Goiana conquista Prêmio Jabuti com livro sobre aborto, maternidade e direitos reprodutivos

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Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

A escritora Juliana Cajives, nascida em Goiânia e atualmente radicada em Salvador, na Bahia, conquistou o 68º Prêmio Jabuti na categoria Escritor Estreante – Poesia. A autora foi reconhecida pelo livro História a que ninguém deu nome, publicado pela independente Mormaço Editorial, em uma obra que aborda questões como aborto, direitos reprodutivos, maternidade e violência obstétrica.

Em entrevista ao Jornal Opção, Juliana afirmou que receber o reconhecimento logo na estreia literária representa um marco importante em sua trajetória. Para ela, a premiação também ganha significado por integrar uma categoria voltada justamente a autores que estão publicando seus primeiros livros.

“Esse reconhecimento é importante para qualquer pessoa que está numa carreira literária. A gente sabe como não só o Brasil, mas o mundo trata os seus artistas.

Então, ter um reconhecimento é uma coisa muito importante para quem está numa carreira artística”, afirmou. A escritora também destacou a importância de conquistar o prêmio fora dos principais centros editoriais do país.

Nascida em Goiás, criada no Tocantins e posteriormente radicada na Bahia, ela considera que sua trajetória representa uma experiência que ultrapassa o eixo Rio-São Paulo. “Ser de fora desse eixo, com o histórico que eu tenho de ter nascido em Goiânia, ter sido criada no Tocantins e ido morar em Salvador, acho que tem uma importância grande”, disse.

Em História a que ninguém deu nome, Juliana parte de uma experiência pessoal com o aborto para desenvolver uma narrativa que ultrapassa o relato individual. O livro reúne diferentes formas de expressão e aborda questões relacionadas aos direitos reprodutivos e à criminalização das mulheres.

Segundo a autora, a publicação nasceu de sua própria relação com o tema e do contato com outras pessoas que também passaram por experiências semelhantes. “Esse livro parte de uma história minha, da minha relação com as questões de direitos reprodutivos a partir da minha própria experiência com o aborto e conhecendo outras pessoas que passaram de diversas formas por essa experiência”, explicou.

Juliana chama atenção para a forma como as mulheres são tratadas socialmente diante dessas situações. Para ela, a criminalização do aborto também está relacionada à maneira como a sociedade coloca as mulheres sob suspeita.

“Não importa como esse aborto aconteça, sempre a mulher é colocada sob suspeita”, afirmou. A obra não se limita, porém, ao aborto.

A autora articula temas que atravessam a maternidade, a violência obstétrica e outras experiências femininas, combinando elementos literários e visuais para construir uma narrativa experimental. Goiás e a relação com a natureza

Embora tenha construído sua trajetória em diferentes estados, Juliana mantém uma ligação com suas origens goianas. A relação com Goiás e Tocantins, segundo ela, aparece em sua produção artística principalmente por meio das referências à natureza e às características dos ambientes em que viveu.

A escritora contou que passou muito tempo produzindo textos sobre a secura, a aridez e as condições climáticas da região. Essas experiências também influenciaram sua percepção sobre a própria vida artística.

“Passei muito tempo escrevendo sobre a secura, sobre o ar seco, sobre o tempo seco, sobre a aridez. Acho que a minha relação com Goiás e com o Tocantins tem muito a ver com a minha relação com a natureza, com os biomas que me circundam”, relatou.

Para Juliana, a relação com o território também envolve questões sociais e econômicas. Ela estabelece uma conexão entre as dificuldades de sobrevivência em determinados ambientes e os obstáculos enfrentados por artistas que buscam acesso a recursos e condições dignas de trabalho.

“Para artistas, o acesso a recursos e a uma vida digna muitas vezes é um solo árido também”, observou. Sobre os próximos passos da carreira, Juliana avalia que a conquista do Jabuti não deve ser encarada como uma conclusão, mas como uma oportunidade de ampliar o diálogo com os leitores.

A escritora também atua como artista visual e assina as ilustrações do próprio livro. Por isso, considera que a relação entre literatura e artes visuais faz parte da identidade da publicação.

Para ela, o reconhecimento nacional pode ampliar a circulação da obra e permitir que novas pessoas estabeleçam relações com as histórias apresentadas. “Um prêmio não é um ponto de chegada, não é um ponto final.

É um reconhecimento de uma obra que veio antes, mas eu olho para prêmio sempre como uma forma de começar, como uma forma de recomeçar”, afirmou. Juliana diz que a expressão artística perde parte de seu sentido quando não estabelece uma relação com o público.

Nesse contexto, a premiação representa a possibilidade de receber leituras, interpretações e críticas sobre seu trabalho. “Para mim, não faz sentido escrever, desenhar, fazer filmes ou qualquer coisa que eu me proponha a fazer artisticamente sem que isso seja uma forma de dialogar com as pessoas”, disse.

A escritora espera que o prêmio abra espaço para esse encontro entre sua produção e os leitores. Sem antecipar o que a conquista poderá representar nos próximos anos, ela resume sua expectativa como o início de uma nova etapa.

