Belo Horizonte – Minas Gerais ultrapassou o Rio de Janeiro e assumiu a segunda posição entre os estados brasileiros com o maior número de consumidores inadimplentes. O estado contabilizou 8,05 milhões de pessoas com o nome negativado em setembro, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa.
O levantamento coloca Minas atrás apenas de São Paulo. O avanço ocorreu mesmo com uma diferença pequena em relação ao mês anterior.
Em agosto, Minas tinha cerca de 15,3 mil consumidores negativados a menos. O crescimento foi de 0,19%.
No mesmo período, o Rio de Janeiro registrou uma redução de aproximadamente 65 mil pessoas nessa situação. Com a movimentação, Minas passou a ter cerca de 14,8 mil inadimplentes a mais que o estado fluminense.
Apesar de ocupar a segunda posição em números absolutos, Minas não tem a segunda maior proporção de adultos com o nome restrito. O percentual mineiro é de 47,52%, abaixo da média nacional, de 51,1%.
Isso significa que pouco menos da metade da população adulta do estado está negativada. O levantamento aponta que os consumidores inadimplentes de Minas acumulam 31,8 milhões de dívidas negativadas, que totalizam R$ 56,8 bilhões.
O valor médio devido por pessoa chega a R$ 7.053,05, o equivalente a aproximadamente quatro registros de débitos por consumidor. Belo Horizonte concentra 1,09 milhão de pessoas negativadas, com R$ 9,36 bilhões em dívidas.
Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, são 364,8 mil consumidores nessa condição. O valor médio devido por pessoa no município é de R$ 8.937,88, acima da média estadual e da registrada na capital, de R$ 8.591,38.
Juiz de Fora, na Zona da Mata, reúne 241 mil inadimplentes, enquanto Montes Claros, no Norte de Minas, contabiliza 182 mil. O perfil das dívidas mineiras também chama a atenção pela participação das despesas essenciais.
Contas de água, luz e gás representam 21,1% dos registros de inadimplência no estado. O percentual é superior à média nacional, de 20,32%, e coloca essa categoria na segunda posição entre as principais origens dos débitos em Minas.
Bancos e cartões de crédito lideram, com 26,4% das dívidas negativadas. Na sequência aparecem as contas básicas e, em terceiro lugar, as pendências com financeiras, que representam 19,1%.
No cenário nacional, a ordem é um pouco diferente: bancos e cartões concentram 27,16% dos débitos, enquanto as financeiras respondem por 20,66%. As contas básicas aparecem em terceiro lugar, com 20,32%.
A participação expressiva das despesas essenciais ocorre em um contexto de pressão sobre o orçamento doméstico. Pesquisa de custo de vida da Serasa, realizada em janeiro de 2026, estimou em R$ 3.360 o custo médio mensal de vida em Minas Gerais.
Despesas com supermercado, moradia, contas recorrentes e transporte somam R$ 2.840 — cerca de 84,5% desse valor. O especialista em educação financeira da Serasa, José Capobianco, relaciona o peso das contas básicas ao comprometimento da renda com despesas do dia a dia.
O cenário mineiro acompanha o avanço da inadimplência em todo o Brasil. Em setembro, o país chegou a 84,2 milhões de consumidores negativados, o maior número desde o início da série histórica da Serasa, em 2016.
As dívidas somaram R$ 597,4 bilhões. O número de pessoas com restrição no nome cresceu 6% na comparação com setembro de 2025.
Desde 2020, a alta acumulada é de 34,17%, segundo a Serasa. O valor médio devido por consumidor no país chegou a R$ 7.093,83.
O levantamento também mostra que as faixas etárias de 41 a 60 anos e de 26 a 40 anos concentram as maiores parcelas dos consumidores negativados: 35,7% e 33,2%, respectivamente. Pessoas com mais de 60 anos representam 20,1%, enquanto os jovens de 18 a 25 anos correspondem a 11%.
Em meio ao cenário de endividamento, a Serasa realiza a 36ª edição do Feirão Limpa Nome. Em Minas Gerais, são disponibilizadas 59,8 milhões de ofertas para renegociação de dívidas, com descontos que podem chegar a 99%, conforme as condições de cada credor.
As ofertas ficam disponíveis até as 23h59 de 6 de dezembro de 2026. Nas dívidas elegíveis, o pagamento via Pix pode permitir a retirada da negativação após a confirmação da operação.
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