Google devora a si mesmo, mas ainda pode devorar os outros

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Fonte da notícia: Valor Valor

Às vezes, uma empresa revolucionária acaba provocando uma ruptura em seu próprio negócio - e em grande escala. A Netflix sufocou seu negócio de aluguel de DVDs pelo correio, ou como o iPhone, da Apple, levou o iPod à extinção.

Agora, os investidores temem que tenha chegado a vez da Alphabet. A controladora do Google perdeu quase meio trilhão de dólares em valor de mercado ontem (29), depois que seu negócio de publicidade desacelerou de forma inesperada.

As novas buscas impulsionadas por IA oferecem menos oportunidades de exibir anúncios aos usuários do que as buscas tradicionais. Isso é um problema porque a publicidade responde por dois terços da receita da Alphabet.

A Meta está ampliando suas vendas de anúncios a um ritmo mais de duas vezes superior. Embora a alta de 11% nas vendas de anúncios da Alphabet no terceiro trimestre ainda seja bastante expressivo, pequenas mudanças na trajetória de longo prazo podem ter um grande impacto.

Segundo o Bank of America, antes da divulgação dos resultados trimestrais da empresa, seu negócio principal de buscas valia US$ 1,5 trilhão, de um valor de mercado total de US$ 4 trilhões. A queda de ontem teoricamente cortou um terço do valor dessa divisão.

Os investidores estão apreensivos por dois motivos. A corrida, que envolve trilhões de dólares, para construir centros de dados de IA está levando a Alphabet a investir mais dinheiro do que gera, criando um possível déficit de US$ 40 bilhões até o fim de 2027, segundo projeções compiladas pela LSEG.

Cada dólar que deixar de vir da publicidade terá de vir de outra fonte. Além disso a Alphabet está em posição desfavorável na disputa por produtos de IA.

A Anthropic e a Cursor, que em breve passará a fazer parte da SpaceX, assumiram a dianteira no mercado de agentes de IA para programação; o Muse, da Meta, avançou na oferta dos chamados assistentes pessoais autônomos, capazes de executar tarefas. Algumas saídas recentes de executivos de alto escalão dos laboratórios de IA do Google reforçam a incerteza.

Seria precipitado, porém, concluir que a Alphabet perdeu seu brilho: a liderança na corrida da IA pode ser recuperada rapidamente. Um ano atrás, era a Meta que parecia estar perdendo terreno, depois que seu modelo Llama 4 decepcionou.

Da mesma forma, em 2024, a IA da Alphabet recomendava aos usuários que colassem queijo em suas pizzas. Ainda assim, mesmo com a queda de suas ações nesta quinta-feira, o recém-lançado modelo de IA de ponta Gemini 4 Carbon saltou para o topo de um ranking amplamente respeitado.

É possível que o CEO Sundar Pichai ainda fracasse na transição metafórica do iPod para o iPhone. Mas a Alphabet já enfrentou grandes mudanças no passado.

A forte queda de suas ações mostra como a IA introduziu uma enorme volatilidade nas avaliações até mesmo das maiores empresas. Fortunas podem ser perdidas num piscar de olhos - e recuperadas quase com a mesma rapidez.

(Tradução de Mario Zamarian)

Publicação Original Valor valor.globo.com
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