Recorde de ataques a navios em Ormuz afeta exportações de petróleo e eleva tensões entre Irã e EUA; veja vídeo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Guarda Revolucionária no Irã anunciou na quinta-feira ter flagrado um navio-petroleiro em chamas perto do Golfo de Omã, em uma zona considerada proibida para navegação por Teerã. Um dia antes, um navio-cargueiro de bandeira de Cingapura afundou ao ser atingido por um projétil, em um caso ainda cercado em controvérsias. No domingo, seis navios foram bombardeados, um recorde em um único dia desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã — em um momento em que o recrudescimento de ataques à navegação. Crise regional: Arábia Saudita acusa Irã de incentivar escalada com houthis, que matam 4 em ataque a palácio presidencial no Iêmen Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países A agência de notícias francesa aponta que 23 ataques a embarcações foram registrados no Estreito de Ormuz ou arredores desde o início do mês — quase o dobro da média mensal desde o começo da guerra. Quatro casos foram registrados desde segunda-feira, enquanto a rede britânica BBC indicou, em um levantamento com base em dados da agência de monitoramento marítimo UKMTO, que 12 deles aconteceram entre os dias 5 e 11 de outubro, incluídos os seis no domingo. Navios são atacados em Ormuz em meio a disputa entre EUA e Irã por rota comercial A intensidade dos ataques a embarcações aumenta em um momento em que disputas militares e estratégicas se sobrepõem na região, com o mercado internacional de petróleo no centro do cálculo político. Enquanto Irã e EUA disputam fisicamente o controle da rota naval por onde escoava cerca de 20% da produção mundial de petróleo antes da guerra, tensões envolvendo Arábia Saudita e o grupo rebelde Houthis criaram um novo elemento de tensão sobre a região. Washington anunciou um bloqueio naval contra o Irã, proibindo a chegada ou saída de navios de todos os portos do país, em retaliação ao fechamento de Ormuz pelas forças de Teerã. O Comando Central dos EUA tem divulgado imagens de ações bélicas contra alguns navios, como no último dia 10, em que acusam descumprimento da ordem. Em paralelo, americanos intensificaram uma operação de escolta de embarcações civis, reclamando a normalização da via. A Agência Internacional de Energia (AIE) indicou que a retomada do fornecimento de petróleo bruto no Oriente Médio foi positiva durante setembro, com as exportações de petróleo bruto de países do Golfo aproximando-se dos níveis anteriores à guerra.

Analistas vinculam a perda de controle iraniano sobre Ormuz como um fator-chave para o aumento de ataques registrados no começo de outubro. Ainda em setembro, o governo iraniano estabeleceu de maneira unilateral uma zona proibida à navegação, para além do estreito, anunciando que todo navio nas áreas delimitadas que não tivessem coordenado suas movimentações com as autoridades do país seriam vistas como alvos lícitos.

Em entrevista à BBC, o presidente-executivo da Orbital Risk Intelligence, Martin Kelly, apontou uma evolução da estratégia do Irã em resposta ao afrouxamento do controle sobre Ormuz, com ataques quase diários ou em dias sequenciais. — O objetivo aqui é impedir que os navios passem e dissuadir outros — disse Kelly. Rotas de navegação no Estreito de Ormuz Arte/ O GLOBO Somam-se às preocupações regionais os ataques dos Houthis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, contra a Arábia Saudita, mirando alvos do setor de petróleo do maior exportador da commodity no mundo. As ações, segundo alguns observadores, estariam sendo em alguma medida orientadas por Teerã, com impacto sobre a produção de combustíveis. Em nota a AIE avaliou em outubro que "a recente intensificação dos ataques contra infraestruturas energéticas regionais e o tráfego de petroleiros ameaça afetar novos progressos". — O Irã procura deliberadamente exercer pressão adicional sobre o mercado de petróleo [para enfraquecer o presidente Donald Trump antes das eleições de meio de mandato nos EUA] — afirmou Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management. (Com AFP)

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