O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) criticou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, por reconhecer a vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno. Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, o parlamentar, derrotado na disputa pelo Planalto por uma diferença de 4 milhões de votos, repetiu a tese de que as urnas foram fraudadas.
Nos Estados Unidos, Flávio disse que tem como prioridade a regularização de sua situação migratória para depois pensar no que fará para se manter no país. "Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando", disse Flávio ao responder sobre a manifestação de Nunes Marques que confirmou a reeleição de Lula.
Indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro assumiu a presidência da Corte eleitoral neste ano e, após o segundo turno, veio a público para proclamar a vitória do petista. O resultado não foi reconhecido por Flávio, que, ainda na noite da votação, afirmou que uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar a votação teria "mudado as regras do jogo".
Na data, o senador também afirmou que pediria a anulação do resultado nas urnas. No dia seguinte, ele anunciou que pediria a cassação da chapa de Lula por conta de gastos e anúncios de benesses eleitorais durante a campanha.
Flávio, no entanto, decidiu deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos depois de ser intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a entregar seu passaporte em função de uma investigação que envolve o advogado Willer Tomaz, aliado do senador. O Post cita uma declaração de um "funcionário de alto escalão do governo brasileiro” que afirma que “a polícia está investigando se uma rede de agentes dos EUA, da Argentina e de Israel ajudou Bolsonaro em sua saída”.
Na entrevista, no entanto, o parlamentar afirma que "nunca irá falar" sobre os detalhes de sua fuga para os EUA, mas afirmou que deixou o país para não ser preso ao manter a tese de que as urnas foram fraudadas. "Nem eu, nem vocês, nem ninguém que esteja assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pode afirmar com 100% de certeza que não houve fraude", declarou ao Post.
No país aliado, também disse que é "muito cedo para tomar decisões definitivas" e que, primeiro, precisa regularizar sua situação imigratória para depois "pensar no que irá fazer". Flávio também afirmou que o presidente americano, Donald Trump, "está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena".
O Globo