Os indicadores de inflação serão o principal destaque da agenda econômica dos Estados Unidos na próxima semana, que também terá a divulgação de novos dados sobre o mercado imobiliário, o emprego e os resultados financeiros de grandes empresas. As divulgações ocorrem uma semana depois das eleições legislativas de meio de mandato, nas quais os democratas conquistaram o controle das duas casas do Congresso americano.
O resultado eleitoral veio em meio à persistência dos preços elevados de produtos como combustíveis e alimentos, que continuam pressionando o orçamento das famílias e os custos das empresas. A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro, reduziu a oferta global de petróleo e intensificou as pressões inflacionárias, que já estavam elevadas em meio à política tarifária do presidente Donald Trump e às disputas comerciais com outros países.
Nesse cenário, economistas, investidores e autoridades econômicas acompanham os indicadores para avaliar os efeitos da guerra e das tarifas sobre os preços, o mercado imobiliário e o emprego. A seguir, os principais dados e resultados previstos para a próxima semana.
A alta dos preços permanece entre os principais desafios da economia americana, e a expectativa é que os próximos indicadores mostrem uma continuidade desse cenário. Na terça-feira, os Estados Unidos divulgarão o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de outubro.
A previsão dos economistas é que a inflação tenha acelerado de 3,7% em setembro para 3,9% em outubro. O indicador acompanha a variação dos preços de uma ampla cesta de produtos e serviços.
Desde março, a inflação medida pelo CPI permanece acima de 3%, refletindo, entre outros fatores, os efeitos da guerra com o Irã, iniciada no mês anterior. O conflito provocou uma forte alta dos preços da energia, com impactos sobre a gasolina e os custos de transporte.
Na sexta-feira, será divulgado o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) de outubro, que mede a variação dos preços em etapas anteriores ao consumo final e ajuda a identificar pressões inflacionárias que podem chegar às famílias. Em setembro, o indicador registrou a maior alta desde dezembro de 2022.
Os números mostraram que o encarecimento dos combustíveis, especialmente do diesel, continuou elevando os custos de transporte e armazenamento. Os preços internacionais do petróleo, no entanto, recuaram fortemente na última semana, após as eleições legislativas americanas.
Parte do mercado aposta que a vitória expressiva dos democratas sobre o Partido Republicano, de Trump, aumentará a pressão pelo fim do conflito com o Irã, responsável por impulsionar os preços da energia. O mercado imobiliário americano continua pressionado pelos preços elevados dos imóveis e pelas altas taxas de juros, fatores que dificultam a compra da casa própria.
As vendas permanecem estagnadas, e a expectativa é que os números de outubro confirmem essa tendência. Na quinta-feira, a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês) divulgará os dados de vendas de imóveis usados.
Economistas projetam um resultado praticamente estável em relação a setembro. Desde 2023, as vendas têm oscilado em torno de um ritmo anualizado de 4 milhões de unidades, bem abaixo da média histórica, próxima de 5,2 milhões.
Os preços dos imóveis, por sua vez, acumulam 39 meses consecutivos de alta na comparação anual. Ao mesmo tempo, a taxa média dos financiamentos imobiliários de 30 anos, modalidade de referência nos Estados Unidos, permanece próxima do maior patamar em quase três anos.
A perspectiva é que os juros imobiliários continuem elevados, enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) avalia a possibilidade de aumentar novamente sua taxa básica de juros na reunião de dezembro, em uma tentativa de conter a inflação persistente. Os Estados Unidos divulgarão, na quinta-feira, os dados semanais de pedidos de seguro-desemprego, indicador acompanhado de perto por economistas por ajudar a identificar mudanças no ritmo de demissões.
O levantamento mais recente mostrou que os pedidos permanecem em níveis historicamente baixos, sinalizando que as empresas ainda têm evitado cortes expressivos de pessoal. O mercado de trabalho americano continua relativamente resistente.
Em outubro, os empregadores criaram 165 mil vagas, embora alguns indicadores apontem sinais de enfraquecimento. Um dos principais problemas está na evolução dos salários, cujo crescimento não tem acompanhado o ritmo da inflação.
Com isso, a alta dos preços reduz o poder de compra das famílias. Além disso, embora as demissões permaneçam relativamente controladas, os trabalhadores que perdem seus empregos enfrentam dificuldades crescentes para conseguir uma nova colocação.
A próxima semana também terá a divulgação de resultados trimestrais de empresas de tecnologia e entretenimento, que poderão oferecer novas informações sobre os investimentos em inteligência artificial (IA), a expansão dos centros de dados e as mudanças na indústria de Hollywood. Na terça-feira, a CoreWeave apresentará seus resultados após uma semana de fortes perdas para empresas ligadas à inteligência artificial.
A companhia, especializada em infraestrutura de centros de dados, é considerada por parte dos investidores mais vulnerável ao aumento dos custos de financiamento. As ações da empresa acumularam queda de aproximadamente 20% na última semana.
Também estão previstos para quinta-feira os balanços da Cisco e da Applied Materials, duas companhias relevantes para a indústria de tecnologia. No setor de entretenimento, a Skydance divulgará seus resultados na segunda-feira.
Será a primeira apresentação de números desde a conclusão, por seus estúdios Paramount, da aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 81 bilhões, operação que deu origem a um novo gigante da indústria de Hollywood.
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