A crise bancária que levou à intervenção do paraguaio Ueno Bank já resultou em oito prisões. Dirigentes do banco digital e executivos de empresas ligadas ao Grupo Vázquez, que controla a instituição, foram detidos na noite de terça-feira.
O banco, que atende 40% da população do país, fechou as portas e bloqueou o acesso de clientes a contas e investimentos, após ser considerado insolvente. Centenas de paraguaios foram às ruas exigir que recebam o dinheiro imediatamente.
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Uma instituição financeira é considerada insolvente quando não consegue honrar seus compromissos. Para evitar que a situação piorasse, o Banco Central (BC) do Paraguai interveio no Ueno e trabalha, agora, em um plano de como devolver o dinheiro retido aos correntistas.
O presidente do BC e dois diretores da entidade renunciaram aos cargos. Os oitos suspeitos de envolvimento na crise bancária foram presos preventivamente.
Não está claro como o Ueno chegou à atual situação nem o papel de cada um dos executivos. De acordo com Nancy Salomón, representante do Ministerio Público paraguaio, o grupo poderá ser enquadrado nos seguintes crimes:
conduta indevida em situações de crise; lesão de confiança;
violação da obrigação de manter livros contábeis e comerciais, entre outras. — Estamos analisando os fatos com base nessas figuras jurídicas.
Ainda temos diligências reservadas para realizar outros procedimentos — afirmou a promotora ao jornal ABC Color, acrescentando que recebeu um documento de 200 páginas do Banco Central do Paraguai sobre o caso. BC vai interromper cortes de juros no Brasil? Entenda por que mercado espera manutenção da Selic em 13,75% hoje
Seis dos oito presos passaram a noite na sede da Agrupación Especializada da Polícia Nacional, unidade que abriga alguns dos bandidos mais perigosos do país e que também recebe figuras políticas ou empresariais de destaque sob custódia judicial ou preventiva, em geral por questões de segurança ou falta de vagas no sistema penitenciário comum.
Paraguaios protestam nas ruas após quebra de banco digital e bloqueio de contas Em entrevista ao canal GEN, o comissário Isidro Gamarra disse que eles ficaram no mesmo espaço e comeram "cocido com coquito", tradicional comida paraguaia.
O cocido é uma bebida quente semelhante ao mate, preparada com erva-mate tostada. Coquito são biscoitos ou pãezinhos típicos.
Duas detidas foram encaminhadas a Comissaría de Mulheres, segundo o jornal paraguaio La Nación. Veja quem são os detidos e sua relação com o banco e o conglorerado Vásquez, dono do Ueno, de acordo com o ABC Color:
Juan Gustale, presidente do Ueno Bank Juan Manuel Gustale Cardoni, de 41 anos, ocupava a presidência do Ueno Bank.
Sua trajetória profissional é marcada pela atuação nas áreas de regulação financeira e administração pública, com mais de 14 anos de experiência no setor. É mestre em Direito Bancário e Regulação Financeira pela London School of Economics, no Reino Unido, e em Administração Pública pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Antes de assumir a presidência do Ueno, integrou o conselho de administração do Banco Nacional de Fomento (BNF) entre 2017 e 2021. Também ocupou diferentes cargos no Banco Central do Paraguai, entre eles o de diretor jurídico da Superintendência de Bancos, chefe de gabinete do conselho de administração e superintendente de Risco de Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo (LD/FT).
Além da atividade executiva, Gustale leciona em universidades e publicou artigos especializados sobre sistema bancário, regulação e inclusão financeira. Miguel Vázquez, primeiro vice-presidente e fundador do Ueno
Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, ocupava o cargo de primeiro vice-presidente do Ueno Bank. É um dos principais nomes do grupo empresarial por trás da instituição, já que é fundador do Ueno e presidente do Grupo Vázquez, principal acionista do banco.
Anteriormente, foi CEO da Credicentro, empresa que faz parte do histórico empresarial de sua família. Sua formação inclui especializações em finanças, gestão empresarial, transformação digital e inovação em serviços financeiros.
