O forte temporal que atingiu Anápolis neste sábado (07) deixou árvores caídas, ruas comprometidas e moradores sem energia elétrica, mas os riscos associados à falta de manutenção da arborização urbana já haviam sido discutidos semanas antes. Em 15 de outubro, o vereador Jean Carlos (PL), mesmo partido do prefeito Márcio Corrêa, subiu à tribuna da Câmara Municipal para cobrar prioridade justamente aos serviços de poda e retirada de árvores.
Na ocasião, o parlamentar alertou para a existência de demandas represadas na Secretaria Municipal de Obras e pediu que os trabalhos fossem intensificados antes que situações mais graves acontecessem. Passados 23 dias, a cidade contabilizou pelo menos 12 árvores derrubadas em menos de uma hora de tempestade, segundo o balanço inicial divulgado pela própria Prefeitura.
A cobrança feita por Jean Carlos, à época, não surgiu de uma preocupação hipotética, mas de um episódio que já havia ocorrido no Setor Sul. Segundo ele, moradores da região relataram que uma árvore caiu mesmo após terem solicitado providências meses antes, inclusive com uma avaliação realizada por uma bióloga do município.
Na tarde deste sábado (07), o cenário que preocupava o vereador ganhou contornos concretos em diferentes regiões de Anápolis. No Setor Central, registros mostraram árvores derrubadas, enquanto nas proximidades de um feirão coberto uma delas atingiu um banco de pedra e arrastou fios de energia elétrica.
Os transtornos também chegaram às residências. Na região Norte da cidade, diversos bairros sofreram com apagão que se prolongou por pelo menos três horas.
Enquanto moradores aguardavam o restabelecimento do serviço, equipes da Prefeitura, do Corpo de Bombeiros e da Equatorial atuavam no atendimento das ocorrências. Antes do temporal, a própria Administração Municipal já havia reconhecido dificuldades para enfrentar os efeitos das chuvas.
Em entrevista publicada pelo Portal 6 na sexta-feira (06), o secretário de Obras, Thiago de Sá, afirmou que Anápolis não possui infraestrutura suficiente para reduzir determinados impactos, especialmente os alagamentos. Na ocasião, o secretário explicou que uma obra de macrodrenagem, estimada em R$ 30 milhões e dependente de recursos federais, ainda aguarda etapas de aprovação e licitação.
A previsão era de que o processo licitatório ocorra somente em fevereiro de 2027, quando a temporada de chuvas já estará quase acabando. Enquanto isso, os órgãos meteorológicos têm a parte deles, ao emitir alertas sobre as condições climáticas previstas para Anápolis.
O Inmet e o Cimehgo advertiram sobre a possibilidade de tempestades, ventos intensos e granizo, reforçando que o risco não surgiu sem qualquer aviso. Neste sábado (07), a Prefeitura informou que mobilizou equipes para retirar árvores e liberar vias após a tempestade, mas uma dúvida permanece: o que foi feito preventivamente desde a cobrança de Jean Carlos?
Nas redes sociais, onde Márcio acumula mais de um milhão de seguidores, quando a pauta sobre a responsabilidade pelos estragos é levantada centenas de internautas respondem de modo padronizado, atribuindo a culpa à administração anterior. Outros, argumentam que a gestão não possui “poderes sobrenaturais” para impedir as tempestades.
O fato, porém, é que a existência de dificuldades herdadas não elimina a necessidade de prestar contas sobre as providências tomadas pela gestão atual, especialmente quando alertas já haviam sido registrados publicamente.
Portal6