Estadão denuncia armação do Metrópoles, após jornal revelar relações do site com o Master

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O jornal O Estado de S. Paulo denunciou uma tentativa de ofensiva do portal Metrópoles contra sua credibilidade após a publicação de reportagens sobre as relações comerciais e editoriais entre o site de notícias, pertencente ao ex-senador Luiz Estevão, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo o Estadão, o Metrópoles pretende utilizar trechos de conversas obtidas pela Polícia Federal, apresentados fora de contexto, para sugerir que o próprio jornal teria mantido relações semelhantes com o empresário. O Estadão nega qualquer vínculo empresarial ou institucional com Vorcaro ou com seu interlocutor Flávio Carneiro.

A controvérsia ocorre após a divulgação de mensagens que apontam contratos de aproximadamente R$ 51,9 milhões entre empresas do conglomerado Master e o Metrópoles, além de diálogos que, segundo as reportagens, indicam a participação de executivos do banco em decisões relacionadas à cobertura jornalística do portal.

De acordo com o Estadão, a iniciativa do Metrópoles também reproduziria uma estratégia de questionamento dirigida anteriormente à Folha de S.Paulo e ao UOL, veículos que publicaram investigações sobre as relações de Vorcaro com políticos, empresários e organizações de comunicação.

Vorcaro queria trazer Estadão e Folha para seu lado

As mensagens examinadas pelo Estadão mostram que Daniel Vorcaro buscava ampliar sua influência sobre a imprensa e demonstrava preocupação com a cobertura negativa do Banco Master.

Em 11 de fevereiro de 2025, aproximadamente 45 dias antes do anúncio da tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), o banqueiro pediu a Flávio Carneiro que elaborasse uma estratégia de aproximação com dois dos principais jornais brasileiros.

“Precisamos estrategia estadao e folha… Como trazer eles pro nosso lado”, escreveu Vorcaro.

Carneiro sugeriu uma articulação envolvendo o empresário Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, e outros veículos de comunicação.

“Estadão podemos apoiar o velho [Ometo] no platô, istoe e Brazil Journal e ele apoia a gente [no Estadão]. Tenho acesso total pra propor esse alinhamento”, afirmou.

Vorcaro concordou e determinou:

“Cria agora entao esse alinhamento. Atraves ceo… Temos que aproximar e blindar la”.

O Estadão ressalta que essas mensagens registram uma intenção dos interlocutores, e não a concretização de qualquer acordo com o jornal.

A publicação afirma que jamais manteve relação empresarial ou institucional com Vorcaro ou Carneiro.

Jornal nega influência de investidores sobre sua cobertura

As conversas também mencionam uma operação de emissão de debêntures do Estadão, por meio da qual o grupo captou R$ 142,5 milhões junto a instituições financeiras e empresas.

Rubens Ometto confirmou ter participado do grupo de debenturistas, mas afirmou que sua atuação teve caráter exclusivamente financeiro, sem interferência na administração ou nas decisões editoriais do jornal.

O empresário também declarou não conhecer Flávio Carneiro.

O Estadão acrescentou que não teria considerado a participação de Daniel Vorcaro na operação de financiamento.

A distinção é central para a resposta do jornal ao Metrópoles: enquanto as mensagens de Vorcaro e Carneiro mostram tentativas de aproximação com o Estadão, as reportagens sobre o portal de Luiz Estevão descrevem contratos efetivamente negociados com o Banco Master e diálogos sobre conteúdos jornalísticos.

Master teria firmado contratos de R$ 51,9 milhões com Metrópoles

Segundo o Estadão, mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam negociações entre Luiz Estevão e Daniel Vorcaro para o patrocínio da transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025.

O acordo envolvia o Will Bank, integrante do conglomerado Master, e a exploração comercial da competição.

O contrato relacionado à transmissão teria alcançado R$ 6 milhões.

Outras conversas apontam acordos adicionais entre o Master e o Metrópoles, que somariam R$ 51,9 milhões entre 2024 e 2025.

Entre os valores identificados estão contratos de R$ 20 milhões, R$ 25 milhões e aproximadamente R$ 900 mil. Segundo o jornal, as mensagens não permitiram identificar o objeto dos dois contratos de maior valor.

Em uma das conversas, Ana Matos, então responsável pela comunicação e pelo marketing do Master, ofereceu-se para negociar uma redução do valor de um acordo.

