Enem: entenda por que acertar questões difíceis e errar fáceis pode reduzir sua nota

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado nos próximos dois domingos, é, antes de tudo, uma enorme competição. Neste ano, pouco mais de 5 milhões de pessoas estão concorrendo a 260 mil vagas em instituições públicas de ensino superior.

Portanto, a correção não poderia ser tão simples quanto contar a quantidade de acertos de cada um. Imagine, por exemplo, a quantidade de empates que poderiam surgir.

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É por isso que o Ministério da Educação (MEC) adotou a Teoria de Resposta ao Item (TRI) para a prova, metodologia que considera o conjunto de respostas do participante para estimar o nível de conhecimento em cada área. Os dados mostram a diferença entre uma correção tradicional e a TRI.

Em 2025, por exemplo, 5.088 pessoas acertaram 42 das 45 questões de Linguagens. Pela Teoria Clássica dos Testes (TCT), todas teriam tirado 930 pontos (numa escala de 0 a 1.000, considerando que acertaram 93% da prova).

No entanto, dados do professor e estatístico Frederico Torres, especialista no Enem, mostram que a metodologia aplicada pelo MEC resultou em notas que variaram de 664 a 732 pontos, uma diferença de 68 pontos entre pessoas que tiveram a mesma quantidade de acertos. — Por meio do critério da coerência individual nas respostas, os candidatos são classificados com notas maiores ou menores, ainda que tenham acertado o mesmo número de questões.

Dois candidatos que acertaram 20 questões são diferenciados pela coerência apresentada — explica Francisco Moreira Júnior, líder pedagógico da Amplia Plataforma de Ensino. Mas o que é coerência nas respostas? Especialistas em educação defendem que o conhecimento escolar é cumulativo: primeiro, os alunos aprendem temas mais fáceis; depois, avançam para abordagens intermediárias até chegarem às mais difíceis.

Por isso, numa prova, é de se esperar que quem acertou as questões mais complicadas também tenha aprendido as mais simples. Esse é o caminho coerente, que rende mais pontos.

Estratégia de preparação Segundo Moreira Júnior, entender o modelo de correção da TRI é fundamental para que a estratégia de preparação do candidato seja mais adequada.

A composição da nota final do Enem, baseada nessa metodologia, leva em conta três critérios: — A dificuldade da questão, que indica o quanto ela exige do candidato.

A discriminação do item, que avalia o quanto ela diferencia estudantes com níveis distintos de conhecimento. E a probabilidade de acerto ao acaso, que considera a chance de o participante acertar por chute — explica.

No entanto, todos esses cálculos são feitos depois que a prova termina. Não é possível identificar durante o exame quais questões são estatisticamente fáceis ou difíceis, já que a percepção do estudante pode ser diferente da classificação utilizada pela TRI.

Uma questão curta pode ser difícil, enquanto outra, mais longa, pode ser acessível. A recomendação é priorizar os itens que o candidato consegue resolver com segurança, sem gastar tempo em uma questão.

— Não sabe? Pula! Mas não deixe de fazer aquelas que realmente consegue resolver. Se sobrar tempo, você volta às que pulou — diz Vanessa Santos, gerente de Projetos Educativos e Avaliação Educacional do Poliedro Educação.

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Comparação de provas Outra função da TRI é garantir que as edições do Enem possam ser comparadas entre si.

O exame é aplicado duas vezes ao ano: primeiro, para a maior parte dos participantes; depois, para pessoas presas ou jovens que cumprem medidas socioeducativas, além de candidatos que precisaram faltar à primeira aplicação por motivos descritos no edital (como doença infecciosa, por exemplo).

Todos esses participantes, embora tenham respondido a questões diferentes, vão concorrer às mesmas vagas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e, portanto, as provas precisam ser comparáveis. A edição do Enem de um ano também não pode ser mais difícil do que a do ano seguinte ou do anterior.

O exame foi criado para avaliar a qualidade do ensino médio brasileiro e voltará a ter essa função a partir de 2027. Além disso, desde 2025, o Sisu passou a aceitar notas das três últimas edições do Enem.

Quem participou de mais de uma delas pode, inclusive, escolher a maior pontuação para concorrer a uma vaga. Canal e gabarito extraoficial do GLOBO

Na reta final para o Enem 2026, o GLOBO reúne reportagens especiais com dicas de estudos, rotina e estratégias para as provas em oglobo.com.br/enem. O canal é uma parceria com o Elite Rede de Ensino e a Amplia Plataforma de Ensino e terá novos conteúdos até os dias do exame.

Os conteúdos não terminam quando os estudantes concluem a prova. Nos dois dias de exame, professores do Elite e da Amplia vão elaborar um gabarito extraoficial, que estará disponível para leitores e assinantes no site do GLOBO.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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