Como o Hcor usou IA para ganhar o equivalente a 12 novos leitos e criar potencial de R$ 36 mi sem fazer obras

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Ampliar a capacidade de atendimento de um hospital normalmente exige altos investimentos em infraestrutura, obras e equipamentos. Mas e se fosse possível receber mais pacientes sem construir um único quarto? Foi com essa pergunta em mente que o Hcor, hospital de São Paulo, desenvolveu uma solução própria de inteligência artificial capaz de aumentar a rotatividade dos leitos existentes. O resultado foi o equivalente à abertura de 12 a 14 novos leitos, sem a necessidade de reformas estruturais. Batizada inicialmente de Alta Flow e posteriormente renomeada Command Flow, a ferramenta funciona como uma espécie de central de comando da operação hospitalar. O sistema utiliza algoritmos de IA para prever quando os pacientes terão alta, identificar gargalos administrativos e coordenar atividades que vão da higienização dos quartos à disponibilidade de vagas para pacientes que aguardam internação. A iniciativa surgiu em 2025, quando o hospital discutia a necessidade de ampliar sua estrutura física. Com a ocupação frequentemente no limite, a equipe de tecnologia decidiu investigar se parte da demanda poderia ser atendida com uma gestão mais eficiente dos leitos já disponíveis. Durante a avaliação, os profissionais identificaram que muitos dos atrasos na liberação dos quartos estavam relacionados a problemas de comunicação entre equipes, documentação pendente e falhas no fluxo de informações. "Mapeamos os gargalos existentes e identificamos que a grande maioria estava relacionada a falhas de sinalização, fluxo, falta de documentação e ausência de aviso aos pacientes", diz Alex Vieira, CIO do Hcor. A solução foi desenvolvida internamente, com a participação de mais de 100 profissionais de diferentes áreas ao longo do projeto. A proposta era integrar processos que antes dependiam da comunicação entre diversos departamentos, permitindo que as equipes antecipassem tarefas e reduzissem o intervalo entre a saída de um paciente e a entrada de outro. Como a IA opera Um dos principais recursos do Command Flow é a capacidade de prever a alta hospitalar de um paciente antes mesmo de existir uma indicação definitiva do médico. Seis horas após a internação, o sistema analisa os dados disponíveis e gera uma primeira estimativa de alta. A previsão é recalculada depois de 24 horas e novamente após 48 horas. Segundo o Hcor, a terceira análise alcança 92% de assertividade na previsão de alta. Com essa informação, a instituição consegue planejar com antecedência a disponibilidade de leitos e organizar as atividades necessárias para receber novos pacientes. Quando o sistema identifica que um paciente provavelmente receberá alta no dia seguinte, inicia automaticamente a verificação das etapas necessárias para sua saída. Isso inclui a evolução médica de alta, os registros de enfermagem, os checklists do paciente e os procedimentos administrativos. Se algum documento estiver pendente, os responsáveis recebem notificações. A ferramenta também acompanha os processos de limpeza e manutenção, monitora os prazos de execução das tarefas e emite alertas quando identifica atrasos. A integração permite que o pronto-socorro, o centro cirúrgico e a área de medicina diagnóstica tenham maior visibilidade sobre a disponibilidade futura de vagas, incluindo leitos de UTIs e internação cirúrgica. Na prática, o hospital procura reduzir situações em que um quarto permanece indisponível por questões operacionais mesmo depois de o paciente ter condições de deixá-lo. A inteligência artificial atua tanto nas previsões quanto no desenvolvimento da própria plataforma. Para construir os algoritmos e as lógicas do sistema, a equipe utilizou modelos de linguagem como Claude, da Anthropic, e Gemini, do Google. Segundo Vieira, a utilização dessas ferramentas acelerou a criação do software, reduzindo a necessidade de programação tradicional. Os modelos de previsão operacional, por sua vez, foram desenvolvidos internamente pelo hospital. O equivalente a 12 novos leitos O principal resultado apresentado pelo Hcor é o ganho de capacidade equivalente a 12 a 14 leitos adicionais, obtido com a melhoria da rotatividade. O impacto financeiro potencial também é significativo. De acordo com a instituição, cada leito gera, em média, R$ 3 milhões em receita anual. Considerando o equivalente a 12 leitos, a capacidade adicional poderia representar até R$ 36 milhões em faturamento por ano. O valor, no entanto, é uma estimativa de receita potencial, e não um faturamento adicional já realizado. Além da possibilidade de atender mais pacientes, a instituição aponta benefícios relacionados à redução de desperdícios operacionais, à experiência dos pacientes e à diminuição do tempo de internação. Os primeiros indicadores apareceram rapidamente. O desenvolvimento do Command Flow levou quatro meses, entre setembro e dezembro de 2025. A plataforma entrou em operação em janeiro de 2026 e, no mês seguinte, o hospital alcançou pela primeira vez duas metas operacionais: 60% dos pacientes liberando o leito em até 60 minutos e 60% das altas ocorrendo até as 10h da manhã. O investimento estimado foi de aproximadamente R$ 1 milhão, considerando o tempo de trabalho e os recursos humanos envolvidos. O desenvolvimento ocorreu com equipes internas, sem a contratação de consultorias. A experiência com o Command Flow faz parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento de soluções tecnológicas dentro do próprio Hcor. A instituição criou outras ferramentas para resolver problemas específicos da operação hospitalar, utilizando a mesma abordagem multidisciplinar e recursos de inteligência artificial. Uma delas é o Passa Plantão, que busca padronizar a transferência de informações entre médicos e enfermeiros por meio de áudio, texto e integração de dados dos pacientes. O objetivo é organizar um processo essencial para a continuidade do atendimento. Outra iniciativa é a Recepção Digital, que utiliza IA para ler e transcrever pedidos de exames. Segundo o hospital, a ferramenta reduziu o tempo de atendimento na recepção de 21 para 14 minutos, uma queda de aproximadamente 33%. O Concierge Digital permite que pacientes solicitem refeições, limpeza, ajustes de temperatura e outros serviços diretamente do quarto, com acompanhamento centralizado dos prazos de atendimento. E o MedFlow acompanha a movimentação de medicamentos em tempo real, com o objetivo de reduzir perdas, extravios e atrasos. O portfólio inclui ainda o App do Paciente, voltado à gestão e ao compartilhamento de informações de saúde, e o PEP Médico, um prontuário eletrônico destinado a consultórios integrados ao hospital. Fora do ambiente hospitalar, a instituição também desenvolveu o HealthSport, plataforma destinada a clubes de futebol para acompanhar o desempenho físico dos atletas e apoiar a prevenção de lesões. Banner da Série IA na Prática Clayton Rodrigues Mais Lidas

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