França impõe toque de recolher parcial em parte do país a partir desta terça (20), inclusive em Paris

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Fonte da notícia: CBN CBN

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta terça-feira (20) toques de recolher parciais em diversas cidades do país, inclusive em parte de Paris. A situação acontece após admissão do governo de que a polícia 'perdeu o controle' durante os protestos do fim de semana em todo o país. Lecornu afirmou após uma reunião de emergência do gabinete na segunda-feira que estava 'totalmente determinado a restabelecer a ordem pública'e que havia defendido a implementação de toques de recolher 'locais e parciais', se necessário. Ele disse que 'não havia qualquer possibilidade' de impor um toque de recolher total em cidades inteiras. O gabinete anunciou toques de recolher parciais das 20h às 6h nas noites de segunda e terça-feira em quatro cidades do norte, incluindo Lille, uma das maiores do país. A polícia também impôs um toque de recolher das 23h de segunda-feira às 6h de terça-feira em duas áreas de Paris: a Place de la République, onde ocorreram tumultos no sábado; e o bairro comercial de Les Halles, que foi alvo de saques. Um comunicado da polícia informou que as ordens proibiam aglomerações e manifestações, além de impedir a entrada ou permanência de qualquer pessoa nas duas áreas designadas. Marselha, a segunda maior cidade da França, anunciou anteriormente, de forma independente, a proibição de todas as reuniões e manifestações na segunda-feira. Os sindicatos franceses, por sua vez, convocaram uma nova rodada de greves e protestos para o dia 5 de novembro. Confrontos entre manifestantes e polícia em Nice, na França. VALERY HACHE / AFP Lecornu disse aos repórteres que, se a declaração de estado de emergência fosse considerada necessária, 'poderíamos fazê-lo', mas acrescentou que, neste momento, toques de recolher parciais pareciam 'mais apropriados'. Os comentários surgiram depois que o ministro do Interior da França admitiu que a polícia havia 'perdido o controle' em algumas cidades durante os protestos de sábado e o presidente, Emmanuel Macron, exigiu uma revisão completa da segurança e 'novos métodos operacionais' para acabar com os distúrbios. Laurent Nuñez afirmou na segunda-feira que houve uma 'falta de planejamento' nos preparativos para os protestos e reconheceu que o número de policiais por vezes foi insuficiente para lidar com os manifestantes violentos e saqueadores à margem das manifestações. Nuñez afirmou que informações de inteligência indicavam a presença de 200 mil manifestantes em todo o país. No entanto, o número ultrapassou 500 mil, e os protestos pacíficos foram sequestrados, transformando-se em um dos dias de maior violência na França nos últimos anos. Ele afirmou ter apresentado sua renúncia a Macron por se sentir 'responsável por tudo o que aconteceu'.

Macron a recusou, exigindo, em vez disso, que Nuñez 'tomasse todas as medidas necessárias para garantir a transparência em relação às falhas de planejamento e inteligência'. O ministro afirmou que 60 mil policiais e outros membros das forças de segurança foram mobilizados em todo o país, mas reconheceu que isso não foi suficiente para controlar grupos determinados e organizados de manifestantes violentos em grandes cidades, incluindo Paris, Marselha e Lyon. Até agora 2.513 pessoas foram presas e 67 encarceradas desde o início da violência no fim de semana. Cerca de 70% dos presos eram adultos. Até o momento, não surgiram evidências de que algum deles estivesse ligado a algum movimento político. Em um pronunciamento televisionado no domingo, Macron criticou a violência 'desenfreada' e disse que as autoridades locais poderiam proibir algumas manifestações nos próximos dias, mas não chegou a tomar medidas drásticas, como declarar estado de emergência ou impor toque de recolher. Os protestos de sábado, realizados por estudantes, professores, pais, sindicatos e trabalhadores, se focaram no alto custo de vida, uma questão que também motivou manifestações em vários outros países europeus, incluindo Itália, Bélgica e Albânia, durante o fim de semana.

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