Fla-Flu teme futuro sem dinheiro das bets e recorre ao STF

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Flamengo e Fluminense levaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3 de novembro), uma defesa das receitas das bets que colocou os contratos do futebol no centro de uma discussão sobre endividamento e saúde pública. Diante dos alegados danos associados às apostas, representantes dos clubes responderam com estimativas de perdas, risco de demissões e pedidos para preservar patrocínios.

O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, reconheceu o sofrimento das famílias, mas o contrapôs à possibilidade de desemprego na cadeia do futebol. Propôs uma “ponderação dos dramas” e perguntou:

“O que os clubes vão fazer se a receita acabar?”. A argumentação expõe a prioridade dos dirigentes: evitar a perda dos recursos que passaram a sustentar seus orçamentos.

O reconhecimento dos danos sociais veio acompanhado da tentativa de relativizá-los diante das consequências financeiras da proibição. Leia mais

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Representado pelo vice-presidente geral Flávio Willeman, o Flamengo estimou em R$ 430 milhões a queda de receitas anuais e alertou para possíveis impactos sobre mais de 1.200 empregados e os esportes olímpicos. O dirigente sustentou que o clube planejou suas finanças e assumiu compromissos com base em contratos celebrados quando a atividade estava autorizada.

Defendeu segurança jurídica, liberdade econômica e respeito aos acordos firmados sob a legislação aprovada pelo Congresso e regulamentada pelo governo federal. A estimativa apresentada é do clube e não corresponde a demissões já anunciadas.

Ao associar a perda das receitas ao futuro dos funcionários, o Flamengo levou a proteção dos empregos para sua defesa da continuidade dos patrocínios. Leia mais

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Montenegro apresentou uma estimativa de R$ 200 milhões em perdas anuais para o Fluminense. Também argumentou que as apostas financiam diretamente patrocínios e placas de publicidade e, indiretamente, os direitos de transmissão, por meio das cotas comerciais compradas nas emissoras.

A defesa dos clubes inclui a dificuldade de substituir simultaneamente os patrocinadores: com várias equipes oferecendo espaços publicitários, os valores poderiam cair. Os representantes pediram a manutenção dos contratos ou uma transição mais longa.

O problema financeiro existe na argumentação dos dirigentes. Mas colocá-lo como contraponto ao adoecimento das famílias deixa sem resposta uma questão de gestão: como reduzir a dependência das apostas sem transferir a conta imediatamente aos trabalhadores?

Até a arrecadação A preocupação com a receita pública também integra a defesa feita pelo presidente do Fluminense, embora a declaração identificada seja anterior à audiência.

Em setembro, ao criticar a proibição, Montenegro afirmou que as bets haviam gerado R$ 9 bilhões para o governo entre janeiro e agosto de 2026 e cobrou uma estimativa do impacto da perda dessa arrecadação. O número foi apresentado pelo dirigente em declaração reproduzida pelo Lance!.

Na mesma manifestação, ele alegou insegurança jurídica e risco de fortalecimento do mercado clandestino. São argumentos econômicos e regulatórios que precisam ser confrontados com os custos sociais da atividade, e não tratados como resposta suficiente aos danos à população.

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A conta da saúde Em posição divulgada nesta terça-feira, o Conselho Nacional de Saúde apresentou dados atribuídos ao Ministério da Saúde segundo os quais os atendimentos relacionados ao jogo patológico e a problemas com apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025.

O conselho também citou estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde que estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social dos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões ligados à saúde. Essa parcela inclui perda de qualidade de vida, mortes e tratamentos; não representa uma despesa direta desse valor no orçamento do SUS.

Na audiência, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Silva, defendeu a proibição. Segundo ele, o governo tentou alternativas regulatórias, mas os efeitos sobre as famílias, a saúde e a segurança pública exigiram uma medida mais severa.

O contraste é o centro do debate: os contratos e a arrecadação defendidos pelos dirigentes convivem com custos que recaem sobre apostadores, familiares e serviços públicos. Leia mais

STF mantém bets proibidas e tenta costurar acordo com times de futebol Vasco fora da lista

Entre os grandes clubes cariocas, Flamengo, Fluminense e Botafogo tiveram representantes na relação de expositores. O Vasco não consta da lista da audiência.

A audiência foi convocada por Luiz Fux para subsidiar a análise da medida provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa. A realização do encontro não equivale a uma decisão do STF sobre a validade da norma.

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