Hugo Boss corta projeções para 2026 diante de demanda fraca no varejo de luxo e queda no lucro

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Fonte da notícia: Valor Valor

A Hugo Boss revisou para baixo suas metas financeiras para o ano, alertando que a demanda global de consumo deve permanecer deprimida ao longo do quarto trimestre de 2026, intervalo que engloba as vendas cruciais para a temporada de compras de Natal. O anúncio reflete um terceiro trimestre marcado por desaceleração no faturamento em meio à elevada volatilidade econômica e geopolítica, adicionando pressão ao setor de bens de luxo, que já enfrenta um período prolongado de retração nas vendas, agravado pela recuperação mais lenta do que a prevista no mercado chinês.

Pelas novas estimativas divulgadas nesta terça-feira, as receitas ajustadas por variações cambiais devem registrar uma queda na faixa alta de um dígito, deteriorando a previsão anterior que apontava para um recuo entre a faixa média e alta de um dígito. A projeção para o lucro antes de juros e impostos em 2026 foi reduzida para o intervalo entre 250 milhões e 300 milhões de euros, contra a expectativa precedente de 300 milhões a 350 milhões de euros.

No balanço do terceiro trimestre, o lucro líquido da grife alemã de moda premium caiu para 48 milhões de euros, frente aos 59 milhões de euros registrados em igual período do ano anterior. As vendas líquidas encolheram 4% na comparação anual, totalizando 946 milhões de euros.

Em teleconferência com analistas e investidores, o diretor-presidente da Hugo Boss, Daniel Grieder, enfatizou que o setor continua confrontando um contexto amplamente desafiador e que o fluxo de consumidores em lojas físicas na França e na Alemanha foi penalizado recentemente por protestos e manifestações públicas.

O executivo destacou que a administração permanece concentrada na execução de sua própria estratégia, ponderando que os benefícios dessas iniciativas demandarão tempo para se materializar integralmente nas métricas financeiras. O CEO apontou que o maior potencial de expansão para a marca reside no continente americano, citando resultados positivos observados nos Estados Unidos, com tração destacada nas redes de lojas de departamento.

Sobre o mercado chinês, o executivo afirmou manter a convicção de que o crescimento “retornará mais cedo ou mais tarde”. A revisão pessimista nas projeções da fabricante alemã também acendeu alertas sobre a varejista britânica Frasers Group, sua acionista controladora.

Em relatório, os analistas Manjari Dhar e Richard Chamberlain, do RBC Capital Markets, classificaram o corte no “guidance” como uma leitura negativa para a Frasers, diante da combinação de despesas elevadas e fraqueza na demanda em praças relevantes. Embora a equipe do banco britânico projete uma retomada de fôlego para a Hugo Boss a partir de 2027, ressaltou que a visibilidade sobre essa recuperação permanece baixa no curto prazo em função das incertezas geopolíticas.

Durante a teleconferência, a diretoria da grife alemã buscou reforçar a solidez da governança com sua controladora britânica, definindo a Frasers como uma acionista de longo prazo relevante, que compreende a fundo o segmento de varejo premium e mantém uma atuação construtiva sobre o direcionamento dos negócios da marca.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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