Está prevista para hoje nova reunião do Conselho de Segurança da ONU para a escolha do nome do sucessor ou sucessora do português António Guterres há quase 10 anos no cargo. Será a sexta rodada de votações informais e a primeira com cédulas diferenciadas para os cinco membros permanentes do Conselho – Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Ficará claro se algum deles veta os sete candidatos ao posto.
O Conselho de Segurança tem 15 membros. Para conseguirem ser aprovados, os candidatos têm que conseguir nove votos favoráveis, mas o mais importante é não ter nenhum voto contrário de um dos cinco membros permanentes. Só assim o nome poderá ser recomendado à Assembleia Geral.
Até agora estas votações informais –sempre feitas a portas fechadas—não diferenciava as cédulas. Hoje o que se espera é que os cinco membros permanentes votem com cédulas vermelhas. Os outros dez votarão com cédulas brancas. Todos os votos, contudo, são anônimos.
É uma corrida contra o tempo. Guterres deixa o cargo em 31 de janeiro.
Até agora, nenhum dos sete candidatos entusiasmou os membros do Conselho. A costarriquenha Rebeca Gryspan, ex-diretora da Unctad, a agência da ONU para o comércio e o desenvolvimento, é a que vem recebendo mais votos favoráveis. Mas obteve seis contrários na última votação informal, em 7 de outubro. Especula-se que um deles tenha vindo dos Estados Unidos, o que pode inviabilizar sua candidatura.
Há poucos dias, uma matéria da Politico, newsletter americana fundada há 20 anos, disse que o governo Trump se opôs a todos os candidatos. Hoje isso poderá ficar mais claro.
Além de Gryspan, há dois nomes ligeiramente mais fortes. Um deles é o argentino Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o preferido de Washington, mas que tem oposição da Rússia. Também especula-se que tenha oposição do Reino Unido em função da reivindicação argentina das Ilhas Malvinas, processo que vem ganhando força recente com o presidente Javier Milei.
O outro nome possível é da embaixadora Caroloyn Rodrigues-Birkett, da Guiana. Os demais candidatos têm poucas chances.
Segundo fontes ouvidas pelo site PassBlue, que acompanha a disputa na ONU, há três possibilidades sobre a mesa: o primeiro é o apoio ao nome de Rebeca Gryspan, que embora não tenha entusiasmado o Conselho, lidera a disputa desde o início.
O segundo é que todos recebam vetos e surjam novos candidatos.
O terceiro cenário é tão insólito quanto ruim: não há consenso em torno a nenhum nome até a saída de Guterres. Isso demonstraria o quanto a ONU perdeu relevância – a cartada vitoriosa do governo Trump. Neste caso, a eleição se estende e encontra-se uma solução interina às Nações Unidas.
Valor