Engenheira do Google DeepMind pede demissão em protesto a contratos militares de IA

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A engenheira de pesquisa Sofia Liguori apresentou demissão do Google DeepMind na quarta-feira, 21, em protesto contra os contratos militares do laboratório com os governos dos Estados Unidos e de Israel. A informação foi confirmada pela própria engenheira em entrevistas ao site The Intercept, com sede em Londres, onde fica o comando do DeepMind. Liguori ingressou no laboratório em 2023 para trabalhar em sistemas de IA que otimizavam a distribuição de energia elétrica, um problema de engenharia civil. Sua posição mudou quando descobriu o Projeto Nimbus, contrato que fornece ao exército israelense e a grandes fabricantes de armas um pacote de ferramentas avançadas de inteligência artificial. Um dia após o Google anunciar, em abril de 2026, um contrato militar sigiloso com o Pentágono, ela usou licença médica e dias de folga para parar de trabalhar. Na carta interna de demissão, escreveu: “Já não acredito que nossa tecnologia terá um impacto líquido positivo na sociedade.” Na mesma carta, Liguori defendeu que “correr para implantar IA de agentes nesta sociedade e neste momento histórico é uma péssima ideia, e será definitivamente um mal líquido”. Ela pediu aos colegas que “permaneçam humanos” diante do trabalho militar. Diferente de outros pesquisadores que deixaram empresas de IA por medo de uma rebelião futura das máquinas, a engenheira apontou para práticas atuais: tecnologia que “torna automaticamente mais fácil escalar a brutalidade da guerra”. Exército quer agentes autônomos O contexto do protesto é a corrida militar americana pela IA. Documentos obtidos pelo The Intercept e divulgados na segunda-feira, 19, mostram que o Comando Cibernético do Exército dos EUA desenvolve a plataforma ECHOTRIBBLE, que transformará agentes de IA em armas autônomas capazes de invadir e “neutralizar” sistemas computacionais de adversários. Os documentos do comando, circulados a possíveis fornecedores, indicam que o software deve “operar com supervisão humana mínima” e apresentar “comportamento autodirigido”, navegando em silêncio por redes estrangeiras, atingindo até sistemas isolados da internet e se autodestruindo após a missão. Na terça-feira, 20 de outubro de 2026, o diretor do instituto de pesquisas de desarmamento da ONU, Robin Geiss, alertou na sede da organização, em Nova York, que a IA está “a caminho de sufocar a decisão humana” na guerra. “Vamos deixar máquinas mirarem e matarem seres humanos?”, questionou. Geiss citou risco crescente de erro e escalada não intencional, inclusive no domínio nuclear, e defendeu um tratado vinculante sobre armas autônomas letais. A demissão de Liguori acontece enquanto o secretário-geral da ONU cobra repetidamente que os países não cruzem a “linha vermelha moral” das máquinas de matar. Em setembro de 2026, os EUA propuseram à China um mecanismo de notificação mútua sobre incidentes com IA que ameacem a segurança nacional. O fórum da ONU sobre IA em paz e segurança, primeiro do sistema internacional dedicado ao tema, será lançado ainda nesta semana.

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