A atriz Carol Castro revelou o processo de diagnóstico e tratamento de fibromialgia, uma doença crônica que causa dores constantes espalhadas pelo corpo. A artista detalhou o processo difícil que enfrentou até ter uma noção clara do que estava enfrentando e afirmou que sofre com incômodos durante as 24 horas do dia.
“Eu sinto dor 24 horas por dia. Tem dias que é mais, tem dias que é menos.
Eu sentia fortes dores de cabeça e falava que era sinusite ou que estava trabalhando muito. Eu também sentia dores no joelho, mas a personagem usava salto alto, então devia ser por isso", contou em entrevista à revista Quem.
A descoberta veio após a realização de diversos exames e consultas. Com um reumatologista, Carol passou por uma avaliação rigorosa, que incluiu perguntas sobre seu histórico familiar, seus hábitos e até sua alimentação.
"Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não estou doida.
Foi uma saga, pois eu já tinha feito milhões de exames de sangue. Desde o ano anterior, eu estava investigando todos os marcadores possíveis de doenças", garantiu.
Dor crônica pelo corpo, fadiga intensa, alterações no sono e dificuldade de concentração. Esses são alguns dos sintomas enfrentados por pessoas com fibromialgia, síndrome que afeta cerca de 3% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Mesmo relativamente comum, a doença ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico e à desinformação, o que pode atrasar o início do tratamento e comprometer o bem-estar dos pacientes. Além da dificuldade de reconhecimento, especialistas alertam que o diagnóstico da fibromialgia costuma levar anos para ser concluído.
Embora os critérios clínicos indiquem que os sintomas devem persistir por pelo menos três meses para que a hipótese diagnóstica seja considerada, muitos pacientes passam cerca de quatro anos em busca de respostas até receberem a confirmação da síndrome, período marcado por consultas frequentes, dúvidas e impactos na qualidade de vida.
A fibromialgia é caracterizada principalmente por dores musculoesqueléticas generalizadas e persistentes, frequentemente acompanhadas de sintomas como cansaço excessivo, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas, conhecidas popularmente como “névoa mental”.
Como não existem exames laboratoriais específicos para confirmar a doença, a identificação da fibromialgia depende de avaliação médica detalhada e análise dos sintomas apresentados pelo paciente. “O grande desafio da fibromialgia é justamente o reconhecimento da doença.
Muitos pacientes passam anos em busca de atendimento até receberem um diagnóstico correto, porque os sintomas podem ser confundidos com outras condições”, explica o reumatologista Levi Higino Jales Neto, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Embora as causas da síndrome ainda não sejam totalmente conhecidas, estudos indicam que a fibromialgia está associada a alterações na forma como o sistema nervoso central processa a dor.
Fatores emocionais, predisposição genética e distúrbios do sono também podem contribuir para o desenvolvimento da condição. Além das dores e limitações físicas, o especialista alerta que a fibromialgia também pode provocar impactos significativos nas relações sociais, na vida profissional e na saúde mental.
Como os sintomas nem sempre são perceptíveis, muitos pacientes enfrentam dificuldades para que suas dores sejam compreendidas no ambiente familiar e de trabalho. “A fibromialgia pode provocar impactos profundos no dia a dia dos pacientes e, muitas vezes, os sintomas demoram a ser associados à doença.
Sem o acompanhamento adequado, a condição pode comprometer o desempenho profissional e acadêmico, além de afetar a saúde mental”, afirma Higino. Embora ainda não exista cura definitiva, a fibromialgia pode ser controlada.
As diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Reumatologia reforçam que a base do tratamento deve ser uma abordagem multidisciplinar, combinando atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, educação sobre a doença, melhora da qualidade do sono, controle do estresse e acompanhamento psicológico quando indicado.
Os medicamentos também têm papel importante, mas não são indicados para todos os pacientes nem representam a primeira estratégia de tratamento de forma isolada. Eles costumam ser recomendados quando a dor, os distúrbios do sono ou o comprometimento da qualidade de vida persistem mesmo após a adoção das medidas não medicamentosas.
A escolha da medicação deve ser individualizada e considerar os sintomas predominantes e as características de cada paciente.
A Gazeta