Também participou de programas executivos em Harvard e na Universidade de Miami. Diana Mongelós, segunda vice-presidente do Ueno Bank
Diana Leticia Mongelós González, de 40 anos, ocupava a segunda vice-presidência do Ueno Bank. Sua trajetória profissional está ligada principalmente às áreas jurídica, de recursos humanos e de gestão organizacional.
É advogada formada pela Universidade Nacional de Assunção (UNA), tem especializações na área de recursos humanos e formação como coach ontológica profissional. Sua ligação com a estrutura do Ueno também remonta ao processo de fusão por incorporação com o Visión Banco.
Segundo os documentos societários da operação, ela participou em representação do Visión Banco S.A.E.C.A., na condição de diretora titular, e atuou no processo de formalização do acordo definitivo de fusão. As atas das assembleias incluídas na documentação da operação também registram sua nomeação como integrante titular do conselho de administração resultante da fusão com o Ueno Bank.
Julio Rey, ex-segundo vice-presidente do Ueno Bank Julio Daniel Rey Fernández, de 47 anos, ocupou o cargo de segundo vice-presidente do Ueno Bank.
De acordo com os registros disponíveis, em junho de 2025 ele ainda aparecia nessa função na estrutura de direção da instituição. Sua inclusão entre os detidos está relacionada à sua antiga ligação com a administração do banco, embora não tenham sido encontradas outras informações curriculares que permitam ampliar seu perfil profissional.
Atualmente, não se sabe qual é sua relação com o Ueno. Diego Duarte, diretor titular do Ueno Bank
Diego Fernando Duarte Schussmuller, de 50 anos, é economista e ocupava uma cadeira no conselho de administração do Ueno Bank como diretor titular. Sua trajetória profissional inclui cargos de alta direção em instituições financeiras dos setores privado e público, no Paraguai e no Brasil.
Entre seus antecedentes mais relevantes está sua passagem pelo conselho de administração do Banco Central do Paraguai (BCP), além de sua atuação como presidente e gerente-geral da Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD). Também esteve à frente da agência de classificação de risco Solventa S.A., onde exerceu as funções de presidente, gerente-geral e membro do conselho de administração.
Além do cargo no Ueno Bank, aparece como primeiro vice-presidente da Ueno Seguros. Alejandro Gómez, diretor titular do Ueno Bank
Alejandro Gómez Abente, de 44 anos, é formado em Administração de Empresas. Também integrava o conselho de administração do Ueno Bank como diretor titular.
Seu perfil profissional está relacionado ao mercado de capitais, às finanças corporativas e à gestão de riscos. Entre seus antecedentes profissionais estão passagens por instituições financeiras internacionais, como Morgan Stanley, em Londres; HSBC, em São Paulo; e Standard & Poor's, em Buenos Aires.
Também ocupou cargos de CEO, presidente e diretor em instituições financeiras nacionais e internacionais. Mariana Torres, ex-diretora titular do Ueno Bank
Mariana Isabel Torres Rubiani, de 41 anos, foi diretora titular do Ueno Bank após o processo de fusão por incorporação com o Visión Banco. Sua participação na operação está documentada na escritura pública correspondente, na qual atuou em representação do Visión Banco S.A.E.C.A., na condição de diretora titular.
A documentação societária também registra sua participação no processo de formalização do acordo definitivo de fusão e confirma que ela foi nomeada diretora titular do conselho de administração resultante da operação. Atualmente, não se sabe qual é sua relação com o Ueno.
Miguel Ángel Almada, ligado à Ueno Seguros e ao Grupo Vázquez Miguel Ángel Almada Frutos, de 49 anos, aparece como síndico titular do Ueno Bank e da Ueno Seguros.
Além disso, em seu perfil profissional no LinkedIn, informou que atuava como diretor jurídico do Grupo Vázquez. É advogado e possui especializações em análise de políticas públicas e propriedade intelectual.
Entre seus antecedentes profissionais está sua participação na estruturação da infraestrutura jurídica do Tigo Money. Além de integrar a estrutura do Ueno, Almada Frutos possui participações acionárias em empresas relacionadas que foram identificadas pelo BCP durante seu processo de investigação: Grupo MSA, GrupoHendy S.A., Aime S.A.
e Tuiu S.A.
O Globo