Um homem de 43 anos foi formalmente acusado de atacar a deputada Helen Haines, de 65 anos, atropelada por um carro em frente ao escritório parlamentar, em Wangaratta, no estado de Victoria, na Austrália. A Polícia de Victoria afirmou que sustentará a tese de que a parlamentar foi alvo deliberado do atropelamento ocorrido na segunda-feira. O suspeito, identificado como Brendan Nugent, de 43 anos, está preso. Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp O homem responderá por três acusações: direção perigosa com lesões graves, causar intencionalmente ferimentos graves e causar danos a uma autoridade pública federal, conforme a legislação australiana da Commonwealth. A formalização das acusações, porém, não equivale a uma condenação. A motivação ainda não foi esclarecida. Helen Haines Reprodução/Instagram Prefeita classifica episódio como tentativa de assassinato A prefeita de Wangaratta, Irene Grant, classificou o episódio como uma “tentativa de assassinato” em entrevista à BBC. Para ela, o caso pode provocar mudanças na sociedade australiana e reflete um ambiente político e público cada vez mais tenso. — O discurso na vida pública mudou. Tornou-se muito mais tenso — afirmou Grant.
Segundo a prefeita, os australianos acreditavam estar “imunes” a episódios de violência como o ocorrido, mas essa percepção foi abalada.
— Não estamos — acrescentou. Grant descreveu Haines como uma parlamentar “acolhedora”, “alegre” e “dedicada”, que concentrava sua atuação em temas como direitos ambientais e dos povos indígenas. Pai de suspeito diz que deputada era amiga da família Nesta terça-feira, o pai do suspeito afirmou que a parlamentar era próxima da família havia mais de 20 anos. Rod Nugent descreveu o episódio como "devastador e incompreensível", segundo a BBC. O homem também relatou que sua família e a companheira mantinham uma relação de amizade com Haines. O ministro dos Assuntos Internos do país, Tony Burke, afirmou, ainda, que o motorista teria feito manobras para atingir Haines novamente após o primeiro atropelamento.
Haines permanece em estado crítico, mas estável. Relatos divulgados pela imprensa australiana indicam que ela precisou amputar uma perna após ser atingida pelo veículo. O suspeito foi descrito pela BBC como ativista ambiental na região. Segundo Tony Burke, o motorista teria feito um retorno para atingir Haines e, em seguida, dado marcha à ré para atropelá-la novamente. O relato reforça a hipótese de que o episódio possa ter sido deliberado, embora a investigação ainda não tenha estabelecido judicialmente a intenção do suspeito. O barbeiro local Ricky Jefferies afirmou que retirou o homem de dentro do carro e jogou fora a faca que ele carregava. Segundo Jefferies, outra pessoa se posicionou diante do veículo durante a ocorrência.
A arma branca foi apreendida pela polícia. Ainda não foi esclarecido se o objeto tem relação com o caso. O atropelamento Segundo a polícia de Victoria, Haines foi atingida pelo carro por volta das 15h35, no horário local, nas proximidades de seu escritório na Murphy Street. A parlamentar estaria em um estacionamento quando foi atropelada.
Haines foi transportada de helicóptero de Wangaratta para o Hospital Alfred, em Melbourne. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, também ressaltou a gravidade dos ferimentos, mas manifestou esperança de que houvesse notícias positivas sobre sua recuperação. — Não foi um acidente. Ao que tudo indica, houve um ato deliberado — disse ele em entrevista ao programa 7.30, da ABC. — Não sabemos qual foi a motivação. Certamente esperamos boas notícias sobre o estado de Helen nas próximas 24 horas. Em entrevista coletiva em Sydney, o premeir anunciou que a Força-Tarefa Conjunta de Contraterrorismo havia sido acionada e trabalhava em conjunto com a polícia local e os serviços de inteligência australianos. Segundo Albanese, os investigadores examinariam o histórico do suspeito para tentar identificar uma possível motivação.
A família da parlamentar divulgou um comunicado confirmando que ela recebia atendimento médico e agradecendo às pessoas que prestaram socorro, aos profissionais de saúde e à polícia. Os familiares e funcionários de seu gabinete pediram respeito à privacidade e informaram que não fariam novos comentários sobre o episódio. A deputada representa o distrito eleitoral de Indi desde 2019. Ela foi eleita para a Câmara dos Representantes naquele ano e conquistou novos mandatos em 2022 e 2025.
Antes de ingressar na política, trabalhou como enfermeira, parteira e pesquisadora de saúde pública, com diversos artigos científicos publicados sobre saúde materna. (Com The New York Times)
O Globo