FMI alerta para situação fiscal ‘insustentável’ na Colômbia

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Fundo Monetário Internacional (FMI) endureceu o tom sobre as finanças públicas da Colômbia nesta sexta-feira (16), ao alertar que a situação fiscal do país é insustentável e exige medidas para conter o avanço da dívida pública, que já equivale a cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Leia também: Colômbia negocia com FMI financiamento para enfrentar crise fiscal Plano de austeridade radical da Colômbia enfrenta caminho difícil no Congresso Colômbia extradita aos EUA líder do narcotráfico ligado a dissidentes das Farc A avaliação ocorre em um momento de deterioração das contas públicas colombianas, enquanto o novo governo do presidente Abelardo de la Espriella negocia com a instituição possíveis mecanismos de apoio financeiro para enfrentar a crise.

Nigel Chalk, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, enfatizou que a Colômbia registrou um déficit primário de aproximadamente 3,5% do PIB em 2025, enquanto a dívida pública continua em trajetória de alta.

"Esta não é uma situação sustentável nem viável", disse Chalk, durante declarações em Bangcoc. "Acreditamos que o país precisa de um esforço coordenado para reduzir a dívida."

O governo Espriella iniciou conversas com o FMI para avaliar possíveis formas de assistência diante de um quadro que o ministro das Finanças, Miguel Gómez, classificou como a pior crise fiscal da história do país. Segundo Chalk, a instituição vem discutindo "opções e estratégias" com as autoridades colombianas e enviará uma equipe técnica à Colômbia no início de novembro para aprofundar as negociações.

O representante do Fundo ainda destacou que o governo demonstra “muito comprometimento” com a recuperação das contas públicas.

De acordo com o Ministério das Finanças colombiano, a missão do FMI prevista para visitar o país em novembro dará continuidade às discussões exploratórias, que incluem uma consulta no âmbito do Artigo IV do Convênio Constitutivo do Fundo, mecanismo de avaliação periódica das condições econômicas dos países-membros, além da análise de possíveis instrumentos para melhorar as condições de financiamento da Colômbia.

As recentes negociações ocorrem em meio à crescente preocupação dos investidores com a trajetória fiscal colombiana. O governo espera obter a aprovação de um orçamento de aproximadamente US$ 200 bilhões para 2027, mas as projeções indicam que o déficit poderá superar 9% do PIB caso não sejam adotadas medidas de ajuste.

A deterioração das perspectivas fiscais, além disso, tem afetado os ativos financeiros do país. Nas últimas semanas, os títulos da dívida da Colômbia e os contratos de proteção contra calote (CDS), que refletem a percepção dos investidores sobre o risco de inadimplência de um país, apresentaram desempenho pior do que os de outros mercados comparáveis, em meio à crescente preocupação com a situação fiscal do governo.

Apesar das dificuldades enfrentadas, Chalk compartilha uma perspectiva mais otimista do FMI em relação à Colômbia. Hoje, a entidade espera que a economia colombiana cresça cerca de 2,25% neste ano e no próximo, o que, para Chalk, está aquém do potencial de crescimento do país latino-americano. "O potencial do país é muito superior a isso", afirmou. "O país deveria estar crescendo muito mais rapidamente."

Chalk reiterou, por fim, que a busca pela recuperação das finanças públicas está sendo conduzida pelo próprio governo, com o FMI desempenhando um papel de apoio. O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nigel Chalk REUTERS/Patipat Janthong

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