“Para mim, o prêmio é um ponto de partida, um começo de algo que eu também não sei o que vai acontecer”, concluiu. A escritora Juliana Cajives, nascida em Goiânia e atualmente radicada em Salvador, na Bahia, conquistou o 68º Prêmio Jabuti na categoria Escritor Estreante – Poesia.

A autora foi reconhecida pelo livro História a que ninguém deu nome, publicado pela independente Mormaço Editorial, em uma obra que aborda questões como aborto, direitos reprodutivos, maternidade e violência obstétrica. Em entrevista ao Jornal Opção, Juliana afirmou que receber o reconhecimento logo na estreia literária representa um marco importante em sua trajetória.

Para ela, a premiação também ganha significado por integrar uma categoria voltada justamente a autores que estão publicando seus primeiros livros. “Esse reconhecimento é importante para qualquer pessoa que está numa carreira literária.

A gente sabe como não só o Brasil, mas o mundo trata os seus artistas. Então, ter um reconhecimento é uma coisa muito importante para quem está numa carreira artística”, afirmou.

A escritora também destacou a importância de conquistar o prêmio fora dos principais centros editoriais do país. Nascida em Goiás, criada no Tocantins e posteriormente radicada na Bahia, ela considera que sua trajetória representa uma experiência que ultrapassa o eixo Rio-São Paulo.

“Ser de fora desse eixo, com o histórico que eu tenho de ter nascido em Goiânia, ter sido criada no Tocantins e ido morar em Salvador, acho que tem uma importância grande”, disse. Em História a que ninguém deu nome, Juliana parte de uma experiência pessoal com o aborto para desenvolver uma narrativa que ultrapassa o relato individual.

O livro reúne diferentes formas de expressão e aborda questões relacionadas aos direitos reprodutivos e à criminalização das mulheres. Segundo a autora, a publicação nasceu de sua própria relação com o tema e do contato com outras pessoas que também passaram por experiências semelhantes.

“Esse livro parte de uma história minha, da minha relação com as questões de direitos reprodutivos a partir da minha própria experiência com o aborto e conhecendo outras pessoas que passaram de diversas formas por essa experiência”, explicou. Juliana chama atenção para a forma como as mulheres são tratadas socialmente diante dessas situações.

Para ela, a criminalização do aborto também está relacionada à maneira como a sociedade coloca as mulheres sob suspeita. “Não importa como esse aborto aconteça, sempre a mulher é colocada sob suspeita”, afirmou.

A obra não se limita, porém, ao aborto. A autora articula temas que atravessam a maternidade, a violência obstétrica e outras experiências femininas, combinando elementos literários e visuais para construir uma narrativa experimental.

Goiás e a relação com a natureza Embora tenha construído sua trajetória em diferentes estados, Juliana mantém uma ligação com suas origens goianas.

A relação com Goiás e Tocantins, segundo ela, aparece em sua produção artística principalmente por meio das referências à natureza e às características dos ambientes em que viveu. A escritora contou que passou muito tempo produzindo textos sobre a secura, a aridez e as condições climáticas da região.

Essas experiências também influenciaram sua percepção sobre a própria vida artística. “Passei muito tempo escrevendo sobre a secura, sobre o ar seco, sobre o tempo seco, sobre a aridez.

Acho que a minha relação com Goiás e com o Tocantins tem muito a ver com a minha relação com a natureza, com os biomas que me circundam”, relatou. Para Juliana, a relação com o território também envolve questões sociais e econômicas.

Ela estabelece uma conexão entre as dificuldades de sobrevivência em determinados ambientes e os obstáculos enfrentados por artistas que buscam acesso a recursos e condições dignas de trabalho. “Para artistas, o acesso a recursos e a uma vida digna muitas vezes é um solo árido também”, observou.

Sobre os próximos passos da carreira, Juliana avalia que a conquista do Jabuti não deve ser encarada como uma conclusão, mas como uma oportunidade de ampliar o diálogo com os leitores. A escritora também atua como artista visual e assina as ilustrações do próprio livro.

Por isso, considera que a relação entre literatura e artes visuais faz parte da identidade da publicação. Para ela, o reconhecimento nacional pode ampliar a circulação da obra e permitir que novas pessoas estabeleçam relações com as histórias apresentadas.

“Um prêmio não é um ponto de chegada, não é um ponto final. É um reconhecimento de uma obra que veio antes, mas eu olho para prêmio sempre como uma forma de começar, como uma forma de recomeçar”, afirmou.

Juliana diz que a expressão artística perde parte de seu sentido quando não estabelece uma relação com o público. Nesse contexto, a premiação representa a possibilidade de receber leituras, interpretações e críticas sobre seu trabalho.

“Para mim, não faz sentido escrever, desenhar, fazer filmes ou qualquer coisa que eu me proponha a fazer artisticamente sem que isso seja uma forma de dialogar com as pessoas”, disse. A escritora espera que o prêmio abra espaço para esse encontro entre sua produção e os leitores.

Sem antecipar o que a conquista poderá representar nos próximos anos, ela resume sua expectativa como o início de uma nova etapa. “Para mim, o prêmio é um ponto de partida, um começo de algo que eu também não sei o que vai acontecer”, concluiu.

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