceram em 2024.
O valor adicionado bruto subiu 3,1% no ano. Os serviços contribuíram com 2,6 pontos porcentuais e a indústria, com 0,8 ponto.
Cada ponto porcentual mede o peso do setor no avanço total, não o ritmo do próprio setor. A diferença entre crescer 3,8% e contribuir com 2,6 pontos está no tamanho de cada atividade dentro da economia.
A agropecuária entrou na conta com 0,3 ponto porcentual negativo. O valor adicionado dos serviços cresceu em todas as atividades, e informação e comunicação registrou a maior alta, de 6,1%.
Os serviços reúnem comércio, transporte, informação, atividades financeiras e serviços prestados às empresas. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 5,1%.
O consumo do governo subiu 2,0% e o consumo final somou 4,4%. O consumo das famílias é o componente que responde mais rápido ao emprego e à renda.
A formação bruta de capital fixo, que mede o investimento, avançou 6,9% e recuperou a queda de 3,0% do ano anterior. A taxa de investimento terminou 2024 em 16,9% do PIB, menos de um quinto do que o país produziu.
O PIB per capita ficou em R$ 55.410,12, resultado da divisão do total pela população. Essa média não informa como a renda se distribui entre os brasileiros.
O Sistema de Contas Nacionais reúne produção, consumo, investimento e trocas com o exterior num mesmo quadro. A série revisada permite comparar 2024 com os anos anteriores sob a mesma metodologia.
O crescimento descrito pelo IBGE tem endereço. Serviços e indústria concentram o emprego urbano, o comércio de rua, o transporte e a folha de pagamento que sustenta o consumo das famílias.
A queda da agropecuária não derrubou o resultado porque o setor responde por menos de um décimo do valor adicionado bruto. A ideia de que o Brasil para quando a colheita decepciona não aparece nos números do ano.
A lavoura recuou e o produto interno subiu, sustentado pelo consumo e pelo investimento. A composição do crescimento importa para a política econômica, porque serviços e indústria reagem a juros, crédito e câmbio de forma diferente da lavoura.
Um país que cresce pelos serviços depende de crédito, de renda e de consumo interno. O tamanho do PIB também define a base sobre a qual se mede a dívida pública.
Um produto maior tende a reduzir o peso relativo dessa dívida. O IBGE suspendeu temporariamente a divulgação detalhada do PIB anual.
Em nota, o instituto informou que a transição para a nova base 2021 permitiu manter apenas estimativas agregadas. O detalhamento por atividade, região e componente do gasto fica para quando a nova base estiver concluída.
Esse é o limite do número divulgado. O total de 3,4% é fechado, mas a composição fina do crescimento segue fora do alcance do público.
O investimento oferece o segundo limite. A alta de 6,9% devolveu o terreno perdido em 2023, sem mudar a proporção do PIB destinada a máquinas, obras e equipamentos.
Para quem trabalha no comércio, no transporte ou no atendimento, o resultado de 2024 descreve o próprio local de trabalho. A agropecuária não comanda o resultado do país, embora siga decisiva para as exportações e para o preço dos alimentos.
O que ficou registrado em 2024 é que a economia brasileira cresce quando serviços e indústria andam, mesmo com a lavoura em queda de 3,7%. O detalhamento que explicaria cada pedaço desse avanço continua suspenso pelo IBGE.
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