Felca, de 27 anos, voltou às redes sociais na madrugada desta terça-feira (20) e revelou ter sido diagnosticado com fobia social. Após sete meses afastado da internet, o youtuber publicou um vídeo marcado por relatos dolorosos, o influenciador apresentou seu laudo médico e abriu o coração sobre as consequências de oito anos de bullying durante a adolescência.
Ao revisitar episódios de violência física e humilhações que sofreu no ambiente escolar, ele contou como essas experiências deixaram marcas profundas em sua saúde mental e continuaram afetando sua vida adulta, mesmo após conquistar reconhecimento na internet. "Eu tenho fobia social. Esse é o meu laudo. Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz. Eu não sei se eu vou postar ainda, mas, se você está vendo, eu postei", declarou no início da gravação. Felca contou que começou a sofrer bullying aos 12 anos. Segundo ele, as ofensas verbais se transformaram em agressões físicas e o ambiente escolar passou a ser marcado pelo medo. "Eu lembro de um dia, por mais que meus agressores provavelmente não lembrem, que eu estava no banheiro e cinco meninos maiores e mais fortes do que eu me bateram. Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem", relatou. O influenciador contou que, após a agressão, permaneceu trancado em uma cabine do banheiro da escola, chorando. Ele também revelou que, entre os 14 e os 18 anos, enfrentou um período de sofrimento intenso, com pensamentos relacionados ao desejo de que a dor acabasse. "Dos 14 aos 18, eu sobrevivi. Eu me mantive vivo, e isso foi tudo." Ao recordar aquela fase, Felca explicou que a violência sofrida influenciou até mesmo suas decisões sobre o futuro. Depois de concluir o colégio, ele disse aos pais que não conseguiria frequentar uma faculdade por medo de voltar a conviver em uma sala de aula. "Quando eu terminei o colégio, eu tinha apanhado tanto, por tanto tempo, foram oito anos, que eu disse para os meus pais: 'Eu vou fazer vídeo, o que seja, mas eu não vou conseguir enfrentar uma faculdade. Eu não consigo enfrentar mais uma sala de aula'", contou. O criador de conteúdo também relembrou situações de exclusão que marcaram sua adolescência. Em uma delas, uma colega por quem era apaixonado teria impedido outra estudante de ajudá-lo a pegar um estojo que havia caído no chão. Segundo ele, a menina justificou a atitude dizendo que ele era "nojento". "Aquilo não foi tão absurdo, não foi como apanhar no banheiro. Foi um dia. Só isso. Mas ele foi importante para mim e me marcou porque eu tive uma realização", explicou. Em outro episódio, o influenciador relatou que a mesma colega passou uma aula inteira fazendo carinho em suas costas. Na ocasião, ele acreditou que finalmente estava sendo aceito pelos colegas. No entanto, descobriu que ela e outras estudantes haviam colado adesivos em sua roupa para uma brincadeira humilhante. "Eu sentia muita vergonha e muito medo por não estar conseguindo sair dos braços deles. Eu me debatia, mas eu não conseguia sair. Eles eram muito mais fortes do que eu", relatou. Depois do episódio, ele voltou ao banheiro e passou parte do período escolar retirando os adesivos de suas costas. "O que mais me doía era o meu pensamento de que devia existir algum tipo de respeito, ou consideração, ou carinho dessas pessoas, mas nunca existiu. Eu estou sozinho, e é isso", desabafou. Felca também revelou que demorou para reconhecer que era vítima de bullying. Durante anos, tentou minimizar as agressões e acreditou que poderia estar exagerando. A percepção mudou quando um colega lhe mostrou uma lista elaborada por estudantes com os nomes das pessoas mais ridicularizadas da escola. O nome dele aparecia em primeiro lugar. "Nunca foi brincadeira. Nunca foi amizade ou frescura. Eu sou a pessoa que mais sofre bullying no colégio", recordou. Ao refletir sobre as consequências da violência, o influenciador afirmou que uma das maiores dores foi sentir que perdeu experiências importantes da juventude. "Por muito tempo, eu senti que isso foi roubado de mim e eu fui cúmplice do roubo. Eu nem sei se tenho a quem culpar. E agora não tem mais volta. Eu desperdicei a minha adolescência", declarou. Diagnóstico e dificuldades na vida adulta O influenciador explicou que, apesar de atualmente conseguir participar de gravações, entrevistas e eventos, ainda experimentava sintomas físicos intensos em situações sociais. Para mostrar o impacto do transtorno, incluiu no vídeo um registro feito nos bastidores de uma gravação. "Todas as gravações, todas as vezes que eu saio em público, é mais ou menos assim que eu fico", disse, enquanto mostrava seus batimentos cardíacos. Segundo o influenciador, sua frequência cardíaca chegava a aproximadamente 138, 140 ou 150 batimentos por minuto em determinadas situações, mesmo quando estava parado. "Isso não é só em gravação. É desde quando eu vou em evento. [...] Mesmo quando eu vou no shopping, mesmo quando eu vou na portaria, é sempre assim. Não abaixa", explicou. Ele contou que a dificuldade também interferiu em momentos familiares. Em uma ocasião, seu irmão mais velho precisou de atendimento hospitalar e pediu que Felca o levasse de carro. Embora tenha conseguido ajudá-lo, o influenciador relatou que passou mal no hospital e também precisou ser atendido. "Eu tive medo, mas dessa vez um medo maior do que pessoas. Eu tive medo de, se algo acontecer com a minha mãe, se algo acontecer com o meu pai. E se, quando eu tiver uma esposa, algo acontecer com a minha esposa? Se, quando eu tiver um filho, algo acontecer com o meu filho?", recordou. A experiência, segundo ele, provocou uma mudança na maneira como passou a lidar com o transtorno. "Ali eu falei: essa é a última vez. Quem eu amo não vai poder contar comigo", afirmou. Retomada da rotina e reflexão Ao longo do vídeo, Felca também mostrou os bastidores de uma palestra para aproximadamente duas mil pessoas. Nas imagens, apareceu conversando com a equipe, relatando nervosismo antes de subir ao palco e refletindo sobre a dificuldade de aproveitar encontros e interações sociais. Ele contou que, apesar da ansiedade anterior aos compromissos, costumava se sentir melhor depois de participar das atividades. Por isso, vinha tentando aceitar mais convites e encontrar um equilíbrio entre os momentos de exposição e descanso. O influenciador ainda mencionou a participação no programa Roda Viva e revelou que passou dois dias sem dormir antes da gravação, em razão do nervosismo. Ao encerrar o relato, Felca falou sobre o desejo de não permitir que o medo continuasse determinando suas escolhas. "A fobia social, na sua essência, é medo da vida. Eu quero viver a vida que chamam de vida. E, a partir de agora, eu não só quero, eu vou", declarou. "Mesmo suando, tremendo, mesmo se o batimento cardíaco chegar em 500, eu vou", concluiu.
Revista Quem