Uma fábrica de motores elétricos que já ultrapassou a marca de 5 milhões de unidades produzidas fechou as portas, demitiu cerca de 85 funcionários e apresentou um pedido de falência à Justiça após enfrentar uma crise financeira que se arrastava há anos. Trata-se da Nova Motores e Fios Ltda., responsável pela marca Morita Motors, instalada em Schroeder, no Norte de Santa Catarina.
O encerramento das atividades foi comunicado aos trabalhadores na última quinta-feira (29). A decisão colocou fim às operações da indústria, que atuava na fabricação de motores elétricos, alternadores, fios esmaltados e componentes utilizados em diferentes atividades industriais.
Segundo informações divulgadas pelo jornal OCP News, a empresa comunicou a dispensa de todos os funcionários da unidade, localizada na região central do município. Em nota, a administração explicou que enfrentava dificuldades econômicas e financeiras nos últimos anos e que, mesmo após diversas tentativas de preservar as atividades e os empregos, não conseguiu reunir condições para continuar funcionando.
Com isso, a companhia decidiu apresentar um pedido de autofalência, procedimento no qual a própria empresa solicita à Justiça o reconhecimento de que não possui condições de continuar cumprindo suas obrigações financeiras. A solicitação ainda depende de análise judicial.
Portanto, apesar do encerramento das atividades, a falência não havia sido decretada até as últimas informações divulgadas sobre o caso. Fundada em 2008, a Morita Motors construiu sua trajetória no setor de equipamentos elétricos e chegou a alcançar números expressivos de produção.
De acordo com informações disponibilizadas no próprio site institucional, a fabricante havia produzido e entregue mais de 5 milhões de motores e alternadores elétricos até setembro de 2025. No mesmo período, a companhia também contabilizava mais de 30 mil toneladas de fios esmaltados de alumínio e 20 mil toneladas de produtos fundidos em ferro cinzento.
A empresa se apresentava como uma das principais fabricantes brasileiras de motores e alternadores elétricos, com atuação no mercado nacional e uma estrutura industrial de mais de 20 mil metros quadrados. Apesar do histórico de produção, os problemas financeiros não eram recentes.
O grupo já havia recorrido à recuperação judicial em 2015, na tentativa de reorganizar suas dívidas e manter as operações. O processo, que envolveu outras empresas ligadas ao grupo, teve seu encerramento registrado em 2026.
Entretanto, as dificuldades financeiras permaneceram e culminaram no fechamento anunciado em outubro. Os funcionários foram informados de que as demissões ocorreriam sem justa causa, com aviso-prévio indenizado.
Isso significa que não precisariam continuar trabalhando durante o período de aviso. A administração também comunicou que os documentos necessários para solicitar o seguro-desemprego e sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seriam disponibilizados por meio do sindicato da categoria, em data ainda a ser informada.
Até a divulgação do comunicado, não havia sido apresentado um calendário para o pagamento das verbas rescisórias. A companhia explicou ainda que o pedido de autofalência considera a possibilidade de manter determinadas atividades, caso exista autorização judicial, para preservar equipamentos e outros bens, concluir contratos e reduzir os prejuízos decorrentes do fechamento.
A decisão caberá à Justiça, que deverá analisar a situação patrimonial da empresa e os próximos procedimentos relacionados às obrigações financeiras e trabalhistas. Em comunicado, a Nova Motores reconheceu os impactos da decisão sobre os funcionários e suas famílias e agradeceu aos colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros que participaram da trajetória da indústria.
Portal6