Em setembro de 2026, as exportações brasileiras alcançaram a marca inédita de 34,58 bilhões de dólares, cerca de 187 bilhões de reais. O levantamento divulgado no fim de outubro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirma o maior volume já embarcado pelo país para esse período.
As vendas externas oscilam bastante ao longo do ano por causa do calendário de colheita agrícola. Confrontar sempre o mesmo mês entre 2021 e 2026 elimina essa variação sazonal e revela um ganho permanente de escala produtiva.
O salto de dez bilhões de dólares em cinco anos Cinco anos atrás, em setembro de 2021, os portos e aeroportos nacionais despacharam 24,59 bilhões de dólares em mercadorias para fora.
No exercício seguinte, a carestia mundial das matérias-primas elevou a fatura daquele mês ao patamar de 30,23. Durante o biênio posterior, as cotações de grãos e minérios recuaram nas bolsas mundiais.
Mesmo com preços menores lá fora, o aumento da tonelagem física segurou os embarques de setembro em 28,91 bilhões de dólares em 2023 e 28,68 em 2024. A curva retomou velocidade em 2025, quando a receita do nono mês atingiu a casa de 30,64.
O avanço para o recorde atual de 34,58 bilhões de dólares representa crescimento de 12,9% em doze meses. Frente ao piso de 2021, o Brasil adicionou um terço a mais de receita cambial por mês à sua balança comercial.
A expansão acumulada chega a 40,6% no quinquênio. Petróleo, carnes e indústria puxam a expansão
O recorde de setembro de 2026 não dependeu apenas dos carregamentos tradicionais de soja em grão, milho, café e minério de ferro. Três frentes complementares responderam pela maior fatia do dinheiro novo que entrou no país.
O primeiro motor foi a venda externa de óleo bruto extraído das águas profundas de Santos e Campos. Com plataformas operando no limite da capacidade, o combustível fóssil disputou a liderança da pauta ao lado do agronegócio.
A segunda força veio dos frigoríficos nacionais de carne bovina, frango e suínos. A abertura de centenas de mercados sanitários na Ásia, no Oriente Médio e nas Américas permitiu escoar volumes históricos de proteína animal.
A indústria de transformação ocupou o terceiro eixo dessa arrancada exportadora. Fábricas instaladas no território brasileiro ampliaram a entrega de jatos comerciais da Embraer, tratores, motores elétricos, caminhões, celulose branqueada e compostos químicos.
Novas rotas portuárias e fôlego nas reservas cambiais O continente asiático liderou as compras em setembro, puxado pela demanda da China e de nações do Sudeste Asiático como Singapura, Vietnã e Indonésia.
Encomendas maiores da Argentina, do Chile e dos Estados Unidos equilibraram o destino das cargas manufaturadas. Internamente, despachar quase 35 bilhões de dólares num único mês exigiu operação conjunta dos complexos do Sul e do Sudeste com os terminais do Arco Norte.
Os portos de Itaqui no Maranhão, Barcarena e Santarém no Pará e Santana no Amapá encurtaram a viagem das safras do Centro-Oeste até o Atlântico. Vendas externas nessa magnitude garantem entrada farta de divisas para cobrir despesas de fretes marítimos, turismo e remessas financeiras.
O superávit comercial robusto protege as reservas cambiais brasileiras e afasta crises no balanço de pagamentos.
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