Caso Ueno Bank: 3,6 bilhões de guaranis no centro da acusação contra Peña

Caso Ueno Bank: 3,6 bilhões de guaranis no centro da acusação contra Peña - Foto
Fonte da notícia: Mixvale Mixvale

O Ministério Público do Paraguai imputou neste sábado (7) o ex-presidente Santiago Peña e o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, e pediu a prisão preventiva dos dois, em Assunção. O pedido ainda será analisado por um tribunal criminal de primeira instância, e não há decisão judicial até o momento.

As acusações fazem parte do caso Ueno Bank, banco digital paraguaio que entrou em colapso e deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. A investigação, na causa penal 92/2026, examina a colocação de fundos públicos e previdenciários no banco e a supervisão exercida pelo Banco Central.

Segundo o Ministério Público, Peña foi imputado por suposta lesão de confiança, na qualidade de instigador, e por administração em proveito próprio, na qualidade de autor. Peña nega as acusações.

Carvallo responde pela suposta lesão de confiança, pela produção de documentos públicos com conteúdo falso e pela administração em proveito próprio, como suposto autor. Saiba mais: Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai, tem ordem de prisão expedida em Assunção no caso Ueno Bank

Em conferência de imprensa, a fiscal Nancy Salomón disse que “os fatos puníveis” são “lesão de confiança e administração em proveito próprio”, em tradução livre do espanhol. O fiscal Christian Benítez é o responsável pela investigação.

Os promotores também pediram a inibição geral de bens dos imputados e a identificação de contas bancárias, investimentos e imóveis. Os valores abaixo são os informados pela Fiscalía e pela investigação.

Nenhum deles foi comprovado em juízo. Veja também: Ueno Bank afeta 3 milhões de clientes e leva Santiago Peña à prisão domiciliar

Peña nega as acusações, e a investigação segue em andamento. O Senado paraguaio destituiu Peña em processo de juízo político ligado à crise do Ueno Bank, em votação unânime realizada em 6 de novembro de 2026.

No mesmo dia, foi decretada a ordem de detenção de Peña e de Carvallo. As fontes divergem sobre o local da detenção: uma diz que a ordem inicial previa prisão domiciliar até ele ficar à disposição do Ministério Público, e outra afirma que ele foi levado a uma base militar na noite da sexta-feira.

A apuração não permite confirmar qual versão está correta. Uma das versões apuradas diz que Peña renunciou à Presidência um dia antes da votação.

As demais fontes informam a destituição pelo Senado e não mencionam renúncia. Pedro Alliana, que era vice-presidente, assumiu o governo como novo presidente do Paraguai.

Peña compareceu à Fiscalía neste sábado para prestar declaração, entrando por uma porta lateral. O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank depois que a entidade registrou solvência abaixo dos mínimos exigidos, e a liquidação foi anunciada na quarta-feira (4).

Em setembro de 2026, os recursos públicos depositados no banco somavam cerca de 3,6 bilhões de guaranis. A Nación321, agência citada na apuração, informou que cerca de 3 milhões de clientes têm o acesso aos recursos congelado.

Uma das versões apuradas informa que o Banco Central do Paraguai disse que 1,2 milhão de clientes já receberam reembolso parcial ou integral dos depósitos protegidos pelo sistema de garantia bancária. Esse dado não foi localizado nas demais fontes consultadas.

As autoridades trabalham para indenizar os demais correntistas, conforme os limites da legislação paraguaia. Não se sabe o valor total exato das perdas dos clientes nem o calendário de indenizações.

Publicação Original Mixvale mixvale.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →