Ibaneis se mantém na moita após revelação de propina de R$ 400 milhões para usar o BRB na compra do Master

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha está no centro de uma grave acusação envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo relato atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, Ibaneis teria exigido R$ 400 milhões para autorizar a operação, além de uma participação acionária no banco resultante do negócio. A denúncia foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Correio Braziliense junto a fontes da Polícia Federal. A defesa do ex-governador contesta a acusação e ressalta que a proposta de delação do empresário não foi aceita por falta de elementos de comprovação.

A revelação coloca sob questionamento as tratativas que envolveram o BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal, e o Banco Master, então comandado por Vorcaro. Até o momento, a manifestação pública apresentada em nome de Ibaneis partiu de seu advogado, Antônio de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que rejeitou a consistência das acusações.

Vorcaro relatou cobrança de R$ 400 milhões

De acordo com as informações publicadas, Vorcaro afirmou durante uma oitiva à Polícia Federal que Ibaneis teria condicionado a autorização da compra do Banco Master pelo BRB ao pagamento de R$ 400 milhões.

O banqueiro teria descrito um esquema de repasses dividido em diferentes etapas. Uma parcela seria paga após a conclusão da operação, enquanto o restante seria transferido por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo então governador.

O relato também menciona mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero e posteriormente submetido à perícia.

A existência dessas mensagens, contudo, não significa que a acusação tenha sido comprovada. Segundo fontes da própria Polícia Federal, os elementos apresentados pelo banqueiro não foram considerados suficientes para dar continuidade à tentativa de colaboração premiada.

Suposto adiantamento de R$ 80 milhões e participação de 5% no banco

Ainda segundo o depoimento atribuído a Vorcaro, o empresário teria antecipado R$ 80 milhões do valor solicitado.

O dinheiro, conforme sua versão, teria sido entregue por um motorista do banqueiro a uma pessoa próxima de Ibaneis Rocha.

Vorcaro também teria afirmado que o ex-governador receberia 5% das ações da instituição financeira resultante da operação, utilizando uma empresa de fachada para ocultar sua participação.

As alegações são particularmente relevantes porque envolvem a tentativa de utilização de um banco público em uma transação com uma instituição privada.

Entretanto, não foram apresentados, nas informações divulgadas, comprovantes que demonstrem a efetiva entrega dos R$ 80 milhões ou a existência da participação acionária atribuída a Ibaneis.

Reuniões entre Ibaneis, Vorcaro e presidente do BRB

O relato também descreve encontros entre os principais envolvidos nas negociações.

Segundo as informações publicadas, a primeira reunião entre Daniel Vorcaro e Ibaneis Rocha teria ocorrido em 18 de setembro de 2024.

Uma semana depois, os dois teriam voltado a se encontrar, desta vez com a presença de Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.

As datas mencionadas no depoimento situam os contatos entre o banqueiro e o ex-governador no período anterior à tentativa de aquisição do Master pelo banco público.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias das negociações e a eventual existência de interesses particulares na operação.

Tentativa de delação não avançou por falta de provas

As declarações atribuídas a Vorcaro foram feitas durante tratativas para um possível acordo de colaboração premiada.

Segundo fontes da Polícia Federal ouvidas pelos veículos que divulgaram o caso, a tentativa de delação não avançou porque o banqueiro não apresentou elementos suficientes para sustentar suas acusações.

Isso significa que o relato não foi homologado como acordo de colaboração e que as afirmações não podem ser tratadas como fatos judicialmente comprovados.

A distinção é importante: o conteúdo divulgado representa uma acusação atribuída ao empresário, cuja consistência probatória foi questionada no próprio processo de negociação da colaboração.

Defesa de Ibaneis contesta acusações

Procurado pelo Correio Braziliense, o advogado Antônio de Almeida Castro, o Kakay, que representa Ibaneis Rocha, afirmou que a proposta de delação não foi aceita e que não havia provas capazes de sustentá-la.

“Não tinha nenhum elemento de colaboração, não tinha nenhuma prova. É uma proposta que nem foi aceita. Eu nem li, pois não leio proposta que não foi aceita”, declarou.

A manifestação foi feita pelo defensor do ex-governador. No material divulgado, não consta uma declaração pessoal de Ibaneis sobre o suposto pedido de R$ 400 milhões.

A acusação, embora de grande gravidade, permanece sem comprovação pública suficiente. O caso envolve questionamentos sobre as relações entre agentes políticos, instituições financeiras privadas e o uso de um banco controlado pelo poder público em operações de aquisição.

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