Vorcaro rejeitou a sugestão:

“Nao! Coisa mais importante nossa vida é esse metropoles”.

Em outro momento, o banqueiro cobrou rapidez da executiva:

“Como esta metropoles ana. Temos que acelerar isso. Me da noticia rapido”.

As declarações mostram a importância atribuída por Vorcaro ao relacionamento com o portal.

Coaf apontou movimentações suspeitas de R$ 27,7 milhões

Outro elemento destacado pelo Estadão é um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre pagamentos do Banco Master ao Metrópoles.

Segundo a publicação, o órgão identificou R$ 27,7 milhões em transferências consideradas suspeitas entre o segundo semestre de 2024 e outubro de 2025.

O relatório apontou que os recursos teriam sido rapidamente transferidos para empresas ligadas à família de Luiz Estevão, mencionando a possibilidade de movimentações em benefício de terceiros.

A classificação das operações como suspeitas pelo Coaf não constitui, por si só, comprovação de crime. O documento, entretanto, acrescenta um elemento de investigação às relações comerciais entre o conglomerado financeiro e o portal de notícias.

Mensagens apontam participação de Vorcaro em decisões editoriais

A controvérsia ganhou dimensão ainda maior com a divulgação de conversas que, segundo reportagens do Estadão e informações inicialmente publicadas pelo UOL, indicariam interferência do banqueiro na produção de conteúdos do Metrópoles.

Os diálogos atribuídos a Lilian Tahan, CEO do portal, mostram o envio de rascunhos de reportagens a Vorcaro antes de sua publicação.

Segundo os relatos, o empresário teria sugerido alterações em textos, números e manchetes.

As mensagens também indicariam que Vorcaro orientou a produção de reportagens críticas a Renato Gomes, então diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, considerado pelo banqueiro um obstáculo à aprovação da venda do Master ao BRB.

O material aponta ainda que Tahan teria antecipado questionamentos da redação e solicitado sugestões de perguntas para entrevistas com Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central.

Se confirmadas em sua integralidade e contexto, essas práticas levantam questionamentos sobre a independência editorial do portal em relação a um de seus parceiros comerciais.

Vorcaro também discutiu pressão sobre jornalistas do Estadão

As mensagens revelam que a preocupação de Vorcaro com a imprensa não se limitava à busca de alianças comerciais.

Em fevereiro de 2025, o banqueiro teria solicitado a Flávio Carneiro informações sobre uma repórter do E-Investidor, plataforma de finanças do Estadão.

Depois de receber dados sobre a trajetória profissional da jornalista, Vorcaro teria sugerido que ela fosse contratada por outro veículo.

Em agosto do mesmo ano, após a publicação de uma reportagem sobre parecer técnico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apontava suspeitas de gestão fraudulenta e desvios de R$ 2,1 bilhões, o banqueiro ameaçou processar o jornalista responsável.

Segundo o Estadão, Lilian Tahan comentou a possibilidade de responsabilização criminal do repórter:

“Não tem nada mais chato para o repórter que responder criminal”.

Em abril de 2025, Ana Matos também havia manifestado insatisfação com a cobertura do jornal, afirmando a Vorcaro que grande parte das publicações apresentava informações distorcidas ou incorretas.

Estadão sustenta que mensagens foram retiradas de contexto

O ponto central da denúncia do Estadão é que o Metrópoles estaria preparando uma reportagem para associar o jornal a Daniel Vorcaro mediante a seleção de mensagens que não demonstrariam a existência de uma relação efetiva.

Segundo a publicação, o portal enviou um pedido de manifestação sobre conversas entre o banqueiro e Flávio Carneiro, mas deixou de apresentar trechos que mostravam o caráter prospectivo das articulações.

O Estadão afirma que sua cobertura do Banco Master foi marcada por reportagens críticas à instituição, inclusive aquelas que provocaram reações negativas do próprio Vorcaro.

O jornal também informou que mais de oito mil mensagens entre o banqueiro e Carneiro foram disponibilizadas no site Masterwhats, permitindo a consulta ao contexto das conversas.

A publicação declarou manter espaço aberto para manifestações de Lilian Tahan e das jornalistas citadas.

A disputa entre os veículos ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre o Banco Master e suas relações com agentes políticos e organizações de comunicação. No centro da controvérsia está a diferença entre tentativas de influência relatadas em mensagens privadas e eventuais acordos comerciais ou intervenções editoriais efetivamente documentados.

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