Enviados de Trump propõem vender gás russo à Europa via empresa dos EUA

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O governo dos Estados Unidos discutiu com a Rússia a retomada do gás natural russo para a Europa pelos gasodutos que atravessam a Ucrânia. A proposta partiu de Jared Kushner e Steve Witkoff, enviados de Donald Trump, e foi levada a Moscou e a Kiev em setembro.

O arranjo prevê vender o combustível aos europeus por meio de um intermediário americano, conforme o Wall Street Journal, que ouviu fontes não identificadas envolvidas nas conversas, segundo o portal especializado OilPrice. Para quem paga a conta de aquecimento, a volta do fluxo não significa gás barato.

Significa o mesmo gás com uma camada nova de intermediação embutida no preço final. A Ucrânia entra no negócio pela receita de trânsito.

O contrato de cinco anos entre a estatal Naftogaz e a Gazprom venceu no início do ano passado, e a parte ucraniana recusou a renovação, o que cortou o fluxo e o dinheiro. Pelo relato do jornal, uma reabertura renderia a Kiev uma receita de que o governo precisa com urgência.

A Alemanha chega ao inverno com 61% dos reservatórios Os estoques europeus estão abaixo do normal para a época.

A Alemanha, que concentra mais de 20% da capacidade de armazenamento de gás da União Europeia (UE), tinha 61% dos reservatórios cheios em 1º de novembro, contra a meta de 80% definida para a mesma data. O volume extra ajudaria a segurar o preço no pico do consumo de inverno, quando a demanda por aquecimento chega ao máximo sazonal.

Do outro lado está a posição oficial de Bruxelas. Os países do bloco repetem que não há marcha a ré no plano de eliminar aos poucos a compra de energia russa, promessa que vale até depois do fim da guerra na Ucrânia.

O gás natural deve sair da pauta no ano que vem. A prática conta outra história.

Nos primeiros nove meses de 2026, os europeus responderam por cerca de 85% das entregas globais registradas do projeto Yamal GNL, o terminal de gás natural liquefeito no Ártico russo. O combustível que Bruxelas diz querer banir entra na Europa todos os dias pelos portos.

No inverno, o bloco ainda disputa cargas de GNL com compradores asiáticos, e essa corrida empurra o preço à vista para cima. O principal corredor terrestre que restou

Com os gasodutos do Báltico fora de operação e a rota polonesa parada, o corredor ucraniano é a principal via terrestre que sobrou para abastecer o centro e o oeste do continente. Reabri-lo devolveria volume ao mercado sem depender de navios metaneiros, mais caros e mais lentos que o transporte por tubo.

O aperto já aparece na indústria. Setores que consomem muita energia, como química e siderurgia, reduziram produção na Alemanha desde 2022 e pressionam Berlim por custo menor.

Antes das sanções, a Rússia respondia por cerca de 40% do gás importado pelo bloco. O obstáculo jurídico e o lucro que o desenho cria

Um acordo de reintrodução do gás por gasoduto esbarra nas restrições europeias à importação do produto russo, e o próprio relatório americano registra que o caminho legal é longo. Bruxelas não abriu exceção até aqui.

Um pedido americano nessa direção coloca em lados opostos os dois sócios que sustentam as medidas contra Moscou. O desenho dos enviados resolve outro problema.

O jornal escreveu que o arranjo criaria “uma oportunidade lucrativa para investidores americanos”. Aqui a sanção muda de função.

Deixa de ser embargo sobre o fluxo e vira pedágio sobre ele. Quem anunciou o isolamento de Moscou discutiu, em conversa reservada, o direito de intermediar um fluxo que a Europa nunca conseguiu dispensar, com comissão para quem passar pelo meio.

Pelo modelo em discussão, uma empresa americana compraria o gás russo e o revenderia ao continente, cobrando margem no meio do caminho. Kushner, genro de Trump e ex-assessor da Casa Branca, e Witkoff, advogado que se tornou interlocutor do presidente, aparecem como autores do desenho.

Nenhum dos governos envolvidos confirmou a proposta até esta segunda-feira. Do lado russo, o arranjo devolveria à Gazprom o mercado de gasoduto que ela dominava antes das sanções.

A estatal voltaria ao centro do tabuleiro pelas mãos de quem prometeu tirá-la de lá. O preço de referência do gás no mercado atlântico baliza as compras de GNL do Brasil para as termelétricas, acionadas quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos.

Uma Europa pagando mais no inverno encarece essa referência para todos os compradores da bacia. O plano segue sem confirmação de Washington, de Moscou ou de Kiev, e depende de Bruxelas desfazer a promessa que repete desde 2022.

Até lá, o inverno europeu começa com 61% nos reservatórios alemães e uma conta de aquecimento que pode passar a incluir o pedágio de um intermediário ainda sem nome.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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