247 – O ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino fez um apelo à militância para que mantenha a mobilização nas ruas até o último momento do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Em entrevista ao programa Bom Dia 247, nesta sexta-feira (23), ele afirmou que o crescimento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode alimentar a sensação de que a disputa está decidida.
Para Genoino, a prioridade agora é intensificar o contato direto com os eleitores, conquistar os indecisos e buscar votos entre aqueles que anularam o voto ou se abstiveram no primeiro turno. “Eu estou com a cabeça fria e o coração bem quente.
Para quê? Para a gente evitar o já ganhou, fazer corpo a corpo, mirar o eleitor indeciso e que votou nulo, fazer o trabalho de formiguinha, porque, na eleição, a pior coisa é a gente ficar com a ideia do já ganhou”, declarou. Genoino insistiu que a mobilização precisa continuar até o encerramento da votação.
“Nós temos que ter uma intensidade de campanha até a hora de colocar o voto na máquina, até a hora de digitar o 13, que é Lula”, afirmou. Segundo ele, a mudança no ambiente político nas últimas semanas representa uma oportunidade de ampliar a votação do presidente, mas não elimina a necessidade de disputar cada voto.
O dirigente histórico do PT relatou que acompanha a evolução da campanha tanto pelas transmissões nas redes sociais quanto pelo contato com a população. Chamando sua percepção das ruas de “DataRua” e “DataPovo”, ele afirmou ter identificado uma transformação na receptividade dos eleitores à campanha de Lula.
“Eu faço rua e percebia nas ruas uma mudança de atitude para receber o folheto, para dialogar, o interesse com os adesivos. Isso foi crescendo”, contou.
Na avaliação de Genoino, a mudança ganhou força depois do primeiro turno, quando o resultado das eleições legislativas e o desempenho da candidatura de Flávio Bolsonaro provocaram uma reação entre setores da sociedade preocupados com os rumos políticos do país. O ex-presidente do PT considera que as manifestações em apoio a Lula tiveram papel decisivo nessa mudança de ambiente.
Ele destacou a mobilização na Avenida Paulista, em São Paulo, e a multiplicação de atos em cidades de diferentes portes, incluindo Encantado, povoado onde nasceu, no Ceará. “Eu acho que o Brasil inteiro se mexeu porque o pessoal percebeu o risco”, afirmou.
Para ele, a presença de eleitores nas ruas criou uma dinâmica capaz de influenciar pessoas que ainda não haviam definido o voto ou que não estavam envolvidas na campanha. Genoino também avaliou que parte dos eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno não migrou automaticamente para Flávio Bolsonaro.
Segundo sua análise, segmentos que haviam apoiado nomes como Ronaldo Caiado e outros concorrentes passaram a considerar o voto em Lula, contribuindo para a alteração da correlação de forças na disputa presidencial. “Se a gente foi para uma campanha exitosa de virar voto, isso foi muito importante.
Mas o que foi decisivo nesse vira-voto foi o clima que se criou no país”, disse. Apesar de reconhecer os avanços da campanha, Genoino advertiu que o processo de conquista de votos ainda não terminou.
“Nós temos que fazer essa disputa milimetricamente. E eu repito: não vamos cair no otimismo do já ganhou.
É otimismo com pé no chão, militando 24 horas, toda e qualquer oportunidade, porque a eleição é quando faz a apuração da urna eletrônica.” Outro aspecto destacado pelo ex-dirigente petista foi a adesão de personalidades e representantes de setores políticos que historicamente fizeram oposição ao PT.
Genoino citou declarações de apoio a Lula vindas de figuras ligadas ao PSDB, incluindo Walter Feldman e José Aníbal, além de integrantes das famílias de Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso. Para ele, essas manifestações devem ser recebidas sem cobranças sobre divergências políticas anteriores.
A prioridade, argumentou, é construir uma maioria eleitoral capaz de derrotar a candidatura de Flávio Bolsonaro. “É importante a gente receber esses votos sem arrogância, sem fazer cobrança.
Nós queremos voto, nós queremos voto na urna eletrônica”, declarou. Genoino defendeu que a campanha acolha inclusive eleitores que apoiaram o bolsonarismo anteriormente e agora estejam dispostos a mudar de posição.
Na sua avaliação, o momento exige capacidade de diálogo com pessoas de diferentes trajetórias políticas, deixando para depois da eleição os debates sobre as contradições e os ensinamentos desse processo. “Se o eleitor que se absteve ou que votou nulo vem para o nosso lado, ou aquele eleitor que votou no primeiro turno no fascismo vem para o nosso lado, nós temos que abraçá-lo e exaltar.
A discussão sobre as lições desse processo é depois”, afirmou. O ex-presidente do PT contou que, logo após o primeiro turno, defendeu que a militância entrasse em “estado de emergência” diante do resultado eleitoral.
Segundo ele, a estratégia adotada desde então, com manifestações, diálogo direto e mobilização permanente, ajudou a construir as condições para a recuperação de Lula na disputa. “Nós temos que entrar em estado de emergência.
Isso é uma batalha milimétrica. Eu acho que a gente cumpriu esse roteiro, mas ainda não foi concluído.
Eu chamo a atenção: não foi concluído, e nós temos que fazer uma militância 24 horas por dia”, reforçou. A poucos dias da votação, Genoino disse que mantém pessoalmente uma rotina de atividades em bairros e comunidades de São Paulo.
Relatou ter participado de ações no metrô, no Jaguaré e na comunidade Jaqueline, na região da Rodovia Raposo Tavares, e anunciou que seguiria para uma feira no bairro do Rio Pequeno, onde mora, depois da entrevista. A experiência nas ruas, segundo ele, permite acompanhar diretamente a disposição dos eleitores e reforça sua convicção de que a campanha não pode se limitar às pesquisas ou às manifestações de apoio nas redes sociais.
“Eu vou agora fazer feira aqui no bairro do Rio Pequeno, onde eu moro. Ontem eu fiz o metrô, antes de ontem eu fiz Jaguaré, que é uma comunidade aqui do Jaguaré.
No começo da semana, eu fiz a comunidade Jaqueline, que é aqui na Raposo Tavares. E a rua me faz bem”, relatou.
Para Genoino, a possibilidade de vitória de Lula deve funcionar como estímulo à participação, e não como motivo para reduzir o ritmo da campanha. Ele acredita que a reação popular observada desde o primeiro turno criou condições para uma virada eleitoral, mas ressalta que essa mudança só se confirmará com os votos depositados nas urnas.
Ao encerrar sua participação no Bom Dia 247, o ex-presidente do PT voltou à mensagem que marcou toda a entrevista: a necessidade de manter o trabalho de convencimento até o último instante. “Não há o já ganhou.
Pé no chão e voto a voto”, concluiu.
Brasil 247