Flávio vence em mais cidades do que o pai em 2022, mas fica atrás do que o bolsonarismo conseguiu em 2018

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 estados e 2.694 dos 5.571 municípios brasileiros nas eleições 2026. Esse resultado foi melhor do que o pai em 2022, na disputa com o petista, mas ficou abaixo do que Jair conseguiu contra Fernando Haddad (PT), em 2018.

Neste domingo, o presidente foi reeleito pela quarta vez com 51,79% dos votos contra 48,21% do senador. Eleições 2026: Lula é reeleito presidente do Brasil após virada inédita contra Flávio Bolsonaro

Virada em MG e salto em redutos bolsonaristas: a votação de Lula e Flávio nos estados na comparação com o primeiro turno Em 2018, Jair Bolsonaro foi mais votado do que Fernando Haddad em 17 estados e 2.760 cidades.

Seu melhor desempenho foi em São Paulo, onde conquistou 631 das 645 cidades do estado. Naquele ano, o petista só superou o bolsonarismo no Nordeste, em Tocantins e no Pará.

Quatro anos depois, Jair foi o mais votado em 14 estados e 2.445 cidades do país. Ele teve mais votos no Centro-Oeste e Sul do país, além dos estados de São Paulo, Rio, Espírito Santo, Tocantins, Rondônia, Acre, Roraima e Amapá.

Neste ano, Flávio conseguiu os mesmos estados, com exceção do Amapá. A votação total de Flávio, no entanto, foi maior do que a do pai nos dois anos que ele concorreu à Presidência.

O senador teve 59,8 milhões de eleitores no segundo turno de 2016. Jair conseguiu 58,2 milhões, em 2022, e 57,8 milhões, em 2018, numa disputa marcada por um recorde de votos nulos e brancos.

Vitória de Lula As urnas foram 100% apuradas às 23h21: o petista terminou com 51,79%, contra 48,21% do senador do PL.

Lula conquistou 68.256.232 votos, e Flávio obteve 59.826.041 no resultado final. Durante a reta final da campanha, Lula e Flávio chegaram ao domingo da eleição empatados tecnicamente dentro da margem de erro, porém com uma vantagem numérica para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na Datafolha, Flávio aparecia com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. A Quaest mostrou um cenário semelhante: Flávio com 51% das intenções de votos válidos, contra 49% de Lula.

Lula saiu atrás no primeiro turno de Flávio Bolsonaro, conquistando 45,16% dos votos, ante 47,03% do senador do PL. A diferença foi de 2.224.965 votos, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como relatou Thomas Traumann na edição deste domingo, o presidente que deixou o hotel Renaissance, em São Paulo, na noite do primeiro turno de 2026, havia desaprendido a perder uma eleição. Dos últimos seis pleitos presidenciais, o PT venceu cinco, e a única derrota aconteceu com Lula preso.

O tom da campanha mudou completamente no segundo turno. Quatro anos após o discurso da vitória de 2022, em que exclamou “Tentaram me enterrar vivo, mas eu ressuscitei”, o presidente demonstrou sua capacidade de ressuscitar.

No dia seguinte à derrota, enquanto o PT se engalfinhava em busca de culpados, milhares de estudantes da Universidade Federal Fluminense saíram do Campus do Gragoatá e percorreram ruas de Icaraí e do Centro de Niterói para defender Lula. Dias depois, outros milhares de jovens ocuparam a praça da Candelária, no Rio.

O movimento se espalhou pelo país. A esquerda, que desde 2013 estava sumida das ruas, ressurgiu num movimento orgânico, sem partido e unida pela rejeição ao bolsonarismo.

Em Brasília, Lula defenestrou o que ele mesmo definiu como o comando da “campanha mais desorganizada da história”. O senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a coordenação e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, reorganizou a comunicação.

O deputado André Janones (Rede-MG) abriu espaço a cotoveladas para criar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que em duas semanas reuniu mais de 10 milhões de membros. Na sua nona e última campanha eleitoral, Lula mudou com a ameaça de encerrar a carreira com uma derrota.

Segundo quem convive com ele, passou a ouvir mais e teimar menos. O Lula que ressuscitou no segundo turno e eleito neste domingo é um candidato que foi obrigado a se atualizar rápido.

Após anos de ojeriza às redes, ele passou a gravar vídeos diários na vertical, em formato de selfie. Até o chapéu que ele insistia em usar, mesmo em entrevistas de estúdio, foi deixado de lado.

Conceitos distantes da população como a soberania nacional e o controle da exploração das terras- raras foram substituídos por temas urgentes como a redução da jornada de trabalho e a renegociação de dívidas. Pela primeira vez em quatro anos, Lula reconheceu que seu governo cometeu erros e que a população tem motivos para estar insatisfeita.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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