Globo não fará checagem ao vivo na TV, mas entidades jornalísticas e acadêmicas verificarão falas de Lula e Flávio

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para esta sexta-feira (23), às 21h20, na TV Globo, contará com diferentes iniciativas de checagem de informações em tempo real. Embora a emissora tenha decidido não interromper sua transmissão televisiva para corrigir eventuais declarações falsas, o ICL Notícias e uma rede de entidades jornalísticas e acadêmicas anunciaram operações independentes de verificação das falas dos candidatos.

Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, e pela Agência Brasil, a cobertura reunirá diferentes frentes de combate à desinformação. A Globo utilizará a página Fato ou Fake, do G1, em parceria com O Globo, Extra, Valor Econômico e Rádio CBN. Paralelamente, profissionais de comunicação, pesquisadores e organizações especializadas acompanharão o confronto e divulgarão análises ao vivo em canais digitais.

A decisão da Globo ocorre após uma mobilização que ultrapassou 1,1 milhão de assinaturas em defesa da checagem durante a transmissão pela televisão. A campanha ganhou força depois do debate da Band, realizado no domingo (18), quando declarações dos presidenciáveis, especialmente de Flávio Bolsonaro, foram contestadas por agências de verificação.

ICL Notícias anuncia checagem simultânea ao debate

O ICL Notícias também fará uma transmissão especial para analisar as declarações de Lula e Flávio Bolsonaro enquanto o confronto estiver acontecendo. A iniciativa foi anunciada pelo economista e comunicador Eduardo Moreira, que participará da cobertura ao lado da economista Deborah Magagna e dos jornalistas Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn.

A proposta é oferecer ao público uma segunda tela de acompanhamento, permitindo que os espectadores assistam ao debate pela televisão e consultem simultaneamente as análises no canal do ICL no YouTube.

“O ICL vai fazer o react ao vivo, checando todos os fatos. O ICL vai fazer a checagem de fatos, o fact-checking, simultânea durante o debate da Globo na sexta-feira”, afirmou Eduardo Moreira, conforme declaração reproduzida na cobertura sobre a iniciativa.

O comunicador também convidou os espectadores a acompanhar a verificação pelo celular: “Assista o debate e com celular na mão fique ligado no ICL, que a gente vai checar tudinho”.

A equipe deverá examinar dados, estatísticas e acusações apresentados pelos candidatos, confrontando as afirmações com informações disponíveis em fontes documentais. A transmissão será independente da programação da Globo.

Fenaj, RNCD e pesquisadores organizam sala virtual de checagem

Outra iniciativa reunirá jornalistas, pesquisadores e instituições ligadas à comunicação em uma sala virtual para verificar as afirmações apresentadas durante o debate. A operação foi detalhada em reportagem de Pedro Peduzzi, publicada pela Agência Brasil nesta quinta-feira (22).

Participam da mobilização a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e a plataforma AletheiaFact.org.

O trabalho também contará com a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), a Socicom, a COAR Notícias e o Coletivo Bereia.

As verificações serão divulgadas ao vivo nos canais da Fenaj e da RNCD no YouTube, em uma operação conjunta que pretende complementar o trabalho das agências especializadas.

A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, explicou que a mobilização busca contribuir para o exercício consciente do voto diante da intensa circulação de informações nas redes sociais.

Ana Regina Rêgo, criadora da RNCD, destacou a importância de aproximar a verificação do momento em que as declarações chegam ao público. Já a presidenta da Intercom, Iluska Coutinho, ressaltou a contribuição da pesquisa científica e do jornalismo para o enfrentamento da desinformação e a defesa da democracia.

Mais de 1,1 milhão de pessoas pedem checagem na Globo

A organização das iniciativas independentes ocorre em meio à pressão para que a própria Globo adote mecanismos de correção de informações falsas durante o debate.

Um abaixo-assinado criado por Rafael Brito na plataforma Change.org havia reunido mais de 1,1 milhão de assinaturas até as 13h30 desta quinta-feira (22), segundo a coluna de Mônica Bergamo.

A petição cita experiências internacionais de verificação durante confrontos eleitorais e defende que eventuais informações incorretas sejam esclarecidas imediatamente aos telespectadores.

Outra iniciativa, organizada por professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), ultrapassou 12,5 mil assinaturas. O grupo propõe que o mediador advirta candidatos responsáveis pela apresentação de informações inverídicas e, em caso de reincidência, aplique penalidades com perda de tempo de fala.

Apesar da mobilização, a Globo manterá a checagem em seus veículos digitais. O trabalho começará durante o encontro e prosseguirá pela madrugada, sem previsão de intervenções na transmissão televisiva para corrigir declarações dos presidenciáveis.

Fenaj critica formato do debate anterior

O debate da Band, realizado no domingo (18), foi um dos principais fatores que impulsionaram as cobranças por mecanismos de verificação mais rápidos.

Após o confronto, a Fenaj divulgou uma nota criticando a dinâmica do programa, especialmente a predominância de provocações e ataques em detrimento do esclarecimento de questões relevantes para os eleitores.

“O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático”, afirmou a federação.

A entidade também advertiu sobre as consequências de permitir que declarações sem fundamento permaneçam sem contestação durante confrontos eleitorais.

“Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira”, acrescentou a Fenaj.

Campanha de Lula também cobrou verificação em tempo real

A pressão sobre a Globo também chegou à campanha do presidente Lula. Na quarta-feira (21), o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, informou que representantes da candidatura petista estavam conversando com a emissora sobre a possibilidade de incluir checagem durante a transmissão.

“A gente está querendo que haja (checagem de fatos), porque a gente viu o que aconteceu no debate. Além de responder nenhuma pergunta do presidente, ele mentiu muito. É importante uma checagem em tempo real do que é verdade, do que é mentira, do que é dito no debate”, declarou Sidônio, segundo reportagem da Agência Estado.

O ministro também informou que a campanha mantinha contatos com agências independentes para viabilizar a verificação das declarações dos candidatos.

O debate acontecerá a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25), quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.

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