Escolha de gabinetes do Senado tem Michelle com preferência por andar baixo e atrito entre Derrite e Alcolumbre

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A distribuição dos gabinetes que os senadores eleitos vão ocupar a partir do ano que vem já mobiliza parte dos novos integrantes da Casa Legislativa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem usado a prerrogativa de definir os espaços para fazer uma aproximação com os novatos, principalmente os alinhados com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que resistem a apoiá-lo numa eventual recondução ao comando a Casa. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo PL do Distrito Federal, escalou o ex-ministro da Secretaria de Governo Célio Faria Júnior, que foi auxiliar do seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para garantir um espaço que esteja em um andar baixo na Casa Legislativa.  Uma das opções desejadas pela ex-primeira-dama é o gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que não foi eleito e não vai renovar o mandato. O espaço ocupa todo o terceiro andar de uma das torres do Congresso e é considerado um lugar privilegiado, já que é amplo, diferente dos gabinetes que ficam em galerias perto do plenário da Casa.  Por outro lado, o deputado federal Guilherme Derrite, que foi eleito senador pelo PP de São Paulo, tem demonstrado desinteresse pela distribuição do seu espaço de trabalho e já antecipa um conflito político.  O ex-secretário de Segurança de SP acusa Alcolumbre de usar a prerrogativa de distribuição de gabinetes como moeda de troca pelo apoio à reeleição.

Derrite afirma que não irá apoiá-lo na eleição de fevereiro para o comando da Casa, mesmo que isso signifique pegar o último gabinete que sobrar.  – Não falei com ele (Alcolumbre) e não vou falar. Alcolumbre não terá meu apoio por gabinete ou apartamento funcional. Nem que eu fique com o último gabinete que tiver, não vou votar em Alcolumbre para presidente do Senado. O PL elegeu 28 senadores em 2028 e Flávio Bolsonaro também conseguiu emplacar aliados de outros partidos na Casa, como o próprio Derrite. O candidato do PL à Presidência da República tenta emplacar um aliado no comando do Senado. O nome favorito do grupo para a disputa é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, mas a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também tenta se apresentar como uma opção. Do lado do grupo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição neste segundo turno contra Flávio, a movimentação é menor. Com a saída de Renan Calheiros (MDB-AL) da Casa, o ex-ministro dos Transportes e senador Renan Filho (MDB-AL), seu filho e que tem mandato na Casa até 2030, não vai se movimentar para ocupar o espaço do pai.  O ex-ministro de Lula ocupa o gabinete que já foi do ex-presidente da República e ex-presidente do Senado José Sarney e da ex-senadora Kátia Abreu e não pretende sair do lugar que ocupa.  A aliados, Renan Filho disse não ver risco de o gabinete do pai ser ocupado por um rival político, como o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que foi eleito senador neste ano. A avaliação é que essas distribuições de espaço são feitas de forma acordada com o parlamentar que sai do mandato e com o presidente do Senado.  Os espaços de trabalho no Senado não têm caraterísticas que são comuns a todos os senadores. Dependendo do gabinete, um parlamentar pode ficar mais perto ou mais longe do plenário, além do tamanho variar.  Longe do plenário, os gabinetes que ficam dentro das torres do Congresso Nacional costumam ser mais cobiçados por ocuparem um andar inteiro. É nesse espaço, por exemplo, que fica o gabinete de Flávio Bolsonaro como senador, do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), do senador e ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA) e de Ciro Nogueira e Renan Calheiros. Já os gabinetes que ficam próximos ao plenário são menores e ficam todos juntos em um mesmo corredor. Esses corredores são distribuídos em diferentes alas nos arredores do local onde as sessões são realizadas. Geralmente esses espaços ficam com políticos que estão exercendo pela primeira vez o mandato de senador e que não ocuparam outros cargos de destaque antes, como o de governador.  Apesar da movimentação, boa parte dos senadores eleitos não começou a articular a definição desses espaços. O entendimento é que há tempo para definir isso, já que a posse só acontecerá em fevereiro do ano que vem. A expectativa é que a maior parte das definições aconteça em janeiro.

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