247 – As vendas brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais para a União Europeia alcançaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, crescimento de 14,8% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ocorre nos primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, que começou a produzir efeitos em 1º de maio.
Segundo o G1, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontam que, além do aumento do faturamento, o volume exportado pelo agronegócio brasileiro cresceu 8,1%, chegando a 17,74 milhões de toneladas destinadas aos 27 países da União Europeia. A expansão das vendas foi registrada em diferentes segmentos, especialmente carnes, produtos apícolas, soja, frutas e derivados agrícolas.
O desempenho coincide com a redução gradual de tarifas de importação prevista no tratado, que melhora as condições de acesso de determinados produtos brasileiros ao mercado europeu. O acordo completa seis meses de aplicação provisória neste domingo.
A parceria comercial envolve dois mercados que, juntos, reúnem aproximadamente 720 milhões de habitantes e movimentam um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. Carnes e mel registram crescimento expressivo
Entre os segmentos com maiores avanços percentuais, os produtos apícolas, principalmente o mel, lideraram o crescimento das exportações brasileiras para a União Europeia. O valor comercializado aumentou 367% no período analisado.
Na sequência aparecem os produtos oleaginosos, excluída a soja, cujas vendas cresceram 161% em valor. O setor de carnes também apresentou expansão significativa.
As exportações aumentaram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas entre maio e setembro. Outros produtos de origem animal, considerados separadamente das carnes, registraram crescimento de 55,5% no valor exportado.
Soja mantém liderança nas exportações para a Europa Apesar das altas percentuais registradas em outros setores, o complexo soja permaneceu como o principal grupo de produtos do agronegócio brasileiro comercializados com a União Europeia.
As exportações desse segmento aumentaram 34,2% em valor, passando de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões no período analisado. Dentro do complexo, as vendas de soja em grãos cresceram 49% em valor e 35,1% em volume.
Já o farelo de soja apresentou expansão de 22,5% no faturamento e de 10,6% na quantidade embarcada. Os produtos florestais também contribuíram para o crescimento das exportações.
As vendas passaram de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,48 bilhão, aumento de 23%. No segmento de frutas, nozes e castanhas, o valor exportado avançou 15%, de US$ 274 milhões para US$ 315 milhões.
Abacate tem alta de 421% e óleo de milho avança 266% Entre os produtos individuais, o abacate apresentou uma das maiores taxas de crescimento nas exportações brasileiras ao mercado europeu.
As vendas passaram de US$ 3,81 milhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 19,87 milhões no mesmo intervalo de 2026. A expansão foi de 421,2% em valor e 433,7% em volume.
Outro destaque foi o óleo de milho bruto, cujas exportações cresceram 266,3% em valor, passando de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões. A quantidade embarcada aumentou 205,8%.
Outras frutas também ampliaram sua presença no mercado europeu. As exportações de manga cresceram 31,2% em valor e 23,6% em volume.
No caso da maçã, os aumentos foram de 28,8% e 33,7%, respectivamente. O setor cafeeiro apresentou resultados positivos em produtos industrializados.
As vendas de café torrado aumentaram 91,6% em valor e 116,5% em volume. As exportações de café solúvel cresceram 19% em valor e 38,2% em quantidade.
Superávit comercial do agronegócio cresce 17% O crescimento das exportações também contribuiu para ampliar o saldo positivo do comércio agropecuário brasileiro com a União Europeia.
Entre maio e setembro de 2026, o Brasil importou US$ 1,67 bilhão em produtos agropecuários e agroindustriais provenientes do bloco europeu, aumento de 3,3% em relação aos US$ 1,62 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Como as exportações cresceram em ritmo superior ao das importações, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com a União Europeia passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões.
O avanço foi de 17%, equivalente a um aumento de aproximadamente US$ 1,53 bilhão no saldo positivo em relação ao período anterior. Redução de tarifas beneficia produtos brasileiros
A aplicação provisória das disposições comerciais do acordo Mercosul-União Europeia teve início em 1º de maio de 2026, após a assinatura dos instrumentos do tratado, em 17 de janeiro. As regras estabelecem cronogramas específicos para a redução ou eliminação de tarifas cobradas sobre produtos comercializados entre os dois blocos.
Entre os itens brasileiros contemplados estão o café torrado, o café solúvel e o abacate. Para os dois tipos de café, a eliminação das tarifas será gradual, com previsão de conclusão em 2030.
No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, e a liberalização integral também está prevista para 2030. O acordo contempla ainda condições preferenciais de acesso ao mercado europeu para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo.
Parte desses benefícios está sujeita a cotas de importação, que estabelecem limites de volume e regras específicas para a utilização das preferências comerciais. A implementação gradual significa que nem todos os produtos brasileiros passaram a ter acesso imediato ao mercado europeu sem tarifas.
Os efeitos variam conforme o setor, o cronograma negociado e as condições estabelecidas para cada mercadoria. Indústria brasileira também amplia vendas
Os primeiros meses de aplicação provisória do acordo foram acompanhados por crescimento das exportações brasileiras de determinados produtos industriais para a União Europeia. Entre os itens que registraram aumento nas vendas estão ferrossilício-manganês, alumínio em bruto, óleos combustíveis e etanol.
As exportações de transformadores elétricos também apresentaram avanço. Segundo os dados divulgados, as vendas desse produto passaram de zero para US$ 39 milhões no período analisado.
Os resultados mostram que a expansão das exportações brasileiras ao mercado europeu alcançou diferentes atividades econômicas, embora os dados destacados pelo Ministério da Agricultura estejam concentrados no desempenho do agronegócio. Acordo foi negociado durante mais de 25 anos
As negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e atravessaram sucessivas etapas de discussão sobre tarifas, acesso a mercados, regras ambientais e compromissos comerciais. O processo se estendeu por mais de duas décadas até a assinatura dos instrumentos do acordo, em janeiro de 2026.
A aplicação provisória das disposições comerciais começou em maio, permitindo que parte das reduções tarifárias entrasse em vigor antes da implementação definitiva da parceria. O tratado prevê liberalização total ou parcial de aproximadamente 99% das exportações agrícolas brasileiras destinadas à União Europeia, por meio da eliminação de tarifas ou da concessão de condições preferenciais de acesso, incluindo cotas para determinados produtos.
A abertura comercial, entretanto, não elimina as exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade aplicadas pelos países europeus. Entre os instrumentos regulatórios relevantes está o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que estabelece requisitos ambientais para a comercialização de determinadas mercadorias no bloco.
Brasil 247